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quinta-feira, 30 de março de 2017

86. Os cortes do Meirelles são recessivos.

Crédito da imagem: Estadão

O ministro da Fazenda Henrique Meirelles anunciou o corte de R$ 42,1 bilhões do Orçamento Fiscal de 2017, em relação ao previsto no LDO. O contingenciamento deverá pegar os programas como PAC, emendas parlamentares, despesas de órgãos do Executivo e de órgãos vinculados. Além das medidas anunciadas, o governo espera a receita com precatórios em julgamento no STJ. Com a receita de precatórios o contingenciamento cai para cerca de R$ 30 bilhões, segundo governo.

Do lado do aumento de tributos, além do fim das desonerações na folha do pagamento, haverá incidência de IOF nas operações bancárias de Cooperativas de Crédito. No total, o governo espera um corte correspondente ao "rombo" extra, previsto de R$ 58,5 bilhões. 

Vamos lembrar que a LDO de 2017 previa "déficit primário" ou o "rombo" de R$ 139 bilhões. Sem as medidas anunciadas, o "rombo" poderia chegar ao número estratosférico de R$ 198 bilhões, acima até do "rombo" de 2016. De qualquer forma, a Emenda Constitucional aprovada no final de 2016 daria guarida ao "rombo" mesmo não havendo "ajustes" anunciados. O aumento do "rombo" em relação ao LDO, poderia ter resolvido com PLN, mas o presidente Temer optou em atender os pleitos do ministro da Fazenda.

Os ajustes anunciados, de princípio, em R$ 58,5 bilhões, atende aos interesses dos investidores especulativos internacionais, em especial. No entanto, os ajustes propostos pelo ministro Henrique Meirelles não atende aos interesses do País. Explico. Ambas medidas, tanto do aumento de impostos como de cortes nos investimentos, do ponto de vista macroeconômico, são "recessivos". No meio da continuada "recessão", a medida vai na "contra mão" da saída para a crise econômica que já perdura há dois anos. 

Os "cortes" anunciados pelo ministro Henrique Meirelles são recessivos e visa atender aos interesses do mercado financeiro internacional em detrimento à retomada do crescimento do País. 

Ossami Sakamori


85. Brasil é um país viável !


O País está passando por teste de resistência. No front interno, reformas estruturantes em discussão no Congresso Nacional. Ainda no front interno, o ministro da Fazenda anuncia que haverá aumento de impostos para cobrir o "rombo" do Orçamento Fiscal de 2017. O número de desempregados aproxima de 13 milhões de pessoas. O número de pessoas inadimplentes aproxima de 60 milhões de pessoas. No front externo, o problema com exportadores de carnes, um item principal da pauta de exportações. Parece que o caos se instalou no Brasil. Dá-se a impressão de que o País é inviável, mas não é! 

Analisando item por item, os problemas do País foram criados pelos governantes de antes e de agora. Não adianta dizer que os problemas foram criados unicamente pelo Partido dos Trabalhadores. Culpar o governo que antecedeu o atual não resolve os problemas do Brasil, afinal o governo atual é continuidade do governo anterior. O principal condutor da política econômica do País foi presidente do Banco Central do governo petista por 8 longos anos. Estou a falar do nosso ministro da Fazenda, o banqueiro, Henrique Meirelles.

Alega-se a credibilidade do governo para justificar a pior "depressão" do País dos últimos 100 anos. A "credibilidade" do governo mede-se pelas pessoas que estão à frente do Poder Executivo. As sucessivas atrapalhadas, mesmo 10 meses após a troca de comando, faz o mundo "estarrecido" ao ver tanta "desgovernança". Traz, também, indignação da população, dos empresários e ao simples povão. 

A equipe econômica só pensa nela própria. O Brasil que se lasque! O povo que se lasque! Dá-lhe desemprego para a população, já sofrida com minguada redistribuição de renda. Enquanto, os empresários investigados pelas operações da Polícia Federal, dão muita gargalhada. Os mesmos empresários investigados em conluio com os políticos corruptos são os maiores beneficiários do Bolsa Empresário, um verdadeiro "Robin Hood" ao inverso. Tira-se os recursos dos "reles contribuintes" para beneficiar "meia dúzia" de empresários que tem acesso ao Palácio do Planalto, neste e nos governos anteriores. 

