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sexta-feira, 20 de abril de 2018

120. Déficit nominal, o gargalo para desenvolvimento do Brasil

Crédito da imagem: Estadão

"Não é hora de complacência", insiste o diretor do Departamento de Assuntos Fiscais do FMI, Vitor Gaspar. Disse o diretor de que o perigo da turbulências no mercado financeiro internacional tem crescido com a política de juros baixos e crédito fácil, num ambiente propício a operações de risco e à valorização excessiva de ativos. Relembra o diretor do FMI, o estouro da bolha financeira em 2008.

Lembra, também, o diretor do FMI que a dívida pública bruta do governo brasileiro esteve em 82,4% do PIB em 2017 e 82,1% do PIB, com ligeiro recuo.  Ainda assim, no horizonte a curto e médio prazo, a dívida pública brasileira tem viés de crescimento com persistente "déficit primário e nominal" desde 2015. Nem é preciso que o diretor do FMI faça nos lembrar a situação fiscal crítica do governo brasileiro, sobretudo o governo da União.  Apesar da Emenda de teto dos gastos, o governo federal não consegue equilibrar as suas contas. E pior, não há perspectiva de que haja equilíbrio das contas públicas no curto prazo. Déficit nominal é pauta bomba para qualquer presidente da República. 

Este ano é o de eleição presidencial. Estamos a terminar o primeiro quadrimestre, mas a economia brasileira anda patinando. Infelizmente, o governo Temer, apesar da promessa da "ponte para esperança" com as reformas estruturantes, não conseguiu realizar quase nenhuma, com exceção da reforma trabalhista.  Considero como positivo no governo Temer, apenas a política monetária adequada, que levou à baixa da inflação no patamar comportado, ao redor de 3% ao ano. 

O déficit fiscal apontado como crucial para todos os países, sobretudo para o Brasil, um país emergente, que continua crescente em razão da taxa de juros básicas reais acima de 3% ao ano. O déficit nominal que é soma do déficit primário mais juros e encargos da dívida pública bruta, aponta qualquer número como acima de R$ 300 bilhões, correspondente a cerca de 4% do PIB. O número é extremamente preocupante!

É de se esperar que o principal tema da campanha eleitoral dos presidenciáveis deste ano, seja a política econômica que contemple de frente o principal problema da política econômica que é o "déficit nominal" crescente.  Nenhum candidato à presidência da República poderá ser levado a sério, se no programa do governo não levar em conta o tema tão explosivo.  De bravatas e conversas fiadas já estamos cheios!

O maior problema do Brasil é o déficit nominal. 

Ossami Sakamori



sexta-feira, 9 de março de 2018

119. Brasil anda na contramão do crescimento sustentável


Há uma percepção equivocada sobre a desvalorização do dólar no mercado doméstico. A grande imprensa passa a imagem de que o dólar barato traz benefícios para o País. O mercado financeiro comemora a cada baixa de dólar. A classe emergente fica eufórico com o dólar baixo porque possibilita fazer viagens ao exterior e fazer compras de coisas mais comuns como vestuário. Os sucessivos governos estimulam o dólar baixo para dar "sensação de bem estar e de poder de compra". Tanto o governo como o mercado financeiro são "imediatistas", preferem viver no mundo de "fantasia". É assim que o Brasil anda na contramão do crescimento que todos nós esperamos.

Ontem, cada dólar comercial valia R$ 3,26, isto em consequência da taxação de impostos de importação pelo governo Ronald Trump dos Estados Unidos sobre o aço e alumínio. Com o dólar baixo ou o real valorizado, a consequência para indústrias de aço e alumínio é devastadora, pois que mais de 1/3 da produção brasileira se destina ao mercado americano. Vamos lembrar que o setor emprega cerca de 50.000 trabalhadores diretos e outros tantos indiretos, no momento que o País tenta retomar o crescimento. 

O brasileiro tem memória curta.  No dia 1ª de fevereiro de 2016, portanto há pouco mais de dois anos, o dólar fechou a R$ 4,1655, o máximo da história do Plano Real. Claro que o Banco Central interveio no mercado, como faz sempre que tem volatilidade. Nem é preciso dizer que o Banco Central "intervém" no mercado de moedas (dólar) toda vez que se faz necessário. Vamos deixar claro, para definitivamente parar de brincar, que o Banco Central não pratica "câmbio flutuante" ao extremo rigor. Para melhor ilustrar, catei um gráfico elaborado pelo Estadão, em setembro de 2017, para mostrar a evolução do dólar desde janeiro de 2011, com diversas intervenções no meio do caminho. 



Os analistas de investimento e a maioria dos que atuam no mercado financeiro comemoram toda vez que o dólar baixa. Certamente os "emergentes" que pretendem fazer viagem para exterior também ficam eufóricos.  Para os consumidores de produtos importados é motivo de comentários de rodas sociais dos "emergentes". É claro que para os jornalistas da Rede Globo é motivo de júbilo, o dólar baixo. Para dizer exatamente o clima, os jornalistas da área econômica ficam "eufóricos" com o dólar baixo.

O dólar baixo ou o real valorizado, com cotação de dólar no ao redor de R$ 3,30, favorece aos empresários do além fronteira. Com o dólar baixo ou o real valorizado, os chineses são os primeiros a comemorar. Explica-se, os investimentos dos chineses no Brasil ficam mais baratos. Com o dólar barato fica mais fácil vender produtos chineses do que os produzidos no Brasil. O dólar barato ou o real valorizado cria emprego lá fora e criando desemprego aquém fronteira.

