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domingo, 18 de junho de 2017

98. Acorda Brasil !



A economia do País está sem rumo, sobretudo após o fato político mais importante do governo Temer, o "grampo" do Joesley Batista. As revelações do empresário do ramo de carnes que se sucederam após a delação premiada, vem causando terremoto no campo político e em consequência uma "decepção" aos investidores que estavam ensaiando a se animar com as boas perspectivas para o segundo semestre. Decepção com o quadro político tem predominado o clima no setor produtivo. Isto é fato!

Os investidores do setor produtivo estão com dois pés atrás com a política econômica da equipe do governo Temer. As reformas estruturantes não sai do chão. A principal delas, a reforma da previdência parece ficar para o dia do são nunca, pelo menos neste governo, o do Temer.  O setor produtivo apostava na reforma da previdência para que o Orçamento Fiscal sustentável ao longo dos próximos anos. Sobretudo por isso, a "decepção" é geral e irreversível, pelo menos no curto prazo. O quadro é de apatia geral. 

Qualquer quadro da economia tem condições de ser revertido, não só pelas reformas estruturantes, mas sobretudo pela demonstração de "credibilidade" do governo em exercício, seja qual for o partido político. O quadro da economia já estava em quadro crítico, com pior recessão dos últimos  100 anos. O primeiro trimestre tinha mostrado sinais de início de recuperação, com  o primeiro PIB trimestral positivo, após 8 trimestres negativos. Não que o número mostre a tendência, uma vez que há necessidade de dois trimestres seguidos positivos para considerar, tecnicamente, que o configure o quadro da economia. Mas, foi alento, a notícia do PIB do primeiro trimestre positivo. Foi. Não se sabe se confirmará no segundo trimestre o mesmo resultado do primeiro. 

Independente do quadro político "em deterioração", ao contrário do que a grande imprensa e maior parte dos articulistas econômicas vem afirmando, a política econômica comandada pelo ministro da Fazenda Henrique Meirelles e a política monetária capitaneada pelo presidente do Banco Central Ilan Goldfajn pecam na origem, na sua formulação. Este blog, com viés na economia, vem desde a primeira matéria, chamando atenção sobre o tema. Já são 98 artigos postados. 

A matriz econômica de ambos, Meirelles e Goldfajn, se baseia no "controle da inflação" via taxa básica de juros, a segunda taxa de juros reais mais alta do mundo, dentre 40 maiores economia, ficando atrás apenas da Rússia. O Brasil tem pago nos últimos anos, juros reais em torno de 6% ao ano, que é considerado pelo mundo como economia em crise.  Esquecem Meirelles e Goldfajn que uma boa matriz econômica combate inflação com a contração da base monetária, não apenas pela taxa de juros reais. O atual presidente do Banco Central parece estar indo na contramão do receituário clássico de combate à inflação, ao liberar R$ 7 bilhões do depósito compulsório dos bancos, nas últimas duas semanas. O fato foi noticiado pela imprensa como matéria de "rodapé", como que querendo "esconder" a política econômica equivocada.  Juros reais altos "inibe" os investidores institucionais a canalizarem os investimentos nos setores produtivos. Qual é o empresário que quer correr o risco para ganhar dinheiro se tem alternativa boa sem ter que correr o risco?

Outro equívoco da política monetária é o dólar baixo (real valorizado). O dólar baixo traz a "sensação do poder de compra" da população. O dólar baixo traz a "sensação equivocada de quadro econômico em normalidade". O dólar baixo é defendido "à unha" pelos agentes econômicos e pela classe social "emergente" que preferem gastar suas economias no "exterior". Os novos ricos ou as classes emergentes se sentem os "donos do mundo" comprando em Nova York roupas e produtos produzidos na China, com etiqueta americana.  Este filme já vimos no segundo governo do Sarney, no segundo governo do Lula e no primeiro da Dilma. Deu no que deu! E dará no que dará! Isto é "inexorável", como 2 +2 = 4. 

A tão comemorada lei do "teto dos gastos públicos", também, é uma falácia tão grande que fico "boquiaberto" com tanta ignorância dos agentes públicos e econômicos que defendem a tal lei.  À rigor a Emenda Constitucional institucionalizou o "déficit primário" nos Orçamentos Fiscais ao contrário do que previa a Lei de Responsabilidade Fiscal de 2000. A Lei de Responsabilidade Fiscal previa equilíbrio fiscal ou seja "déficit primário" zero ou seja gastar só o que arrecada. Pois, esta lei ficou "letra morta" com a Emenda do teto dos gastos. 

Com tantos erros na formulação da matriz econômica, que privilegia os investidores especulativo aos investidores produtivos, não se pode esperar que o País cresça sustentavelmente nos próximos anos.  Com o permanente "déficit primário" o País aumenta a sua dívida pública, em termos reais, exponencialmente. Para tanto, o Brasil paga juros reais a mais alta do mundo, excluindo Rússia, para financiar o custo da administração pública. Em termos chulos, podemos dizer que o Brasil caiu na ciranda dos agiotas.  Quem pegou dinheiro emprestado dos agiotas ou dos "factoring" sabe do que estou a falar. 

Acorda Brasil !

Ossami Sakamori


sexta-feira, 2 de junho de 2017

97. Brasil em stand-by!


O presidente Temer e o ministro da Fazenda Henrique Meirelles, utilizaram dos meios de comunicação para afirmar que o Brasil saiu da recessão.  A afirmação, no entanto, é um tanto quanto precipitada. Para confundir ainda mais os empresários e agentes financeiros, uma boa parte dos analistas econômicos se somam às afirmações de ambos. Nada disso é verdadeiro, sob a análise fria dos indicadores.

É verdade que no primeiro trimestre do ano, os indicadores iniciais mostram que houve crescimento de 1% no PIB. É também verdade que houve um pequeno recuo no índice de desemprego do País, apesar de número permanecer ainda acima de 14 milhões de desempregados. Os indicadores podem apontar tendência conjuntural, sob ponto de vista técnico.  Não se pode afirmar como uma tendência!