O Brasil tem terras agriculturáveis, as maiores do planeta. São quase 300 milhões de hectares, para produzir pecuária e grãos. O País tem potencial para ser o celeiro do mundo, com potencial para produzir 1 bilhão de toneladas de grãos nas próximas décadas, praticando agricultura sustentável. O País tem jazidas minerárias, as maiores do mundo. O País poderia vender aços ao invés de minérios brutos de ferro, para dar empregos aos brasileiros. Isto, sem contar com a maior jazida de nióbio do mundo. 

Enquanto o País estiver preocupado em sustentar os "agiotas internacionais" pagando os juros reais a mais alta do mundo, o País não vai entrar "nunca" num ciclo sustentável de desenvolvimento. Não adianta a reforma da previdência e nem tão pouco a política econômica baseado no "teto dos gastos públicos", se continuar privilegiando os agiotas internacionais. 

O Brasil não precisa de "salvador da pátria" como defendem muitos nas redes sociais. O Brasil precisa de um presidente da República que deixe a "vaidade" de lado e procure atentar ao crescimento sustentável do País. Sem o que o País navegará, sempre e inevitavelmente, nos mares revoltos. O Brasil não precisa de presidente excepcional, mas apenas uma pessoa que tenha noção da "macroeconomia" e ter coragem de enfrentar os agiotas internacionais dando prioridade ao desenvolvimento sustentável do País.

Brasil é um país viável !

Ossami Sakamori


quarta-feira, 22 de março de 2017

84. Petrobras está em "estado de falência"!


O efeito do descaso e da ladroagem na maior Companhia do País, ainda parece não ter passado. E, nem tão pouco, passará nos próximos anos, creio. A Petrobras está com grave enfermidade deixado pelos anos e anos de "descasos" na administração do patrimônio público. Não me refiro apenas aos anos da administração dos governos do PT e nem tão pouco me refiro aos estragos causados pela Operação Lava Jato. O fato é que a Petrobras está, em estado de "pré-coma", no Centro de Terapia Intensiva.

Pedro Parente, presidente da Petrobras, apresentou o Balanço Patrimonial da Companhia referente ao exercício de 2016. Como já era previsível, a Companhia apresentou prejuízo de R$ 14 bilhões, o terceiro consecutivo. Analisando o Balanço Patrimonial de 2016, conclui-se que a situação da Companhia em nada mudou, em relação ao Balanço anterior. Justifica-se. A Petrobras é uma Companhia como "mamute", um monstro que se move muito devagar.

Para um imobilizado de R$ 571 bilhões, teve faturamento bruto de R$ 282 bilhões e resultado operacional de R$ 17 bilhões. Descontado as despesas financeiras e impostos, o resultado líquido ficou no prejuízo já anunciado de R$ 14 bilhões. Tudo mostrado no Balanço patrimonial divulgado, ontem. 

O que mais chama atenção no balanço da Petrobras é o tamanho do "imobilizado". Ainda assim, a Companhia deduziu à título de impairment, o valor de R$ 20 bilhões ante R$ 47 bilhões do exercício anterior. Receio que há muito que "depreciar" no patrimônio, se realizar o teste de impairment, conforme as regras das Deliberações da CVM. Há muitos ativos imobilizados "carcaças" escondidos nos "escaninhos" da Contabilidade da Companhia, acumulados desde a sua fundação em 1954. 

Outro número que chama a atenção é o endividamento da Petrobras. Em 31 de dezembro de 2016, a Companhia devia R$ 353 bilhões em financiamentos. O montante total da dívida da Companhia é equivalente a uma vez e meia ao valor de faturamento bruto de 2016, que foi de R$ 282 bilhões. Vamos apenas lembrar que o resultado do Balanço de 2016, mostra que a Companhia não gerou sequer o lucro para pagar os juros da dívida. Petrobras está na mesma situação do País, não consegue sequer pagar os juros da dívida. Isto é gravíssimo!