Se fizer a paridade do real em relação à moeda americana, a nossa moeda está valorizada em cerca de 30% ou até mais. A consequência é que o setor produtivo sai prejudicado com o dólar barato ou o real valorizado, porque perde a competitividade. Quando o PT assumiu o poder em 2003, quando a indústria brasileira respondia por 26% na formação do PIB. Os governos do PT/MDB desmontou o setor industrial. Hoje, o setor responde por menos de 12% do PIB, distanciando cada vez mais dos países desenvolvidos. Nem é preciso lembar que o setor industrial é que cria maior parte dos empregos formais.

Vou ser achincalhado, por esta matéria. Eu estou consciente disso. Estou indo na contramão da opinião da equipe econômica comandada pelo Meirelles. Estou indo na contramão dos melhores analistas econômicos do País. Estou indo contra opinião dos mais renomados jornalistas econômicos da Rede Globo. No entanto, fico muito à vontade, em defender política monetária bem diversa da que é defendida pelos "vendilhões" da República. 

Não sirvo para papel de "bobo da corte" como os acima citados. Afirmo, sem medo de errar que o Brasil anda na contramão do crescimento sustentável. 

Ossami Sakamori

sábado, 3 de fevereiro de 2018

118. Jerome Powell é o novo presidente do FED.


Janet Yellen despediu ontem do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, após 14 anos de atuação na instituição, sendo os últimos 4 anos como presidente. O resultado é que economia americana está com taxa de desemprego a mais baixa das últimas duas décadas. Há lições para tirar da política monetária dos Estados Unidos. 

O caminho escolhido pela Janete Yellen permitiu o agressivo estímulo à economia para sair da crise financeira mundial de 2008. A então presidente do Fed, adotou medidas de vigorosa liquidez na base monetária. Yellen mesmo após sair da crise financeira de 2008, da fase mais aguda, sempre demandou sua atenção ao índice de desemprego, defendendo redução lenta gradual medidas de liquidez. 

O novo presidente Jerome Powell, indicado que foi pelo presidente Donald Trump, fica na dependência de verificar se o Fed terá condições de imprimir o aperto monetário sem o risco de voltar à situação da crise de 2008. Na última reunião presidida pela antecessora Yellen, o Fed decidiu manter a taxa de juros entre 1,25% a 1,50%, abaixo do índice da inflação corrente que esta em torno de 2,5% ao ano. 

Toda atenção volta para a postura do novo presidente do Fed Jerome Powell em relação ao alargamento ou aperto da base monetária . O mercado financeiro apresentou sinais de apreensão, ontem. Vamos ver como fica. O mercado financeiro mundial também está acompanhando a tendência do Dow Jones. 

Ossami Sakamori



quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

117. Balança comercial de US$ 67 bilhões!

Crédito da imagem: Estadão

A grande imprensa noticia com estardalhaço o saldo da "balança comercial" do Brasil, que bateu US$ 67 bilhões no ano passado. O resultado é o melhor de uma série histórica desde 1989, segundo Banco Central. O indicativo importante é que as importações teve ligeiro aumento depois de três anos consecutivos de retração. O "estardalhaço" do anúncio do resultado comemorado "mascara" a realidade. 

No final do mês passado, 28 de dezembro, o Banco Central já apresentava a projeção de fechar o ano com o superávit de US$ 64 bilhões, ligeiramente abaixo do resultado efetivo. No mesmo comunicado, o Banco Central anunciava a previsão do saldo de "conta corrente" em US$ 9,2 bilhões para o ano de 2017 e US$ 18,4 bilhões para o próximo ano. Entende como conta corrente o resultado que soma ou diminui ao da "balança comercial" os diversos serviços como fretes, juros, seguros e royalties.

Com o resultado da "conta corrente" ao redor de US$ 9 bilhões, a reserva cambial que no final de dezembro de 2016 apresentava US$ 372 bilhões passou para o final de 2017 com US$ 381 bilhões. Convém lembar que o Banco Central optou em manter "reserva cambial alta", em sua maior parte aplicado em títulos do Tesouro americano à taxa de 0,75% ao ano, enquanto o Tesouro brasileiro paga os "juros reais" (Selic menos inflação) a mais alta do mundo, ao redor de 4% ao ano. É mais ou menos igual àquele sujeito que deve muito para o banco e este "exige" um "saldo médio" alto. 

Mesmo com o superávit na "balança comercial" a mais alta dos últimos anos, o resultado é praticamente anulado com o pagamento de serviços decorrentes como fretes, seguros, royalties e juros. Trabalhamos muito para, com o resultado retumbante, pagar os serviços que o Brasil é incapaz de prestar. Isto, apenas, mostra que o País está muitos "anos luz" atrás dos países desenvolvidos. 

A verdade dói, mas é preciso ser dito!

Ossami Sakamori
@SakaSakamori

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

116. Chega de bravatas!

Crédito da imagem: Folha

A imagem foi feita no mês de dezembro de 2017, em Quioto, Japão, num concurso popular de shodo (leia-se shodoo), a arte da caligrafia de ideogramas da língua japonesa. O ideograma da foto representa o "norte". O monge japonês quis transmitir à população japonesa a sua preocupação com os "norte" coreanos, tendo em vista as experiências de bombas atômicas que aquele país vem fazendo. Embora em contexto diferente, o espírito do ideograma "norte" coincide com o estado de espírito do povo brasileiro neste início do ano.

Depois de entrar em profunda "depressão", o povo brasileiro está aflito com o "norte" do País, com vistas à realização de eleições neste ano. O País encontra-se numa "encruzilhada" após sucessivos desgovernos, passando de PT ao PMDB. O Brasil está com piores indicadores possíveis. O número de desempregados está em 12,6 milhões, que somado ao número de desalentados ou subempregados chegam a 40 milhões, dentre contingente da força de trabalho de 100 milhões. Não bastasse isso, o número de inadimplentes no comércio está em 60 milhões. Os indicadores mostram que o Brasil está muito doente!