Tecnicamente, só podemos indicar a tendência da economia, para crescimento ou permanência na recessão, com indicadores confirmado nos dois trimestres consecutivos. Isto significa que, só saberemos se o País saiu ou não da recessão, lá pelo final de agosto próximo, com indicadores do segundo trimestre deste ano. Até lá, qualquer afirmação é pura especulação!

Com a crise política que se instalou com o "grampo" do presidente da República, que veio ao público, feito pelo empresário estelionatário Joesley Batista, os investidores institucionais diretos e especulativos colocaram as barbas de molho. Estrategicamente, os investidores vão postergar as suas decisões importantes para depois da definição do quadro político. Não são declarações do presidente da República, o pivô da crise, que vão fazer os investidores mudarem de ideia. 

O mercado financeiro, os empresários e os investidores especulativos, diante do quadro, vão ficar na posição de "stand-by". 

Ossami Sakamori
(com rede social bloqueada)


sábado, 27 de maio de 2017

96. Para que lado vai a economia brasileira, pós Temer.



Para onde vai a nossa economia? É mais o que se ouve dentre população instruída.  A preocupação começou com a divulgação do "grampo" da conversa entre o empresário estelionatário Joesley Batista e o presidente da República Michel Temer. O conteúdo da conversa, não contestado pelo Temer, deixou a população estarrecida. E a crise política, a mais grave dos últimos 30 anos, se instalou no País. 

Antes de discorrer sobre o assunto, quero deixar claro que o que escrevo aqui não é fruto de "adivinhação", pois de cartomante não tenho nada.  Tenho formação "cartesiana", próprio de engenheiro. Muitas matérias postadas neste blog, anteciparam em alguns dias, alguns meses ou até em alguns anos os fatos que viriam acontecer.  As minhas previsões tem acerto muito acima de 70%, o que vocês podem comprovar acessando às matérias postadas via janela "Pesquisar" no canto direito acima desta página. É apenas fruto de observação e de vivência. 

Escrevi com antecedência de três meses sobre a falência da OGX; escrevi com um ano de antecedência sobre a recuperação judicial da Oi Telecomunicações; escrevi sobre financiamento de obras de infra-estruturas no exterior com o dinheiro do  BNDES; escrevi sobre as maracutaias do André Esteves na compra do Banco Panamericano; escrevi sobre várias operações que estão vindo a tona pela Operação Lava Jato. Muitas operações estranhas envolvendo a Petrobras foram objetos deste blog, ainda não viraram operações da Polícia Federal, mas certamente virarão noticiários policiais nos próximos meses.

As matérias sobre as maracutaias da JBS/Friboi, foi insistentemente abordadas neste blog. Finalmente, após 3 anos de atraso, aconteceram as operações da Polícia Federal envolvendo o grupo empresarial que utilizou-se do dinheiro público administrado pelo BNDES, para "comprar" mais de um mil políticos de todas regiões e de todas matizes ideológicos.  Fiz observação insistente de que o atual ministro da Fazenda Henrique Meirelles foi principal executivo do grupo econômico JBS até a véspera de assumir o cargo máximo da condução da economia. 

Fiz o preâmbulo para responder sobre o tema desta matéria: "Para onde vai a economia?". 

Vamos direto às respostas: 1: É inexorável a queda do presidente Temer, seja pela renúncia ou pela cassação de mandato, que deverá ocorrer em menos de 30 dias. 2: Haverá eleição indireta para a sucessão do Temer. 3: O presidente tampão não manterá Henrique Meirelles à frente da equipe econômica. 4: As reformas estruturantes em andamento serão levados a efeito. 5: A pessoa que vai comandar a equipe econômica, qualquer que seja, terá apoio do empresariado brasileiro e do mercado financeiro internacional e competência comprovada. 

Pronto! Está respondida a pergunta da chamada da matéria: "Para onde vai a economia brasileira?".

Ossami Sakamori
@SakaSakamori2


sexta-feira, 26 de maio de 2017

95. Tasso Jereissati será o novo presidente da República.



A grande imprensa noticia a reunião dos tucanos na residência do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, na capita paulista, por cerca de três horas, para definir o rumo do PSDB diante da crise do "grampo" do presidente Michel Temer, ocorrido há uma semana. O presidente interino do PSDB, o senador cearense Tasso Jereissati, vinculou a decisão final para o dia 6 de junho próximo, dia em que iniciará o julgamento da chapa Dilma/ Temer no TSE. Ainda segundo a grande imprensa, participaram da reunião o governador Geraldo Alckmin e o prefeito João Doria, ambos do PSDB. 

Eu sei que vai provocar muito "mi-mi-mi", sobretudo entre os meus leitores, mas não me intimido, pois sempre emiti minha opinião aos assuntos políticos e econômicos desde o início deste blog há mais de 5 anos. São mais de 2.300 matérias postado aqui desde então. Fui contra o governo do PT, mesmo quando Dilma tinha 77% de aprovação. Ontem mesmo, um dos meus endereços na rede social Twitter, creio em função da minha matéria anterior. 

Nem precisa ser cientista político para crer que o País caminha para renúncia ou cassação da chapa Dilma/Temer pelo TSE, deixando sem mandato o presidente Michel Temer. A saída do presidente Temer é "inexorável".    

Nem é preciso ser parlamentar para crer que haverá eleição indireta para presidente República, via Congresso Nacional para o mandato tampão, período que vai da eleição até 31 de dezembro de 2018.  A constatação segue a lógica cartesiana. Nada há de novidade, mas parece que o assunto virou "tabu". Ninguém quer especular o assunto para "não se queimar" ou não aparecer como "perdedor" na aposta. 

Eu não estou nem aí, com o julgamento da minha opinião pelo público, pois não sou militante político, mas apenas observador dele, sobretudo em função deste blog. Anunciarei assim, sem constrangimento, a minha aposta sobre o nome do futuro presidente da República.  Concluo, sem medo de errar, que o nome do presidente da República para o mandato tampão será o senador Tasso Jereissati, PSDB/CE.

Tasso Jereissati foi governador do estado do Ceará em dois períodos, de 1987 a 1991 e de 1995 a 2002. Tasso foi considerado bom governador na avaliação da população cearense. Tasso faz parte de uma família abastada que mudou a face do estado e tirando o  Ceará das mãos dos coronéis. Tasso não está sendo apontado em nenhuma das operações Lava Jato, até pela sua condição de pessoa "resolvida" financeira e econômica. 