A Petrobras vem fazendo desmobilização de ativos imobilizados para diminuir o endividamento, mas vê-se claramente que a política de desinvestimento tem dado pouco resultado. Vamos ser bem realista, por enquanto, a Companhia está vendendo os ativos "filé mignon". Quero ver se tem alguém com interesse de comprar "carcaças". Diante da situação do imobilizado, se a Petrobras vender tudo que tem hoje, certamente, faltará dinheiro para "conseguir" fechar a Companhia. A esta situação, em "jargão econômico", se chama "estado de falência". Vai faltar dinheiro para fechar a Companhia, se fosse o caso.

A Petrobras está em "estado de falência".

Ossami Sakamori




domingo, 19 de março de 2017

83. O desdobramento da Operação Carne Fraca


É imprevisível o desdobramento da Operação Carne Fraca da Polícia Federal na economia setorial de carnes e derivados. Segundo dados disponíveis, o Brasil exportou US$ 5,9 bilhões em carnes bovinas e derivados em 2015. Os dados de 2016, ainda não estão disponíveis ao público para melhor análise. Isto, sem contar com o volume de negócio que o setor movimenta no mercado interno. 

Foi no mês de agosto do ano passado que, após 17 anos de negociação, os governos dos Estados Unidos e Brasil formalizaram a abertura do mercado norte-americano para a carne bovina "in natura". Não faz muito tempo, o Brasil tinha entrado em acordo sobre as "barreiras sanitárias" da carne bovina "in natura" com a União Europeia. Não tinha sido fácil também firmar acordos para exportação de carne bovina e suína para os países importantes como a China e Japão.

Com a Operação Carne Fraca, que revelou diversos problemas "sanitários", sobretudo com as carnes "in natura", das principais empresas exportadoras brasileiras, não sabe qual será o desdobramento do problema "escancarado" com a Operação. Os países importadores citados não são "lenientes" com as "barreiras sanitárias" como que acontece no mercado interno da carne bovina "in natura" e seus derivados. No Brasil, o problema é levado em "brincadeira", mas nos países desenvolvidos a questão sanitária é levado muito a sério. 

Esta "brincadeira" dos empresários graúdos, frequentadores do Palácio do Planalto e dos "fiscais corruptos" do Ministério da Agricultura poderá levar o Brasil a uma "grave crise" do setor agro-pecuário e do setor exportador. A crise virá acompanhado de desemprego, com certeza. Os próximos meses serão cruciais para a cadeia produtiva do setor agro-pecuário. Na minha avaliação, esta será uma das mais graves crises que o setor já enfrentou nas últimas décadas. Quem viver, verá!

A "brincadeira" da carne bovina vai sair muito caro para o País. 

Ossami Sakamori


sexta-feira, 10 de março de 2017

82. O voo da galinha na economia.

Crédito da imagem: Estadão

O desespero do governo Temer é tanto que, para um pequeno indício de crescimento do setor industrial do mês de janeiro em relação ao mês anterior, dá como certo  que há retomada do crescimento do País. Isto foi enfatizado pelo ministro Henrique Meirelles na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e dito à imprensa. 

Tecnicamente, o ministro Henrique Meirelles sabe que a configuração da tendência da economia, tanto faz, para cima ou para baixa, há que se confirmar a mesma tendência em dois trimestres consecutivos. Disse, ministro Meirelles de que o primeiro trimestre deste ano, o resultado do PIB trimestral deve fechar no terreno positivo. Mesmo assim, tecnicamente, não se pode dizer que o País saiu da recessão.  Meirelles, com economista e banqueiro, sabe muito bem disso!

Na outra ponta, o IBGE divulgou o dado de desempregados, em carteira assinada, ascende a 40 mil vagas, somente no mês de janeiro. Portanto, o quadro geral de desempregados no País teve um pequeno acréscimo em relação a 12,9 milhões de desempregados. Vale lembrar também que o número de desalentados continua no patamar de 12 milhões de trabalhadores. Somado ambos números, o número de trabalhadores desempregados e em sub-empregos continua no patamar preocupante de 25 milhões de trabalhadores. 

Ontem, a Serasa Experian divulgou o número de pessoas inadimplentes no País. O número de pessoas negativadas ascende a 59,7 milhões de pessoas, correspondente a cerca de 40% da população adulta. Isto significa que em cada 10 pessoas, 4 pessoas estão negativadas. Curiosamente, o número de inadimplentes no País ascende à população de maioria dos países do mundo.