Só mesmo o presidente Temer e seu ministro da Fazenda Henrique Meirelles acham que o Brasil está no rumo certo. Ambos comemoram um pequeno sinal da retomada do crescimento econômico, 1% em 2017. Não sei dizer, baseado em que "premissas", o ministro da Fazenda Henrique Meirelles anuncia o crescimento do País em 3% para este ano. Ambos devem ter consultado "cartomante" para anunciar o retumbante retomada do crescimento econômico do País. Se a matriz econômica é a mesma, desde que ambos assumiram os seus postos em 12 de maio de 2016, pelo impeachment da Dilma, não vejo motivo para tanta euforia. 

O fato é que o presidente Temer está acusado pelo MPF de fazer parte da "quadrilha" que tomou conta do Palácio do Planalto. É notório também que alguns ministros do STF vem agindo como que fazendo parte da mesma "quadrilha", de arrombadores de cofres públicos. Por outro lado, os atuais parlamentares concorrerão aos cargos no Congresso Nacional, cerca de 1/3, fazem parte da mesma "quadrilha".

Um dos candidatos à presidência da República promete a retomada da política econômica dos anos 2003/2010, exatamente com a mesma política econômica que privilegiou alguns poucos amigos do Planalto, em sua maioria condenados pela Justiçam pela prática de "corrupção ativa". Um outro candidato, um capitão do Exército, promete "mandar prender" os corruptos, passando por cima do Judiciário e Congresso Nacional. Todos esses filmes já vimos acontecer e as consequências foram desastrosas. 

O povo brasileiro, no qual me incluo, somos acomodados. Gostamos de criticar sem apontar soluções. Gostamos de "terceirizar" os "serviços sujos". Assistimos o clamor pela "intervenção militar" ou "um militar" no poder, como que isto resolvesse as mazelas do País. Não vai faltar candidatos que irá prometer aquilo que está fora da realidade do País. Vai aparecer, certamente, os "donos" de soluções milagrosas para tirar o País da miséria. 

Enquanto isso, o País se submete à vontade dos agiotas internacionais, pagando juros reais (a diferença dos juros nominais e a inflação) a mais alta do planeta, deixando para trás apenas a Turquia e a Rússia, dentre as 40 maiores economias do mundo. É equivocado o raciocínio de que o presidente da República "cria" empregos. As medidas que "criam" empregos, inexoravelmente, estarão em privilegiar os investimentos nos setores produtivos em detrimento dos setores financeiros. Isto, com certeza, não se resolve com "bravatas", mas em cima de "exaustiva" e "penosa" negociação com credores internacionais. 

É chegado a hora do povo sair da zona do conforto e definir o seu próprio "norte", as sua própria prioridade. Do resultado da escolha do "norte" é que depende o "desenvolvimento sustentável" do País. Chega de terceirizar o destino da Nação para os "aventureiros" de diversas tendências ideológicas. Chega de "bravatas!". Estes filmes já vimos várias vezes na história contemporânea brasileira. 

Vamos desenhar o nosso "norte", vamos?

Ossami Sakamori
@SakaSakamori

domingo, 10 de dezembro de 2017

115. Inflação baixa é resultado do problema estrutural

Crédito de imagem: Globo

Não sei se comemoro ou choro com a notícia de inflação baixa, a menor para o mês de novembro desde 1998. Segundo IBGE, o índice é menos do que a metade do mesmo mês de 2016. Comemoro porque o índice de inflação está próximo das grandes economias do mundo, incluído a China. Ao mesmo tempo, só tenho a lamentar porque a queda da inflação é apenas consequência da profunda recessão que o País atravessa. A queda da inflação não é consequência da política econômica e monetária acertada, mas sim de uma profunda e prolongada depressão, a pior dos últimos 100 anos.

Diz o IBGE que no cálculo do IPCA, índice oficial de inflação, os itens bebidas e alimentos acumulam queda de 2,4%, a mais intensa desde a implantação do Plano Real em 1994. Ainda segundo IBGE, alguns alimentos básicos como feijão, arroz, farinha e açúcar custam até 40% menos. Infelizmente a queda da inflação não decorre da política econômica do governo Temer, mas decorrente da falta de demanda. O brasileiro está comendo menos!

A queda da inflação decorre da queda de consumo decorrente do contingente de desempregados e subempregados nunca dantes visto na história do País. São 40 milhões da força de trabalho que só consomem apenas o necessário e suficiente para a própria sobrevivência. Somados a isto, os 60 milhões de pessoas inadimplentes completa o quadro desolador da economia real.

O triste de tudo é que a inflação baixa é ocasionada pelo baixo consumo da população, não pela política econômica e monetária acertadas mas pelas razões estruturais. Estruturalmente, o Brasil emite títulos da dívida pública para poder pagar as despesas do governo. Em outras palavras, o governo não consegue gerar receitas suficientes para pagar as suas próprias contas. O governo, em consequência, não consegue nem honrar o pagamento de juros da dívida pública que ascende a R$ 4,8 trilhões. O governo Temer só faz rolagem da dívida pública. Até onde vai isto, não sabemos. Um dia, isto vai explodir no colo do povo!

Resumindo, a tão comemorada baixa da inflação é resultado do política econômica que não consegue resolver a situação de 40 milhões de desempregados e desalentados, muito menos da situação de 60 milhões de pessoas inadimplentes no comércio. Governo Temer mente! Ministro da Fazenda Henrique Meirelles mente! O povo otário, como sempre, acredita!