Tasso como presidente interino do PSDB, articula o apoio a uma "futura" base de apoio, os partidos como o DEM e PSD. Com certeza, esvaziado da liderança com a renúncia ou afastamento do Michel Temer, o maior partido do Congresso Nacional, o PMDB, deverá alinhar-se ao lado da "nova coligação" de forças. 

Do pouco que conheço do senador Tasso Jereissati, sei que ele não vai fazer "nenhuma" aventura no exercício do cargo máximo da República.  Tasso vai dar continuidade às reformas estruturantes em discussão no Congresso Nacional e concluí-las o quanto mais rápido possível, com a "nova coligação" de forças.  Tasso saberá escolherá o nome de um novo ministro da Fazenda um nome capaz, no lugar do atual Henrique Meirelles. Este último, na sua biografia consta ter sido principal executivo do grupo J&F, envolvido na recente operação da Polícia Federal.  

Resumindo, em sendo o Tasso Jereissati, o novo presidente da República, continuará com as reformas estruturantes em tramitação no Congresso Nacional e nomeará equipe econômica igual ou melhor que a atual, com credibilidade entre empresários brasileiros e aceita pelo mercado financeiro internacional. 

Tasso Jereissati será o novo presidente da República.

Ossami Sakamori
(sem rede).

terça-feira, 23 de maio de 2017

94. O fim do governo Temer


A permanência do presidente Michel Temer ficou insustentável após a revelação das gravações feito pelo empresário estelionatário Joesley Batista, o "fanfarrão". Presidente Temer não encontrou justificativa convincente sobre o encontro com o Joesley Batista, realizado às altas horas da noite, no porão do Palácio Jaburu, residência oficial. 

A defesa do presidente Temer, inicialmente, quis invalidar a gravação, sem contestar o conteúdo nada republicano havido entre ambos, no mês de março.  Na tarde de ontem, os advogados de defesa do Michel Temer, recuaram ao pedido inicial de suspensão da investigação autorizada pelo ministro Edson Fachin, prevendo a negativa do pedido pelo pleno do STF.  Foi um recuo tático do Temer investigado.

Presidente Temer quer a todo custo demonstrar que ele tem o controle sobre a base aliada, convocando-a para atividades normais no Congresso Nacional nesta semana, à partir de hoje. Duvido que a base aliada obedeça cegamente ao pedido do Michel Temer. Os partidos de oposição já anunciaram "obstrução" à qualquer iniciativa de votação dos projetos do Palácio do Planalto. 

Os principais partidos aliados do presidente Temer, pelo menos em público, anunciam apoio ao Temer. Mas, nos bastidores, esperam que o TSE na reunião convocada para dia 6/6 venha cassar a chapa Dilma/ Temer, para não agravar ainda mais a crise de governabilidade. Os partidos aliados, no meu ver, apesar parecer atitude aparentemente "em cima do muro", estão conduzindo o processo de sucessão, com muita cautela. Todo e qualquer congressista estão de olho nas próprias reeleição em 2018. 

Na área econômica, o mercado internacional está demonstrando "exaustão" à crise que iniciou com a eleição da Dilma Rousseff para o segundo mandato. As agências de classificação de riscos, estão rebaixando as notas de crédito do Brasil e das principais empresas brasileiras, após a crise Temer. O mercado está na posição de "vendedor" do que de "comprador".  Nos primeiros dias da crise Temer, o mercado acionário brasileiro já perdeu o seu "valor do mercado" cerca de R$ 220 bilhões, correspondente aos valores negociados na BMF/Bovespa.

A crise política e financeira que se instalou no Brasil só vai mudar com a renúncia ou afastamento do presidente Temer e ter um nome capaz que conduza o país durante o período tampão, isto é, até 31 de dezembro de 2018.  Vamos deixar claro, também, que a possibilidade de volta do ex-presidente Lula, via eleição indireta, é nula. 

Ossami Sakamori

quinta-feira, 18 de maio de 2017

93. A verdade nua e crua sobre JBS/Friboi.


Estranha muito que a Operação contra o grupo empresarial JBS/Friboi tenha ocorrido somente neste ano. Ontem, a grande imprensa deu grande destaque e hoje a Polícia Federal está fazendo Operação para cumprir os mandatos decorrentes da delação premiada do seu principal executivo, o empresário estelionatário Joesley Batista. 

Este blog fez as primeiras denúncias sobre o grupo empresarial JBS/Friboi no início de 2014, isto é, há mais de 3 anos. Até ontem, parece que ninguém conhecia a maracutaia do grupo empresarial JBS/Friboi. Para quem quiser ver as minhas denúncias, segue os links das matérias postadas por mim.  Parece que as autoridades do executivo e judiciário fingiram todo este período de "não vi, não falei, não ouvi". Temos que apurar também, o motivo desta "blindagem" dos estelionatários Joesley e Wesley Batista. 


Ainda, no ano passado, postei matérias que ligam o grupo empresarial aos principais personagens da política e da economia brasileira, do país, de ontem e de hoje. 

18/08/2016: Meirelles é Friboi.

Apenas estranho que a Operação da Polícia Federal esteja ocorrendo com 3 anos de atraso. Talvez, se tivesse atuado antes, o prejuízo para os cofres públicos tivessem sido menores e os irmãos estelionatários não tenham tido oportunidade de "posarem" de "mocinhos" como eles estão sendo considerados.

Antes tarde do que nunca!

Ossami Sakamori



quarta-feira, 17 de maio de 2017

92. A economia chegou no fundo do poço?


Presidente Temer e ministro da Fazenda Henrique Meirelles, nas aparições nas TVs, tem afirmado que o Brasil começou a crescer.  Para o argumento utilizam-se da queda de inflação e recuperação de alguns setores da economia, como o da agrícola. A prévia do PIB do primeiro trimestre indica crescimento de 1,12%. O número de demissões no primeiro trimestre, praticamente, terminou em estabilidade. Para o País que vinha apresentando indicadores negativos por dois anos consecutivos, a notícia é até boa. 