A retomada do desenvolvimento "sustentavelmente" só deverá ocorrer com medidas econômicas de profundidade. Eu chamo isto de "gatilho" para o desenvolvimento, já comentado em minhas matérias. Por enquanto, as notícias que vem do Planalto vai na contra-mão do desenvolvimento. O ministro da Fazenda, em declaração à imprensa, aventa a hipótese de aumento de carga tributária para fechar as contas do Orçamento Fiscal de 2017, conforme previsto no LDO/2017.

Diante das considerações feitas, não temo em dizer que o País está longe de demonstrar a retomada do crescimento sustentável. Tomara que o número setorial positivo não seja o "voo da galinha".

Ossami Sakamori

segunda-feira, 6 de março de 2017

81. A volta da CPMF


Segundo o ministro da Fazenda Henrique Meirelles, o governo Temer "estuda" a recriação da CPMF, dentro do programa de Reforma Tributária, que deverá ocorrer neste ano. A grande imprensa, cujo maior cliente é o governo federal, já vem colocando o assunto em debate. Para quem não se lembra, a CPMF foi extinta em 2007, no governo Lula da Silva. 

Segundo ministro da Fazenda, a CPMF é uma contribuição "a mais justa", porque atinge todas classes sociais, indistintamente. Como a CPMF antiga, a contribuição não deverá atingir classe de renda baixa, que ficará com a isenção garantida.

A CPMF, na minha opinião, deverá vir mais cedo do que possa imaginar. Dois motivos principais motivam a equipe econômica do governo Temer implementar a Contribuição. O primeiro motivo é que a CPMF é uma contribuição que não tem "sonegação", o motivo é que a contribuição é descontada "compulsoriamente" em cada movimentação financeira, dentro do sistema financeiro. O segundo motivo é que, as entes federadas devem apoiar a medida porque parte do recurso arrecadado vai para estados e municípios, que enfrentam uma grave crise financeira. 

A previsão é de que a receita da CPMF variaria ao redor de R$ 50 bilhões anuais, para mais ou para menos, conforme as alíquotas que serão atribuídas.  A vantagem, para o Tesouro é que a CPMF pode ser implementada no mesmo exercício da aprovação, ao contrário de impostos que só poderão ser implementados no exercício seguinte.  Portanto, a CPMF poderá, se aprovada e ser cobrada ainda em 2017.

Vamos deixar claro de que estamos a falar da "possibilidade" da recriação da CPMF. Melhor prevenir do que remediar, diz o ditado popular. 

Ossami Sakamori
SakaBrasil22



domingo, 26 de fevereiro de 2017

80. Na quarta-feira de cinzas, virá a ressaca!



Há um medo generalizado de discutir a política econômica e a política monetária de qualquer governo, em especial do governo de transição, o do Michel Temer. Não há economistas ou articulistas econômicas com coragem para contestar, sobretudo, a política monetária. Os empresários donos de grandes conglomerados empresariais não dão opinião, sobretudo contra, porque a maioria depende dos financiamentos favorecidos do BNDES. 

Assim, a política econômica e a política monetária são apresentados pela grande imprensa, formadora de opinião, de forma distorcida. Da forma como é noticiado, dá-se a impressão de que a política econômica se resume no "equilíbrio fiscal" e a política monetária se resume na política de "juros". Isto mostra a imaturidade dos órgãos de imprensa nos tratos sobre o destino do País. Isto mostra, também, que os articulistas renomados não querem "se queimar" criticando o governo, seja qual for o presidente em exercício.

O "medo" dos empresários e articulistas é o principal entrave para discussão sobre o "desenvolvimento sustentável" do País. A grande imprensa, em nada ajuda para quebrar o "paradigma" que vive o País, há décadas. No Brasil, o Estado é "onipotente" e "onipresente" para inibir qualquer tentativa de "mudança do rumo" da economia, apesar de viver a maior crise econômica dos últimos 100 anos. 