Inflação de 2,5%: Choro ou comemoro?

Ossami Sakamori


quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

114. 2018 será mais um ano perdido!

Crédito da imagem: Comex

Ao contrário da previsão do ministro da Fazenda Henrique Meirelles de que o crescimento do Pais será acima de 2,5% para o próximo ano, não vejo nenhum motivo para tanta euforia. O recuo da taxa de juros Selic ao menor patamar dos últimos anos, 7% ao ano, não representa grande mudança no rumo da economia do País como todo. Receio que o ano de 2018, ao contrário da previsão do governo Temer, poderá ser mais um ano perdido! 

O primeiro sinal que motiva o meu pessimismo é o resultado do PIB do terceiro trimestre deste ano, divulgado pelo IBGE, que foi de 0,1%. O PIB do corrente ano deve terminar dentro da previsão do mercado de 0,7%, com alguns décimos para cima ou para baixo. O tão esperado resultado otimista da venda do Natal deve terminar em termos nominais ao redor de 5% ou seja 2% de crescimento em termos reais. O resultado pode causar enorme frustração, diante do tamanho otimismo "vendido" pela grande imprensa.  

Outro fator que poderá determinar o pífio crescimento no próximo ano será o recuo na produção da safra agrícola em relação ao deste ano. O setor agrícola prevê recuo de produção de soja em 6% e 2% para o milho para safra do ano que vem. Vamos lembrar que o crescimento do PIB deste ano deveu-se, sobretudo, ao crescimento substancial do PIB do setor agropecuário. O ano de 2018, não contará com a alavanca de crescimento deste ano.  

O calcanhar de aquiles para a demora da retomada de crescimento está no contingente de desempregados e subempregados que atingem cerca de 40 milhões de trabalhadores. Por mais que o governo anuncie o aumento de "empregos informais",  o que está havendo é migração de da classe de desempregados para classe de sub-empregados, conhecido como "biscateiros". A reversão deste quadro só será possível com o crescimento do setor produtivo criando novas vagas em suas fábricas, o que não estamos a ver nos últimos indicadores econômicos. 

O fato é que os investidores diretos estão postergando os investimentos em suas fábricas devido à não realização de reformas estruturantes prometido pelo governo Temer. Somado à falta de reformas, sobretudo a reforma profunda da previdência e a reforma tributária, o ano de 2018 será marcado pela realizações de eleições presidenciais. Os investidores diretos, não decidirão sobre os novos investimentos sem ter a certeza de ver a política econômica delineada pelo novo presidente da República. Por enquanto, os prováveis candidatos não estão apresentando "matriz econômica" sustentável ao longo dos próximos anos, o que preocupa os investidores institucionais.

O ano de 2018 será marcado pelo "marasmo". Não haverá crescimento substantivo no PIB como esperam o presidente Temer e seu ministro da Fazenda.

Ossami Sakamori


terça-feira, 5 de dezembro de 2017

113. Embrapa. Derrubando o mito da devastação

Alcance territorial da Legislação ambiental, indigenista e agrária

por Evaristo Eduardo de Miranda
Coordenador do GITE - EMBRAPA

Em 25 anos, o Governo federalizou quase 35% do território nacional destinando-o a unidades de conservação, terras indígenas, comunidades quilombolas e assentamentos de reforma agrária. Sem planejamento estratégico adequado, esse conjunto de territórios resultou essencialmente da lógica e da pressão de diversos grupos sociais e políticos, nacionais e internacionais. Agora, o país está diante de um desafio de gestão territorial, gerador de conflitos cada vez mais agudos, conforme mostram os dados reunidos pelo Grupo de Inteligência Territorial Estratégica – GITE da EMBRAPA (FIG. 1).

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Segundo o Ministério do Meio Ambiente, até outubro de 2013, 1098 unidades de conservação ocupavam 17% do Brasil. Aqui, na maioria dos casos, as unidades de conservação excluem a presença humana, enquanto na Europa, Ásia e Estados Unidos pode haver agricultura, aldeias e diversas atividades nos parques nacionais, sem evocar a ampla visitação turística (FIG. 2).

mapa_UC_3

Nas unidades de conservação, a legislação ambiental brasileira ainda define no seu entorno externo uma zona de amortecimento onde as atividades agrícolas (e outras) são limitadas por determinações da gestão da unidade de conservação (proibição de transgênicos, de pulverizar com aviação agrícola etc.). A largura dessa zona é variável. Estimativas por geoprocessamento avaliam o seu alcance territorial entre 10 a 80 milhões de hectares adicionais (1 a 9% do Brasil), dependendo da largura dessa faixa que pode variar entre as unidades de conservação e mesmo ao longo do perímetro de uma única unidade (FIG. 3).

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Segundo a FUNAI, 584 terras indígenas ocupam aproximadamente 14% do território nacional. Reunidas, essas duas categorias de áreas protegidas, eliminando-se as sobreposições, ocupam 247 milhões de hectares ou 29% do país (FIG. 4).

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Com quase 30% de áreas protegidas (unidades de conservação e terras indígenas), o Brasil é o campeão mundial da preservação (FIG. 5). Segundo a International Union for Conservation of Nature (IUCN), os 11 países com mais de dois milhões de quilômetros quadrados existentes no mundo (China, EUA, Rússia etc.) dedicam 9% em média de seus territórios às áreas protegidas (FIG. 6).

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A atribuição de terras pelo Governo Federal não acaba por aí. Sob a responsabilidade do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) existem 9.128 assentamentos, de diversas naturezas e estágios de implantação (FIG. 7). Eles ocupam 88,1 milhões de hectares, ou seja, 10,2% do Brasil ou 14,4% do que resta quando descontado o território já atribuído às áreas protegidas. Essa área equivale a quase o dobro da cultivada atualmente em grãos no Brasil, responsável por cerca de 190 milhões de toneladas na última safra.