No entanto, há uma distância enorme de considerar os primeiros números positivos como tendência para o resto do ano. Os números positivos vieram basicamente do desempenho do agronegócio que aumentou a produção da safra de verão em mais de 6% comparado ao do ano anterior. Outro segmento que ajudou a recuperar o crescimento foi a produção das montadoras no primeiro trimestre, em função da alta demanda de veículos pela Argentina.

O número de mês de abril, sobretudo a criação de novos empregos, em cerca de 60 mil vagas, está animando os analistas econômicos. Mas, particularmente, vejo com certa reserva. O resultado do mês de abril poderá repetir nos próximos meses, enquanto a CEF estiver liberando as contas inativa do FGTS para os trabalhadores. Tecnicamente, a liberação do FGTS produz cerca de 0,6% de incremento ao PIB do ano. No entanto, o efeito da liberação do FGTS pode mascarar o crescimento do PIB para o restante do ano. A última parcela da liberação do FGTS ocorrerá no mês de julho.  Não vi nenhum analista considerar o impacto da liberação do FGTS na economia, com exceção do ministro da Fazenda Henrique Meirelles.

Outro fator a considerar é a queda da taxa básica de juros Selic previstos para próximas reuniões, apesar de em números absolutos, o Brasil esteja pagando os juros reais a mais alta dentre 40 maiores economias do mundo. Psicologicamente, a taxa de juros Selic acima de 10% ao ano traz um "desconforto" para os empresários, inibindo-os de fazer investimentos diretos. Segundo Banco Central, a taxa Selic deve terminar o ano ao redor de 8% a 9% contra a inflação abaixo de 4%, o que poderia vir a animar os empresários. 

Há uma certa falta de didática dos jornalistas e analistas econômicas ao opinar sobre o "momento econômico", sobretudo por causa dos indicadores, muitas vezes conflitantes. O fato é que a "tendência" da economia só é confirmada quando há repetição de tendência positiva ou negativa em dois trimestres consecutivos. Tentar definir tendência da economia baseado apenas em dados de 1 trimestre é como tentar adivinhar o resultado de uma maratona nos primeiros 100 metros. Há que maratonista correr pelo menos 1.000 metros dentre 42 km para poder definir os favoritos. 

Para emitir opinião sobre o quadro da economia do País para o restante do ano, baseado apenas nos números do primeiro trimestre, tecnicamente, é inseguro. No máximo, podemos afirmar que a economia está "ensaiando" uma recuperação ou que a economia parece estar "chegando" no fundo do poço. O povo terá que agir com muita cautela nestas horas. 

Fazer qualquer projeção otimista para o ano de 2017, como quer fazer crer o presidente da República Michel Temer é um tanto quanto "temerário". Presidente Temer não tem "credibilidade" para afirmar qualquer coisa, sobretudo sobre matéria que não a domina. Em matéria de economia, Temer é apenas ventríloquo do ministro da Fazenda Henrique Meirelles. 

Nestas horas, a cautela é melhor remédio.

Ossami Sakamori


segunda-feira, 1 de maio de 2017

91.O futuro do Brasil depende da elite pensante.



O Brasil está como bicicleta que se quebrou e que o ciclista resolveu dar uma parada para consertá-la. Enquanto isto os concorrentes estão ultrapassando com total facilidade, sem dar nenhuma importância ciclista em problemas. Brasil está em estado de "depressão" há quase três anos. Brasil vive os piores momentos desde a depressão de 1929. Brasil é uma bicicleta quebrada!

De caso pensado, a equipe econômica comandada pelo ministro da Fazenda Henrique Meirelles e acompanhado pelo presidente do Banco Central Ilan Goldfajn resolveram dar uma "parada estratégica" na economia na tentativa de baixar a inflação e ao mesmo tempo implementar reformas estruturantes. A principal reforma que deveria ser a reforma tributária acompanhado de divisão encargos entre entes da federação, estão deixando para resolver depois. Podemos afirmar que o governo Temer está fazendo a reforma "meia sola", para continuar pedalando. 

A "parada estratégica" está custando muito caro para o País e para a sua população.  A "parada técnica" está custando, até o momento, cerca de 40 milhões de trabalhadores marginalizados do mercado de trabalho. São eles os desempregos, sub-empregados e beneficiários de "esmolas" dos recursos públicos. O governo anuncia o índice de desemprego correspondente a 13,7% da força do trabalho, no entanto, se considerar o número de desalentados e de beneficiários do Bolsa Família, o índice chega ao espantoso número. Cerca de 37% da força de trabalho do País estão fora do mercado de trabalho formal. Isto está pior do que a Espanha no passado recente. 

A desenfreada oferta de crédito, sobretudo os "créditos consignados", produziu nos últimos anos, cerca de 60 milhões de inadimplentes, o que corresponde a cerca de 40% da população adulta do País. O número significa que o efetivo mercado consumidor está combalido em função do número de inadimplentes. O número de inadimplentes somados ao número de trabalhadores sem emprego dificulta qualquer tentativa de retomada de crescimento baseado em "consumo" do mercado interno.  

A tão comemorada queda de inflação para abaixo do centro da meta (4,5%) apenas mostra o resultado da brutal queda de consumo pelos motivos já anunciadas nos parágrafos anteriores. A queda da inflação não se deve ao acerto da política econômica e monetária, mas sim ao "desacerto" das medidas tomadas pela equipe econômica comandada pelo Henrique Meirelles, o formulador da política econômica. O desacerto da política econômica e monetária é visível até para os leitos em macroeconomia.

Não haverá retomada de "crescimento sustentável", sem que haja a efetiva mudança no paradigma da política econômica e monetária. O maior erro entre tantos outros da política monetária é tentar conter a inflação apenas com a prática de taxa de juros reais. Os juros reais Selic do Brasil é a maior dentre as 40 maiores economias do mundo. Os juros reais altos inibem os novos investimentos produtivos. Só aos especuladores financeiros, nacionais e internacionais,  interessam a continuidade da atual política monetária.  