Na área econômica, o ministro da Fazenda Henrique Meirelles impôs a "nova" lei de responsabilidade fiscal consolidada com a aprovação do PEC 241, que contraria a Lei de Responsabilidade Fiscal de 2000. A diferença fundamental entre a Lei de Responsabilidade Fiscal de 2000 com a Emenda Constitucional é que o primeiro instrumento previa o "equilíbrio" entre receita e despesas (incluído juros da dívida) e a Emenda Constitucional "oficializa" o "rombo fiscal" ou o "déficit primário" tanto quanto necessário para cobrir o Orçamento Fiscal do ano com base no Orçamento Fiscal de 2016, com correção pela inflação. 

Se o Brasil continuar em estado de "depressão", a Emenda Constitucional de 2016 serve como "piso mínimo" para gastos públicos, incluindo nestes os investimentos em "infra-estrutura". No entanto, se o País vier a crescer nos próximos anos, a manutenção do "teto dos gastos" atrelados aos de 2016, impedirá o governo de fazer os gastos em "infra-estrutura" mesmo que a arrecadação venha apresentar "superávit primário" expressivo. O País vive "engessado" à Emenda Constitucional resultado do PEC 241.

Quanto à política monetária que, "aparentemente", visa controlar a inflação apenas com um dos instrumentos, a da "política de juros", é uma visão que não leva ao crescimento sustentável do País. A própria "política cambial" parece estar atrelado ao combate à inflação e à atração de investimento especulativo para financiamento da dívida pública da União pelo "capital especulativo estrangeiro", hoje ao redor de 14% do estoque da dívida pública federal. Grosso modo, os investidores especulativos respondem com cerca de R$ 450 bilhões para financiar a dívida do Tesouro Nacional. 

O controle da inflação via "política cambial", com dólar barato (real valorizado), é uma distorção que vai contra o desenvolvimento sustentável do País. Com o dólar barato (real valorizado), o Brasil importa mais do que exporta.  Com o dólar barato (real valorizado) o Brasil cria empregos nos países estrangeiros, origem dos produtos importados. O dólar barato (real valorizado) apenas cria "sensação do poder de compra". Brasil sempre anda na contra mão do mundo. Enquanto os países desenvolvidos "importa" turistas (auferem receitas em dólares), o Brasil "exporta" turistas (gasta divisas). É um movimento típico de um país de "novos ricos" ou de "emergentes". Este filme já vi várias vezes na minha vida e sei onde vai dar. 

O combate à inflação não pode depender apenas da "política de juros", como quer o governo e como está em discussão pela grande imprensa e pelos articulistas e economistas de renome. A principal causa da inflação é o "déficit primário" interminável, agora oficializado pela Emenda Constitucional do teto dos gastos. Qualquer economista sabe que a inflação depende da "base monetária". O governo faz exatamente ao contrário, emite moeda alargando a "base monetária". É um "círculo vicioso" que o governo se meteu que não será fácil sair dele sem mudança na "matriz econômica" defendida pelo ministro da Fazenda Henrique Meirelles e pelo presidente do Banco Central Ilan Goldfajn. Não é por acaso que ambos, até a véspera das posses, faziam parte do sistema bancário. É o mesmo que o lobo cuidando do galinheiro, no palavreado popular.

Dando prosseguimento à atual política econômica e política monetária, o Brasil não encontrará o "desenvolvimento sustentável" que tanto almeja. A atual política econômica e monetária atende tão somente aos investidores especulativos nacionais e internacionais. É tudo carnaval! 

Na quarta-feira da cinzas, virá a grande ressaca!

Ossami Sakamori








sábado, 18 de fevereiro de 2017

79. Brasil vai vender terra para estrangeiros!



Com o objetivo de atrair capital chinês, o governo Temer quer alterar a lei para vender terras para estrangeiros (chineses). Segundo a grande imprensa, o governo Temer quer aprovar a lei que permite ao investidor estrangeiro comprar até 100 mil hectares de terra para produção, podendo ainda arrendar outros 100 mil hectares. O tamanho da terra, os 100 mil hectares, seria maior que muitos municípios brasileiros. Para visualizar o tamanho da terra, imagine dimensão de terra de 25 km x 40 km. Isto para cada empresa estrangeira! Isto é o resultado do tão festejado  sopinha de letras: BRICS! 