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Pelos dados do INCRA e da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, as 268 áreas quilombolas decretadas ocupam cerca de 2,6 milhões de hectares (FIG. 7). No conjunto mais de 290 milhões de hectares, 34% do território nacional, estão atribuídos.
O mapa do Brasil com mais de 11.000 áreas atribuídas, essencialmente pelo Governo Federal, impressiona e permite visualizar a complexidade da situação atual (FIG. 8). Esse mapa ilustra o tamanho do desafio de governança territorial e fundiária. Cada uma dessas unidades pede um tipo de gestão, avaliação e monitoramento específicos e transparentes.

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O Governo Federal continuará atribuindo-se mais e mais extensões de terra que, na maioria dos casos, sairão do controle dos estados e municípios. Há Estados em que boa parte de seu território já foi “federalizada” por decretos federais de atribuição de áreas que estarão por muito tempo sob o controle de órgãos e instituições federais.
Além das áreas já atribuídas, existem milhares de solicitações adicionais para criar ou ampliar mais unidades de conservação, terras indígenas, assentamentos agrários e quilombolas. Cada vez mais, as novas áreas reivindicadas já estão ocupadas pela agricultura e até por núcleos urbanos. Esse quadro complexo de ocupação e uso territorial representa um enorme desafio de governança fundiária e envolve conflitos graves, processos judiciais, impactos sociais e implicações econômicas significativas.
Além das demandas adicionais desses grupos, minorias e movimentos sociais, todos com sua lógica e legitimidade, há ainda a necessidade de compatibilizar essa realidade territorial com crescimento das cidades, com a destinação de locais para geração de energia, para implantação, passagem e ampliação da logística, dos meios de transportes, dos sistemas de abastecimento, armazenagem e mineração.
O país campeão da preservação territorial exige que os agricultores assumam o ônus de preservar porções significativas no interior de seus imóveis rurais, como reserva legal ou áreas de preservação permanente, num crescendo que pode começar com 20% e chegar a 80% da área da propriedade na Amazônia. A repercussão do crescimento do preço da terra no custo dos alimentos é apenas um dos reflexos dessa situação.

Como disse Maurício Lopes, presidente da Embrapa, em artigo no Correio Brasiliense (8/6/2014), os pesquisadores brasileiros estão cientes de que somente sistemas de gestão territorial estratégicos poderão garantir a compreensão do potencial e dos limites da base de recursos naturais e dos processos de uso e ocupação das terras. E ajudar a superar esse grande e inédito desafio de inteligência territorial. Mas, só pesquisador não basta.


Ossami Sakamori

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

112. Banco Mundial diz que Brasil tem 3 problemas!


Ontem, dia 21, o Banco Mundial entregou aos ministros Henrique Meirelles e Dyogo de Oliveira um relatório sobre os gastos públicos do Brasil, encomendado pelo então ministro da Fazenda Joaquim Levy. Como era de se esperar a conclusão não é nada boa. Diz o relatório que o Brasil gasta mais do que pode. Exatamente, é o que venho dizendo em sucessivas matérias desde 2012. Brasil está à beira de "default". 

O relatório do Banco Mundial diz que o Brasil, englobando os três níveis de governo, federal, estaduais e municipal, aumentou em muito os gastos públicos. Entenda como gastos públicos, as despesas em saúde, educação, segurança pública, manutenção da máquina pública e "juros da dívida pública". O relatório, em outras palavras, diz que o Brasil está com problema fiscal. 

Segundo o Banco Mundial, a dívida pública do País alcançou 73% neste ano, sendo que há 5 anos estava em 51,5% do PIB. Isto é o resultado de crescente "déficits fiscais". Se antes, o Brasil estava com o "déficit nominal", desde 2015, hoje, o País está com o "déficit primário", também. Os números são astronômicos. Dívida pública bruta em torno de R$ 4,5 bilhões e "déficit nominal" que ascende a R$ 250 bilhões. O "déficit nominal" é o verdadeiro "déficit fiscal" do governo, ao contrário do que o governo Temer tenta fazer crer que o problema é tão somente o "déficit primário".

Sem meias palavras, os sucessivos governos, de Lula ao Temer, entregaram a gestão financeira aos agiotas nacionais e internacionais. O Brasil teve como presidente do Banco Central, o agiota Henrique Meirelles. O País já teve como ministros da Fazenda um executivo do Banco Bradesco, o Joaquim Levy. O governo Temer entregou a gestão financeira do governo ao agiota Meirelles como ministro da Fazenda e ex-executivo do Banco Itaú Ilan Goldfajn para dirigir o Banco Central. Isto é a mesma coisa que entregar a gestão financeira para os agiotas nacionais e internacionais. 

Meirelles quis e presidente Temer fez aprovar no Congresso Nacional, a Emenda Constitucional do "teto dos gastos". A Emenda Constitucional revogou a Lei da Responsabilidade Fiscal aprovada no ano 2000. Vamos raciocinar.  A Emenda do "teto dos gastos" permite ao governo gastar o que não tem, desde que ao limite dos gastos de 2016, corrigido pela inflação. Como em 2016, a arrecadação já não cobria os gastos públicos, oficializou-se a convivência com o "déficit primário". Obviamente, o "déficit nominal" o governo vai buscar junto aos "agiotas nacionais e internacionais". 