O governo Temer continua praticando a política do dólar baixo (real valorizado) como pilar da política econômica, coincidentemente, a mesma do governo Dilma. Imagino que o governo esteja tentando proporcionar a "sensação do poder de compra" da população. Enfim, o governo Temer quer enganar a população, igual a que governo Dilma fez. O governo Temer foge, covardemente, como fez a antecessora Dilma, de enfrentar a situação econômica do País, de frente. Temer usa as reformas estruturantes como pano de fundo para enganar a população. Política econômica do governo Temer vai levar o País a situação de dependência dos especuladores financeiros.   

As reformas trabalhistas e a reforma previdenciária, podem ser precondições para crescimento, mas por si só, não são instrumentos para imprimir o desenvolvimento sustentável ao País. O Brasil vai continuar patinando à espera de uma política econômica que privilegie o "setor produtivo" em detrimento ao "setor especulativo". Pelo contrário, a atual política econômica e monetária levará o País ao nível de endividamento que as gerações futuras terão que pagar com muito suor. 

Mais importante do que a política econômica e monetária equivocada do governo Temer, são movimento dos próprios agentes econômicos, articulistas econômicos e a grande imprensa que "não se apercebeu" do grave equívoco ou "faz de conta" para não desagradar o Palácio do Planalto. Espero que os principais personagens do empresariado brasileiro se apercebam desta "realidade perversa" e resolva influir positivamente para a "mudança do rumo da economia". 

Ou mudamos o Brasil ou o Brasil estará irremediavelmente derrotado perante o mundo, em todos indicadores sociais e econômicos. A decisão da mudança cabe à elite pensante brasileira, "pragmática". Nada de ficar filosofando. De nenhuma tendência ideológica, de esquerda à direita. 

Ossami Sakamori




sábado, 29 de abril de 2017

90. Brasil sofre do síndrome do cachorro magro...


O povo brasileiro sofre "síndrome do cachorro magro". Toda vez que faço crítica ao governo Temer aparece alguém me dizer se eu quero a volta do PT. Esta visão distorcida do fato demonstra que o povo brasileiro, em geral, não enxerga mais o futuro, mas lembra-se apenas do passado. Certamente de um passado sofrido. O povo perdeu a capacidade de olhar para frente, para o futuro. O povo brasileiro, enxerga como única alternativa do futuro, uma eventual volta do passado. Isto, eu considero como "síndrome do cachorro magro".

Este mesmo povo esquece, no entanto, que o governo Temer é continuidade do governo do PT. Temer foi vice-presidente da Dilma por longos 5 anos e 5 meses. Temer teve possibilidade de não acompanhar a Dilma na chapa que os elegeram em 2014, respectivamente aos cargos de presidente e vice-presidente da República. Temer faz parte do PMDB que é parceiro inseparável de qualquer partido que esteja no poder. Não adianta Temer querer separar a sua figura da chapa que o elegeu. 

Temer é PMDB. Não adianta querer separar o partido do presidente da República ao do PT e do PSDB, pois a estes partidos serviram por longos 17 anos no poder. À essa altura do campeonato, querer separar a figura do Temer da figura da Dilma soa-me como "cuspir no prato que comeu". O partido do Temer, PMDB, está envolvido até o pescoço com as ladroagem que ocorreram nos 13 anos do governo PT. Não gosto de pessoas que "cospem no prato que comeu".

A prova de que o governo Temer é continuidade do governo do PT é a manutenção da chefe da equipe econômica do governo, o mesmo Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central do Brasil nos 8 anos do governo Lula da Silva. A manutenção da maior parte dos ministros da Dilma no poder é outra evidência da continuidade. Pior, o governo Temer vem dando prioridade, como fez sucessivos governos neoliberais, aos investidores especulativos em detrimento ao setor produtivo do País. 

Voltando ao assunto do "síndrome do cachorro magro". Quando defendo a mudança no rumo do País, sobretudo na área econômica e monetária, estou exatamente indo no sentido contrário da "manutenção" da política econômica perversa dos sucessivos governos neoliberais. A visão distorcida sobre minhas falas, mostra claramente que o povo brasileiro está tão sofrido que qualquer crítica ao atual governo, enxerga como a volta ao passado ou a volta ao governo do PT.  Isto é "síndrome do cachorro magro"! 

Ao contrário do que muitos consideram, a minha crítica à política econômica e monetária do governo Temer tem finalidade de estimular a mudança do paradigma. Nas próximas eleições, as de 2018, defendo ardorosamente a mudança da política econômica e monetária que vise o "desenvolvimento sustentável" do País, privilegiando o setor produtivo em detrimento ao setor especulativo. 

O novo presidente da República a ser leito em 2018, não precisa carregar "ideologia" no peito. O novo presidente da República, preferencialmente, não seja da "extrema direita" e nem tão pouco da "extrema esquerda". O povo brasileiro já sofre do "síndrome do cachorro magro". O povo não quer saber de "ideologias". O povo quer saber de renda para pagar as contas no final do mês. Basta que o novo presidente da República escolha como setor preferencial o setor produtivo em detrimento do setor especulativo. Só isso, nada mais que isso!

Para governar o País não precisamos de "salvadores da pátria", nem dos auto denominados de "extrema direita". O País precisa de um presidente "probo" e medianamente capacitado para comandar a economia do País, rumo ao "desenvolvimento sustentável". Resumindo, o novo presidente da República deve combater a corrupção em todos os níveis do governo e que não seja um alienado ou "neófito" em macroeconomia. 

Vamos deixar o "síndrome do cachorro magro" e olhar para a frente, de preferência com "farol de milha" e fazer uma boa escolha do futuro presidente da República. Nada mais.

Ossami Sakamori

sexta-feira, 21 de abril de 2017

89. Brasil continua estagnado!


Há cerca de um mês, presidente Temer comemorava a criação positiva de empregos no mês de fevereiro, após meses seguidos de perdas de empregos.  O número positivo era sazonal. O Ministério do Trabalho anunciou ontem que o País perdeu 63.624 postos de trabalho no mês de março. Para minimizar os dados, o ministro do Trabalho prevê dados positivos no mês de abril, em curso.