O relator do projeto é o deputado Newton Cardoso Júnior, PMDB/MG. Ainda segundo grande imprensa, o relator do projeto acredita que o fim da proibição das compras de terra pelo estrangeiros podem destravar investimentos da ordem de R$ 50 bilhões. É tudo que o governo Temer quer com o objetivo único de atrair capital estrangeiro. Temer age como "cafetão" sedento de dinheiro da intermediação. Quem está com o sorriso de orelha a orelha é o presidente chinês Xi Jinping (foto acima). 

Ao mesmo tempo que o governo Temer vai permitir a compra de terras por estrangeiros, será encaminhado nos próximos dias, também, permissão do controle total de capital das companhias aéreas pelos estrangeiros. Seria como oficializar a situação de fato, porque as maiores empresas aéreas que operam no Brasil já são de estrangeiros, com dupla nacionalidade. Do ar a terra, perdemos o controle do capital nacional para estrangeiros. O Brasil vai entrar com a mão de obra, como nos tempos da colônia. 

O certo é que o Brasil nunca pertenceu ao povo brasileiro. Brasil foi e será eldorado para estrangeiros. As maiores empresas industriais do País são predominantemente estrangeiros. Mesmo as companhia "genuinamente" brasileira como a Petrobras, tem seus fornecedores predominantemente estrangeiros. Brasil não possui tecnologia de ponta. Brasil só tem dimensões de terras continentais, que agora será explorada pelos chineses. 

Infelizmente, temos piores indicadores sócio-econômicos dentre 40 maiores economias do mundo. Entregando a chave do País para Xi Jinping, quem sabe o Brasil venha ocupar um lugar de destaque na economia global. Por enquanto, estamos na "rabeira" da "rabeira". E para nossa vergonha, ocupamos o topo da lista dos países mais "corrupto" do mundo!

Por via das dúvidas: Ni hao!

Ossami Sakamori


domingo, 12 de fevereiro de 2017

78. Economia. Enxugando o gelo.

Crédito de imagem: ositajai

Está no centro de discussão a conveniência ou não de combater a inflação com a alta taxa de juros básicos Selic. Há os que concordam com a política monetária do Banco Central presidida pelo Ilan Goldfajn, ex-economista chefe do grupo Itaú-Unibanco. Dentre os quais está o nome do presidente da BMFBovespa Armínio Fraga, antes provável ministro da Fazenda do candidato derrotado Aécio Neves, em 2014. A atual política de juros é endossado pelo formulador da política econômica do governo Temer Henrique Meirelles, ex-presidente do Bank of Boston e ex-consultor do Banco Original do grupo JBS.

Eu, engenheiro civil, com experiência no magistério na Universidade Federal do Paraná, com breve passagem na administração de uma Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, não sou merecedor da mesma atenção dos ícones dos pensamentos econômicos do País. No entanto, os meus prognósticos sobre a economia do Brasil estão com índices de acertos muito maior que os renomados "analistas econômicos", sem desmerecer nenhum deles. 

Sou crítico contumaz da atual política econômica do governo Temer conduzido pelo ex-banqueiro Henrique Meirelles. Muito mais crítico sou da atual política monetária do Banco Central do Brasil, conduzido pelo ex-diretor de um dos maiores conglomerados bancários do País, o Itaú-Unibanco. O atual presidente do BC foi também ex-diretor do FMI. À primeira vista, os formuladores da política econômica e monetária do País tem currículos invejáveis para as funções que exercem, senão pela forte vinculação com o sistema bancária nacional e internacional.  Podemos dizer em linguagem chula de que Michel Temer entregou o galinheiro para os lobos cuidarem dele. 

O governo e a equipe econômica comemora a queda da inflação como que fosse produto da política monetária, a da taxa de juros básicos Selic altos. Na minha análise, a queda da inflação não é produto da política econômica ou da política monetária. A trajetória de queda da inflação é resultado não da política de juros Selic alta, mas é resultado da brutal "recessão" ou "depressão" que o País atravessa. Basta lembrar que o País se encontra no meio da pior crise econômica dos últimos 100 anos! A queda do consumo é devido ao número de desempregados que já ultrapassa os 12,3 milhões, mais os desalentados (sub-empregados) que alcançando outros 12 milhões. A queda de inflação é o resultado da "depressão" mais do que do resultado da política monetária calcada em taxa de juros Selic altos. 