Desde último ano do governo Dilma, em 2015, o governo não consegue pagar as despesas corrente do governo. Em 2016, o "déficit primário" do governo federal foi de R$ 179 bilhões. O governo Temer admite fechar o ano de 2017 com o "déficit primário" revisado de R$ 159 bilhões, com contingenciamento de algumas despesas previstas no Orçamento Fiscal de 2017. A LDO de 2018 prevê, igualmente, "déficit primário" de R$ 159 bilhões. Henrique Meirelles evita comentar sobre o "déficit nominal", porque ele é extremamente preocupante. 

Antes que o Meirelles tente explicar a situação financeira do governo, com o argumento da existência de "Reserva cambial" robusta, cerca de US$ 380 bilhões. A "Reserva cambial" funciona como garantia para os agiotas internacionais para continuarem financiando a dívida pública do governo brasileiro. Na "Reserva cambial", o Brasil recebe 1,25% de juros ao ano enquanto pagamos uma média de 4,5% ao ano de juros reais pelas suas dívidas públicas Selic. 

Foi assim que aconteceu com a Grécia. A Grécia vivia de "déficits fiscais" para financiar os gastos do governo. Coincidência ou não, a Grécia sediou a Olimpíada sem ter o recursos próprios para tal. Brasil está com "três problemas", disse o emissário do Banco Mundial: "fiscal, fiscal, fiscal". Traduzindo, quer dizer: "excesso de gastos correntes", "déficit primário" e "déficit nominal".  

Dá para continuar, assim?

Ossami Sakamori






quinta-feira, 2 de novembro de 2017

111. Sistema elétrico impede o crescimento do Brasil

 

Tocou o alarme no Palácio do Planalto, desta feita não sobre assunto político e nem tampouco assunto que envolve o presidente Michel Temer de uma eventual denúncia sobre uma outra ladroagem que envolvem ele próprio e os ministros do governo Temer. O sinal de alerta é no sistema elétrico brasileiro que impede o crescimento sustentável do Brasil.

A atenção do Michel Temer deixou de ser a denúncia sobre a formação de quadrilha, mas a nova preocupação se refere à uma eventual "apagão elétrico" num horizonte próximo, pois que, o "apagão político" já está em vigor. Há uma convicção cada vez mais forte de que o presidente Temer "fica" no poder até cumprir o mandado que sucedeu da Dilma Rousseff. Michel Temer não foi eleito, mas se encontra no poder.

O fato é que o nível dos reservatórios das usinas hidroelétricas está pior do que em 2001, quando houve o racionamento da energia. Brasil não se preparou para consumo de energia em expansão como em qualquer parte do mundo. O ministro de Minas e Energia Fernando Coelho é encarregado de acompanhar as decisões do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico. Ele se reúne diariamente com as autoridades do setor e reporta-se ao ministro da Casa Civil Eliseu Padilha, segundo imprensa.  

Nós  já chamamos atenção sobre o tema nas sucessivas matérias sobre o tema, a última em 13.2.2016 sob o título: Brasil viverá crise de energia elétrica , que de forma resumida segue abaixo:

Apesar do projeto de reestruturação do setor elétrico na década de 1990, o novo modelo do sistema elétrico não garantiu a suficiente expansão da oferta de energia elétrica, e que levou o País a um grande racionamento de energia em 2001. Foi então que à partir de 2004 foram feitos ajustes no modelo com o intuito de reduzir os riscos de falta de energia e melhorar o monitoramento e controle do sistema elétrico no País.

No entanto, a Lei 12.783/2013, as empresas geradoras e transmissoras puderam renovar antecipadamente seus contratos de concessão desde que seus preços fossem regulados pela Aneel. O governo Dilma promoveu a mais desastrada medida de "redução tarifária", em 2013, com fim único de angariar a "popularidade" da presidente Dilma, visando a reeleições de 2014. O resultado todos sabem, deu no que deu. Os preços artificialmente deprimidos, voltaram à realidade tarifária à partir de 2014, provocando aumentos que chegaram a 50%, numa "tacada" só. 

O sistema elétrico nacional tem 136.000 MW de potência instalada, distribuídos da seguinte forma:

a) Micro Usinas Hidroelétricas............      326 MW
b) Central Geradora Eolielétrica.........   5.832 MW 
c) Pequenas Centrais Hidroelétricas...   4.783 MW
d) Usinas Solares.................................         15 MW
e) Usinas Hidroelétricas......................  84.703 MW
f) Usinas Térmicas..........................,,..   38.372 MW
g) Usina Nuclear..................................     1.990 MW

O pico de consumo de energia no Brasil ocorreu em janeiro de 2014, com consumo de 84.000 MW. Há aparente o "não uso" da potência disponível, mas aparentemente. As usinas hidroelétricas dependem do regime de chuvas, o que as tornam reféns de condições climáticas como o do efeito "El niño" ou "El ninã". O efeito de aumento de temperatura do planeta parece interferir fortemente no regime de chuvas, também. 

O sistema elétrico nacional depende muito da geração hidroelétrica, conforme demonstrado na tabela acima. E a geração hidroelétrica depende dos níveis de reservatórios ou do regime de chuvas. O País, só não teve racionamento de energia no ano de 2015 e 2016, por conta da retração da demanda. A hidroeletricidade é uma energia limpa, mas tem o inconveniente de não poder contar com capacidade plena ao longo do ano e ao longo do tempo. O País só não está vivendo o racionamento porque houve depressão de 7% do PIB nos últimos dois anos. 

No próximo ano, deverá entrar em operação a Usina Hidroelétrica de Belo Monte, com capacidade instalada de 11.000 MW e oferta média de energia de cerca de 4.500 MW. No entanto, os níveis de reservatórios em situações críticas, não suprem a demanda atual, fazendo com que o sistema elétrico acionem as usinas térmicas. 