O governo Temer aposta "todas fichas" nas reformas de previdência e trabalhista. Com as reformas estruturantes espera estabilizar o "rombo" ou "déficit primário" dos orçamentos fiscais.  Esta situação de "rombo" nos orçamentos fiscais vem desde 2014, ano que foi "pedalado" para o ano de 2015. Isto é tudo o "pano de fundo", a desculpa para a "depressão". 

As reformas estruturantes por si só não leva ao crescimento econômico sustentável. O governo Temer está muito mais preocupado com sua credibilidade no mercado financeiro internacional para atrair "capital especulativo", indispensável para continuar financiando a explosiva dívida pública federal. Brasil é o país que paga os maiores juros reais dentre 40 maiores economias do mundo, para poder rolar a sua dívida pública. O capital especulativo não traz capital pelo potencial do País, mas apenas e tão somente para auferir os juros mais altos do mundo. 

Voltando ao assunto dos indicadores econômicos, os principais articulistas econômicos e a grande imprensa, fazem coro com o governo Temer e arrisca em diagnóstico temerário sobre a situação econômica do Brasil. Tecnicamente, qualquer indicador econômico, incluindo o número de criação de emprego, só é possível considerar como "tendência" quando confirmar em dois trimestres consecutivos. Eu disse, dois trimestres e não dois meses! O resto é conversa fiada!

Da forma como foi explicado aqui, o crescimento de número de empregos ou crescimento do PIB, só vai configurar como "tendência" quando houver números positivos no segundo e no terceiro trimestre deste ano, porque o primeiro trimestre já se configurou negativo. O resto é soltar "rojões" antes do tempo. Os investidores institucionais diretos, aqueles que investem em plantas industriais, só vão retomar os investimentos a longo prazo quando configurar a situação de crescimento. Não adianta o presidente Temer querer "enganar" os investidores institucionais com pé no chão. No máximo, vai continuar enganando a grande imprensa "moucos" e alinhados com o "governo". 

Medidas para crescimento sustentável do País, há. Tenho indicado a saída para situação de crise no meu blog, com algum economês, no blog Brasil Liberal Já!.   Infelizmente, a grande imprensa e articulistas econômicos "concordam" com o "release" distribuído pelo Palácio do Planalto. A Rede Globo o reproduz fielmente e o restante da mídia vai atrás, infelizmente.

O que mais preocupa é o "alinhamento automático", também, dos empresários de peso e pelo mercado financeiro especulativo. Eles se parecem mais aos "meninos gazeteiros" das aulas fundamentais da economia. Enquanto isto...

Brasil continua estagnado!

Ossami Sakamori
@SakaSakamori3



terça-feira, 18 de abril de 2017

88. Petrobras vende almoço para poder jantar

Crédito da imagem: Valor

No dia de ontem, dia 17 de abril, a 2ª Vara Federal de Sergipe concedeu liminar para suspender a venda de 66% (2/3) de participação do bloco BM-S-8, da promissora campo de Carcará, na bacia de Santos, da Petrobras para a petroleira norueguesa Statoil. A referida venda já mereceu comentário anterior no blog deste mesmos autor. 

A operação foi finalizada em novembro de 2016, para liquidação de uma parte do endividamento do grupo Petrobras junto ao BNDES. O valor total da operação é de US$ 2,5 bilhões, sendo US$1,25 bilhão já recebido. No entanto, com a liminar fica suspenso temporariamente, até que seja decidido a medida judicial, o pagamento do saldo de US$ 1,25 bilhão.

O bloco objeto da medida liminar, se refere a um campo fértil do "pré-sal", da bacia de Santos. Em 28/1/2016, o blog deste fez comentário sobre a venda sob título Petrobras, o pior momento. A maior empresa brasileira, a estatal Petrobras passa por momento delicado com endividamento incompatível com a geração de caixa. A dívida líquida a Companhia equivale a cerca de uma vez e meia o "valor bruto" de faturamento, conforme está demonstrado no Balanço Patrimonial de 2016. 

À complicada situação da Petrobras aplica-se a já comumente frase usado no mercado financeiro: "vendendo almoço para poder jantar". 

Ossami Sakamori


domingo, 9 de abril de 2017

87. O povo vai tomar o Planalto!


É mentira de que o Brasil voltou a crescer. Tecnicamente, é considerado crescimento ou recessão quando  apresenta a mesma tendência por dois trimestres consecutivos. Isto tem um motivo justificado, o crescimento ou recessão pode ser camuflado com os efeitos sazonais da economia. É inacreditável que os melhores articulistas econômicos e a grande imprensa noticiam os poucos dados positivos da economia como o início da retomada do crescimento. Isto contradiz tudo que as faculdades de economia ensinam aos seus alunos. Ainda é muito cedo para dizer que o Brasil está retomando o crescimento. 

Mais do que os indicadores pontuais de setores favorecidos, como a indústria automobilística, há que considerar o crescente índice de desemprego e de desalentados. Os últimos números mostram que o número de desempregados cresceu para 13,5 milhões de trabalhadores. O setor de serviços sentem o reflexo desta situação econômica que já perdura há mais de dois anos consecutivos. As portas de comércio de ruas estão fechando, literalmente. Só não vê quem não quer.

Dentro do contexto, as pequenas e médias empresas é que sofrem com a situação. Justifico, as grandes empresas tem caixa para aguentar dois anos de mercado fraco. As pequenas empresas sequer tem caixa para enfrentar os compromissos do mês. As pequenas e médias empresas recorrem aos bancos para liquidar os compromissos vencíveis nos próximos 30 dias. As pequenas e médias empresas já não pagam os impostos e contribuições para poder pagar o salário dos seus empregados. Esta situação está criando o "efeito dominó". A situação de crise das pequenas empresas vai transferindo para outras de tamanho médio e assim sucessivamente.

A conjuntura política e a conjuntura econômica andam de mãos juntas. Impossível a situação econômica do País melhorar se estão para ser votados as reformas estruturantes como a previdência, trabalhista e tributária. Sem contar também com a reforma política, tão exigida pelos eleitores, diante de tantos desmandos. A agenda vai longe. As reformas requeridas vão atravessar o primeiro semestre e vão terminar somente no final do mês de setembro. 

A dificuldade da retomada do desenvolvimento é marcado também pelos julgamentos das ladroagens ocorridos, sobretudo, nos últimos 13 anos. O próprio Fórum Econômico Mundial associa o Brasil como campeão de corrupção do mundo. Lá fora, o Brasil virou piada da vez. Isto tudo, dificulta a reinserção do Brasil nos objetivos de investimentos diretos de países desenvolvidos. Para completar ainda, a Operação Carne Fraca revelou a "fragilidade" das inspeções dos órgãos sanitários aos produtos vendidos lá fora.

Isto tudo, a falta de credibilidade dos políticos e governantes já vem de muito tempo. Circula no mundo, a frase atribuída ao Charles de Gaulle de que "o Brasil não é país sério". Infelizmente, nós brasileiros, concordamos com a frase atribuída ao presidente Francês. O Fórum Econômico Mundial só veio confirmar a fala do presidente Francês, que tanto gostaríamos de ter argumentos para repugná-la. 

O governo é mentiroso. O presidente Temer é mentiroso. O ministro da Fazenda é mentiroso. Todos querem mostrar ao povo a situação que não é. O Brasil está no meio da pior crise econômica dos últimos 100 anos! Quem paga a conta é sempre o povo otário, no qual me insiro, com muita vergonha e indignação.  

O povo está com saco cheio! Uma hora, o povo vai tomar o Planalto, por puro instinto de sobrevivência. Depois não vem me dizer que não foram avisados. 

Ossami Sakamori


quinta-feira, 30 de março de 2017

86. Os cortes do Meirelles são recessivos.

Crédito da imagem: Estadão

O ministro da Fazenda Henrique Meirelles anunciou o corte de R$ 42,1 bilhões do Orçamento Fiscal de 2017, em relação ao previsto no LDO. O contingenciamento deverá pegar os programas como PAC, emendas parlamentares, despesas de órgãos do Executivo e de órgãos vinculados. Além das medidas anunciadas, o governo espera a receita com precatórios em julgamento no STJ. Com a receita de precatórios o contingenciamento cai para cerca de R$ 30 bilhões, segundo governo.

Do lado do aumento de tributos, além do fim das desonerações na folha do pagamento, haverá incidência de IOF nas operações bancárias de Cooperativas de Crédito. No total, o governo espera um corte correspondente ao "rombo" extra, previsto de R$ 58,5 bilhões. 

Vamos lembrar que a LDO de 2017 previa "déficit primário" ou o "rombo" de R$ 139 bilhões. Sem as medidas anunciadas, o "rombo" poderia chegar ao número estratosférico de R$ 198 bilhões, acima até do "rombo" de 2016. De qualquer forma, a Emenda Constitucional aprovada no final de 2016 daria guarida ao "rombo" mesmo não havendo "ajustes" anunciados. O aumento do "rombo" em relação ao LDO, poderia ter resolvido com PLN, mas o presidente Temer optou em atender os pleitos do ministro da Fazenda.

Os ajustes anunciados, de princípio, em R$ 58,5 bilhões, atende aos interesses dos investidores especulativos internacionais, em especial. No entanto, os ajustes propostos pelo ministro Henrique Meirelles não atende aos interesses do País. Explico. Ambas medidas, tanto do aumento de impostos como de cortes nos investimentos, do ponto de vista macroeconômico, são "recessivos". No meio da continuada "recessão", a medida vai na "contra mão" da saída para a crise econômica que já perdura há dois anos. 

Os "cortes" anunciados pelo ministro Henrique Meirelles são recessivos e visa atender aos interesses do mercado financeiro internacional em detrimento à retomada do crescimento do País. 

Ossami Sakamori


85. Brasil é um país viável !


O País está passando por teste de resistência. No front interno, reformas estruturantes em discussão no Congresso Nacional. Ainda no front interno, o ministro da Fazenda anuncia que haverá aumento de impostos para cobrir o "rombo" do Orçamento Fiscal de 2017. O número de desempregados aproxima de 13 milhões de pessoas. O número de pessoas inadimplentes aproxima de 60 milhões de pessoas. No front externo, o problema com exportadores de carnes, um item principal da pauta de exportações. Parece que o caos se instalou no Brasil. Dá-se a impressão de que o País é inviável, mas não é! 

Analisando item por item, os problemas do País foram criados pelos governantes de antes e de agora. Não adianta dizer que os problemas foram criados unicamente pelo Partido dos Trabalhadores. Culpar o governo que antecedeu o atual não resolve os problemas do Brasil, afinal o governo atual é continuidade do governo anterior. O principal condutor da política econômica do País foi presidente do Banco Central do governo petista por 8 longos anos. Estou a falar do nosso ministro da Fazenda, o banqueiro, Henrique Meirelles.

Alega-se a credibilidade do governo para justificar a pior "depressão" do País dos últimos 100 anos. A "credibilidade" do governo mede-se pelas pessoas que estão à frente do Poder Executivo. As sucessivas atrapalhadas, mesmo 10 meses após a troca de comando, faz o mundo "estarrecido" ao ver tanta "desgovernança". Traz, também, indignação da população, dos empresários e ao simples povão. 

A equipe econômica só pensa nela própria. O Brasil que se lasque! O povo que se lasque! Dá-lhe desemprego para a população, já sofrida com minguada redistribuição de renda. Enquanto, os empresários investigados pelas operações da Polícia Federal, dão muita gargalhada. Os mesmos empresários investigados em conluio com os políticos corruptos são os maiores beneficiários do Bolsa Empresário, um verdadeiro "Robin Hood" ao inverso. Tira-se os recursos dos "reles contribuintes" para beneficiar "meia dúzia" de empresários que tem acesso ao Palácio do Planalto, neste e nos governos anteriores. 

O Brasil tem terras agriculturáveis, as maiores do planeta. São quase 300 milhões de hectares, para produzir pecuária e grãos. O País tem potencial para ser o celeiro do mundo, com potencial para produzir 1 bilhão de toneladas de grãos nas próximas décadas, praticando agricultura sustentável. O País tem jazidas minerárias, as maiores do mundo. O País poderia vender aços ao invés de minérios brutos de ferro, para dar empregos aos brasileiros. Isto, sem contar com a maior jazida de nióbio do mundo. 