Qualquer plano de desenvolvimento do País esbarra na oferta de energia elétrica. Por falta de planejamento dos sucessivos governos, o Brasil viverá "crise de crescimento" em função da falta de oferta de energia elétrica. O que adianta presidente Temer e seu ministro da Fazenda Henrique Meirelles prometerem o crescimento sustentável do País sem que haja investimento pesado no setor elétrico o suficiente para atender a demanda necessária.

Creio irresponsável qualquer candidatos ao cargo de presidente da República, previsto para o próximo ano, não levar em conta o crescimento da demanda de energia e prometer, sem devido cuidado, o crescimento sustentável do Brasil. Vai crescer como, sem energia elétrica?

Nota: O levantamento dos dados teve a contribuição preciosa do engenheiro Sérgio Resende @Slaresende

Ossami Sakamori
@SakaSakamori



terça-feira, 31 de outubro de 2017

110. Brasil caminha para o "default".

Crédito da imagem: Estadão

Dando continuidade à matéria de ontem sobre o quadro econômico do Brasil, estou a copilar os dados divulgados pelo jornal Valor Econômico e apresento os números preocupantes da economia brasileira. Hoje, falo do endividamento público do Brasil. Os números são aterrorizantes. Caminhamos celeremente à situação de Grécia antes do default.

Banco Central do Brasil divulgou ontem, até que enfim, os números da dívida pública interna do setor público, incluindo União, estados e municípios. Maior parte do endividamento do setor público, mais de 95%, é da União. 

O endividamento bruto público está em R$ 4,78 trilhões, o que equivale a 73,9% do PIB, maior marca histórica dos últimos 500 anos! Quanto ao endividamento líquido, o setor público registrou R$ 2,39 trilhões, equivalente a 50,9% do PIB, maior percentual desde 2004. 

A diferença entre o endividamento bruto e o endividamento líquido é devido, basicamente, à aplicação do dinheiro da Reserva Cambial, hoje em torno de US$ 380 bilhões ou equivalente a R$ 1,25 trilhão e recursos emprestados ao BNDES dentro do PSI no montante atualizado de R$ 416 bilhões do lado de contas a receber. O restante dos recursos à receber estão pulverizados em diversas rubricas. De qualquer maneira, os recursos à receber rendem juros menores do que aquele que o Tesouro paga ao mercado. Só para entender, os juros decorrentes da Reserva Cambial rendem média 1,25% ao ano e juros do PSI do BNDES é em média 3,5% ao ano.

Pelo andar da carruagem, mantido a atual política econômica e monetária, dentro de 8 anos, o endividamento do setor público brasileiro vai ultrapassar o "número de alerta" de 100% do PIB. Isto é como "bomba relógio", a cada minuto aproximamos-nos da "explosão".

Um presidente da República, no caso o Michel Temer, comemorar os indicadores econômicos é como uma "bofetada" na cara dos contribuintes. A continuidade da política econômica do Henrique Meirelles é aproximar-se cada vez mais do "precipício" ou em jargão técnico aproximar-se cada vez mais do "default".

Há que mudar a matriz econômica compatível ao potencial produtivo do País. Manter a atual matriz econômica é como caminhar para o "suicídio" coletivo. Ainda, assim, o Henrique Meirelles e Michel Temer se apresentam como o "salvadores da pátria".

Ossami Sakamori



segunda-feira, 30 de outubro de 2017

109. Situação do Brasil requer atenção!

Crédito da imagem: Exame

Henrique Meirelles e sua equipe só falam em "déficit primário" ou o "rombo fiscal" para retratar a necessidade de equilíbrio das contas públicas. Os agentes econômicos, incluídos os analistas econômicas do mercado financeiro, fazem "coro" com o ministro da Fazenda e insiste em falar sobre o controle do "rombo fiscal". Henrique Meirelles e o mercado financeiro evitam em falar sobre o "déficit nominal" ou o "rombo real" dos gastos do governo. Isto é coisa combinada, para "camuflar" a situação real das contas públicas do País.

Vamos explicar a diferença entre o "déficit primário" e o "déficit nominal". O "déficit primário" ou o "rombo fiscal" é o dinheiro que falta para pagar todas contas do governo "exceto" juros da dívida pública.  O "déficit nominal" é o dinheiro que falta, após arrecadação de impostos e contribuições, para pagar as contas do governo "incluído" juros da dívida pública.

Antes da edição da Emenda Constitucional do "teto dos gastos" no final de 2016, a Lei de Responsabilidade Fiscal exigia que o "déficit primário" fosse "zero", isto é, que as contas do governo fossem pagas com os impostos e contribuições.  A Emenda Constitucional do "pseudo" teto dos gastos, institucionalizou o "déficit primário" ou o "rombo fiscal" ao estabelecer o "piso dos gastos públicos" calibrado nos gastos de 2016 corrigido pela inflação. Enterrou de vez a Lei da Responsabilidade Fiscal de 2000. 

Henrique Meirelles, ministro da Fazenda, persegue o objetivo, tentando limitar os gastos públicos adaptado à nova situação constitucional, não importando o tamanho do "déficit primário" ou o "rombo fiscal". O ano de 2016, as contas do governo federal terminou com o "déficit primário" de R$ 179 bilhões. Tenta o governo Temer fecha o ano de 2017 e 2018 com o "déficit primário" de R$ 159 bilhões. Não se sabe em quanto anda o "déficit nominal". Nos números de hoje, deve andar entre R$ 350 a 450 bilhões. O número é guardado a sete chaves!

Pronto!  Já desviei o foco do assunto sobre os "déficits". Diante da situação precária das contas públicas esquece o Henrique Meirelles e seus aplaudidores da atual matriz econômica e monetária. O "claque" do Henrique Meirelles "faz de conta" ou esquecem por conveniência a discussão sobre a necessidade de "zerar" o "déficit nominal". Enquanto não "zerar" o "déficit nominal", o Brasil continuará aumentando a sua dívida pública. Isto é inexorável. Isto é como 2 + 2 = 4. 

O "déficit nominal" não é divulgado pelo Banco Central para "público leigo" ter acesso fácil. Como disse certa vez o embaixador Rubens Ricupero, no episódio do famoso caso da parabólica: "O que é bom mostra, o que é ruim esconde!". É exatamente isto que acontece com o governo Temer, esconde a todo custo o número do "déficit nominal". E assim, o Brasil caminha celeremente para a situação da Grécia do "default". 

Mesmo assim, o mercado financeiro aplaude a matriz econômica do ministro Henrique Meirelles, porque atende os interesse dos agiotas internacionais. O mercado financeiro só vai enxergar o equívoco da matriz econômica do Henrique Meirelles somente após a previsível "quebra" do País. Fazer o que? Ninguém se preocupa com o destino do Brasil. 

A situação econômica do Brasil requer muita atenção!

Ossami Sakamori




sexta-feira, 13 de outubro de 2017

108. Assim, não dá para ser feliz!

Crédito da imagem: estadão

O ministro da Fazenda Henrique Meirelles diz que o Brasil deve crescer 3% no ano de 2018. No entanto, faz ressalva de que poderá haver "bolhas financeiras globais" que podem dificultar a concretização mais acelerado do PIB no médio prazo, segundo Estadão de hoje. Meirelles esconde o verdadeiro problema do País. 

Ainda segundo Estadão, afirma o ministro da Fazenda Henrique Meirelles como que dando aula aos ministros de Fazenda dos países desenvolvidos: " Uma recomendação que acredito importante que tenha sido feita agora aos formuladores de políticas dos países desenvolvidos que estão de fato atentos a isso é qual seria o risco da economia global". Para mim, soa como aquele aviso de uma possível "marolinha", profetizado pela vez anterior na condição de presidente do Banco Central do governo Lula. É uma desculpa antecipada de uma afirmação que ele próprio não tem certeza de que possa acontecer. 

Vamos direto ao assunto. Henrique Meirelles juntamente com o presidente do Banco Central Ilan Goldfajn, pratica política econômica "ortodoxa", receita do FMI, de controle da inflação via taxa de juros reais Selic. Nem é preciso lembar que o Brasil paga a maior taxa de juros reais dentre 40 maiores economias do mundo, deixando atrás apenas Rússia e Turquia. De certo, para Meirelles, os 37 maiores economias estão em contramão de uma equilibrada política econômica. 

A equipe econômica comemora a redução da taxa de inflação aos níveis de 3% ao ano à custa de 40 milhões de desempregados e desalentados. Somado ao espantoso número de desempregados e "biscateiros", o número de inadimplente no sistema de crédito, 60 milhões de adultos num universo de 140 milhões de adultos, são os maiores óbices para o acelerado crescimento do Brasil. Comemorar o que num cenário como este! Ao contrário da "desculpa antecipada" do Henrique Meirelles, o equívoco da política econômica está debaixo do nosso próprio nariz. 

O ministro da Fazenda tenta diminuir o "déficit primário" ou o "rombo fiscal" nos níveis de R$ 159 bilhões, mas não está conseguindo. A previsão do "rombo fiscal" para o próximo ano é de, novamente, R$ 159 bilhões. Para leigos entenderem, o "déficit primário" ou o "rombo fiscal" é o dinheiro que falta para cobrir os gastos correntes do governo federal. O principal equívoco governo Temer, certamente, à frente o Henrique Meirelles, está na política econômica "ortodoxa" que privilegia os especuladores financeiros internacionais, dito por mim como "agiotas internacionais". 

O maior equívoco não está propriamente no "déficit primário" ou o "rombo fiscal", porque maior parte dos 40 maiores economias do mundo pratica-os. Ao contrário do que afirma o ministro da Fazenda Henrique Meirelles, desde 2000, vigorava a Lei de Responsabilidade Fiscal que obrigava o "rombo fiscal" zero. O ciclo de "responsabilidade fiscal" encerrou já no final do governo Dilma, em 2013. Governo Temer, pelo contrário, com a Emenda Constitucional de "teto dos gastos", oficializou o "rombo fiscal", desde então.

O governo Temer não consegue "decolar" por falta de investimentos, até por conta do falso "teto dos gastos", mas sobretudo porque gasta em pagamento de juros reais que incide sobre a dívida pública federal, média de 5% ao ano. O montante do pagamento dos juros reais sobre a dívida pública federal, denominado de "déficit nominal" ou "pagamento dos juros" ascende aos dados "não divulgados", entre R$ 200 bilhões a R$ 250 bilhões anuais. O montante de juros reais pago pelo governo Temer, hoje, equivale grosso modo à soma dos orçamentos fiscais destinado à educação e saúde. 

Os intelectuais da USP aplaudem o Meirelles, os economistas considerados "notáveis" aplaudem e os analistas econômicos dos principais meios de comunicação aplaudem a "equivocada" política econômica. Só falta alternativa ao setor produtivo do País aplaudir a sabida "política econômica equivocada" para não ficar "destoante" em relação à média da opinião dos "entendidos" em macroeconomia. E assim, o Brasil fica de quatro perante o Meirelles e à nefasta política econômica "ortodoxa" do FMI.

Assim sendo, sem nenhum receio, afirmo que o Brasil não investe, mas paga R$ 250 bilhões anuais para os "agiotas internacionais". 

Assim, não dá para ser feliz!

Ossami Sakamori