Enquanto o País estiver preocupado em sustentar os "agiotas internacionais" pagando os juros reais a mais alta do mundo, o País não vai entrar "nunca" num ciclo sustentável de desenvolvimento. Não adianta a reforma da previdência e nem tão pouco a política econômica baseado no "teto dos gastos públicos", se continuar privilegiando os agiotas internacionais. 

O Brasil não precisa de "salvador da pátria" como defendem muitos nas redes sociais. O Brasil precisa de um presidente da República que deixe a "vaidade" de lado e procure atentar ao crescimento sustentável do País. Sem o que o País navegará, sempre e inevitavelmente, nos mares revoltos. O Brasil não precisa de presidente excepcional, mas apenas uma pessoa que tenha noção da "macroeconomia" e ter coragem de enfrentar os agiotas internacionais dando prioridade ao desenvolvimento sustentável do País.

Brasil é um país viável !

Ossami Sakamori


quarta-feira, 22 de março de 2017

84. Petrobras está em "estado de falência"!


O efeito do descaso e da ladroagem na maior Companhia do País, ainda parece não ter passado. E, nem tão pouco, passará nos próximos anos, creio. A Petrobras está com grave enfermidade deixado pelos anos e anos de "descasos" na administração do patrimônio público. Não me refiro apenas aos anos da administração dos governos do PT e nem tão pouco me refiro aos estragos causados pela Operação Lava Jato. O fato é que a Petrobras está, em estado de "pré-coma", no Centro de Terapia Intensiva.

Pedro Parente, presidente da Petrobras, apresentou o Balanço Patrimonial da Companhia referente ao exercício de 2016. Como já era previsível, a Companhia apresentou prejuízo de R$ 14 bilhões, o terceiro consecutivo. Analisando o Balanço Patrimonial de 2016, conclui-se que a situação da Companhia em nada mudou, em relação ao Balanço anterior. Justifica-se. A Petrobras é uma Companhia como "mamute", um monstro que se move muito devagar.

Para um imobilizado de R$ 571 bilhões, teve faturamento bruto de R$ 282 bilhões e resultado operacional de R$ 17 bilhões. Descontado as despesas financeiras e impostos, o resultado líquido ficou no prejuízo já anunciado de R$ 14 bilhões. Tudo mostrado no Balanço patrimonial divulgado, ontem. 

O que mais chama atenção no balanço da Petrobras é o tamanho do "imobilizado". Ainda assim, a Companhia deduziu à título de impairment, o valor de R$ 20 bilhões ante R$ 47 bilhões do exercício anterior. Receio que há muito que "depreciar" no patrimônio, se realizar o teste de impairment, conforme as regras das Deliberações da CVM. Há muitos ativos imobilizados "carcaças" escondidos nos "escaninhos" da Contabilidade da Companhia, acumulados desde a sua fundação em 1954. 

Outro número que chama a atenção é o endividamento da Petrobras. Em 31 de dezembro de 2016, a Companhia devia R$ 353 bilhões em financiamentos. O montante total da dívida da Companhia é equivalente a uma vez e meia ao valor de faturamento bruto de 2016, que foi de R$ 282 bilhões. Vamos apenas lembrar que o resultado do Balanço de 2016, mostra que a Companhia não gerou sequer o lucro para pagar os juros da dívida. Petrobras está na mesma situação do País, não consegue sequer pagar os juros da dívida. Isto é gravíssimo!

A Petrobras vem fazendo desmobilização de ativos imobilizados para diminuir o endividamento, mas vê-se claramente que a política de desinvestimento tem dado pouco resultado. Vamos ser bem realista, por enquanto, a Companhia está vendendo os ativos "filé mignon". Quero ver se tem alguém com interesse de comprar "carcaças". Diante da situação do imobilizado, se a Petrobras vender tudo que tem hoje, certamente, faltará dinheiro para "conseguir" fechar a Companhia. A esta situação, em "jargão econômico", se chama "estado de falência". Vai faltar dinheiro para fechar a Companhia, se fosse o caso.

A Petrobras está em "estado de falência".

Ossami Sakamori




domingo, 19 de março de 2017

83. O desdobramento da Operação Carne Fraca


É imprevisível o desdobramento da Operação Carne Fraca da Polícia Federal na economia setorial de carnes e derivados. Segundo dados disponíveis, o Brasil exportou US$ 5,9 bilhões em carnes bovinas e derivados em 2015. Os dados de 2016, ainda não estão disponíveis ao público para melhor análise. Isto, sem contar com o volume de negócio que o setor movimenta no mercado interno. 

Foi no mês de agosto do ano passado que, após 17 anos de negociação, os governos dos Estados Unidos e Brasil formalizaram a abertura do mercado norte-americano para a carne bovina "in natura". Não faz muito tempo, o Brasil tinha entrado em acordo sobre as "barreiras sanitárias" da carne bovina "in natura" com a União Europeia. Não tinha sido fácil também firmar acordos para exportação de carne bovina e suína para os países importantes como a China e Japão.

Com a Operação Carne Fraca, que revelou diversos problemas "sanitários", sobretudo com as carnes "in natura", das principais empresas exportadoras brasileiras, não sabe qual será o desdobramento do problema "escancarado" com a Operação. Os países importadores citados não são "lenientes" com as "barreiras sanitárias" como que acontece no mercado interno da carne bovina "in natura" e seus derivados. No Brasil, o problema é levado em "brincadeira", mas nos países desenvolvidos a questão sanitária é levado muito a sério. 

Esta "brincadeira" dos empresários graúdos, frequentadores do Palácio do Planalto e dos "fiscais corruptos" do Ministério da Agricultura poderá levar o Brasil a uma "grave crise" do setor agro-pecuário e do setor exportador. A crise virá acompanhado de desemprego, com certeza. Os próximos meses serão cruciais para a cadeia produtiva do setor agro-pecuário. Na minha avaliação, esta será uma das mais graves crises que o setor já enfrentou nas últimas décadas. Quem viver, verá!

A "brincadeira" da carne bovina vai sair muito caro para o País. 

Ossami Sakamori