Quando falo de taxa básica de juros altos não me refiro à taxa nominal Selic, que atualmente é de 13% ao ano. O que chamo atenção é a taxa real de juros que o governo Temer paga para tentar manter liquidez no sistema. Descontado a inflação corrente de 6,5% ao ano, a taxa de juros reais no País é de 6,5% ao ano. Isto é estrastosferico! Isto significa que o País aumenta o estoque da sua dívida pública, cada vez que faz "rolagem", já que o País é incapaz de produzir "superávit primário". Sem aperceber, o País está se endividando cada vez mais, com a "política de juros" absurdamente fora dos parâmetros mundiais.  O Brasil paga a maior taxa de juros reais dentre 40 maiores economias do mundo! Brasil está indo para o buraco!

Há quem defenda a atual política econômica e monetária do País. Muitos aceitam como a "única" maneira de colocar o País no rumo do desenvolvimento sustentável. Ledo engano! A atual política econômica e monetária vai levar o Brasil a um nível de endividamento insustentável, a ponto de ter que, no futuro próximo, produzir apenas para pagar os juros aos agiotas nacionais e internacionais. Ou melhor, já estamos fazendo isto!   

O Brasil como nação só vai conquistar o desenvolvimento sustentável, quando o governo deixar de atender apenas aos interesses dos agiotas nacionais e internacionais. O dinheiro aplicado em títulos do governo não gera emprego. O que cria empregos é aplicação de uma política cambial e de juros que estimulem o setor produtivo. Até os setores produtivos são compelidos a aplicar em títulos do governo, que dá rentabilidade, 6,5% ao ano, para não correr risco de perda com a produção. A taxa básica de juros altos inibem os investimentos nos setores produtivos. Sem investimento nos setores produtivos, aumenta o desemprego. É um círculo vicioso que não tem fim. 

O aumento de desemprego, produto da política econômica e política monetária, equivocadas, aumenta a instabilidade social que vai custar muito caro à população brasileira. Vai chegar um momento em que a "repressão" não vai mais resolver a "explosão" de insatisfação da população. Vamos deixar claro que estamos próximos de "caos" devido à prática equivocada de política econômica e monetária do governo Temer.

Recomendo leitura das matérias anteriores para avaliar em que contexto estou a escrever esta matéria. A atual política econômica e monetária do governo Temer é a política do enxuga gelo!

Ossami Sakamori


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

77. Dólar baixo é equívoco da política monetária



O equívoco da política monetária do governo Temer está mais do que evidente. Os dois instrumentos principais da política monetária, a "cambial" e de "juros" estão sendo usado apenas para "conter a inflação" (sic), não importando a "depressão" que esta política tem causado na economia. E tem gente que aplaude e comemora o dólar baixo (real valorizado). Hoje, vamos falar da política cambial do governo Temer. 

O Banco Central vem praticando, o dólar baixo (real valorizado) para baixa a inflação e novamente causar a "sensação do poder de compra" para a classe média. Nos últimos dias, o dólar está sendo cotado abaixo de R$ 3,20 numa clássica intervenção do Banco Central, que se utiliza o do dólar futuro ou swap cambial reverso para conter a cotação. O brasileiro tem memória curta, não lembra da época de "oba oba" da classe média fazendo viagens para compras em Nova York. 

Se trouxermos o valor do dólar para hoje, considerando como ponto de partida a implantação do Plano Real em 1994, o dólar deveria estar cotado acima de R$ 4,50, considerando o "poder de compra" da moeda brasileira em relação à moeda americana. Vamos lembrar que no mês de setembro de 2015, o dólar já esteve cotado a R$ 4,14, que corrigido para hoje, estaria acima de R$ 4,80. 

O Banco Central dispõe de instrumentos para intervenções no mercado de câmbio. O Banco Central tem atuado explicitamente no mercado de câmbio, ao contrário do que afirmara o seu presidente Ilan Goldfajn na sabatina da aprovação do seu nome no Senado, de que o dólar flutuaria livremente, faz fortes intervenções no mercado de moeda estrangeira. Só que, as intervenções vem sendo feito no sentido de "engessar" o dólar em nível considerado baixo, com intenção clara de valorização do real. 

Já vimos este filme várias vezes. O dólar baixo, desestimula as exportações e estimula as importações.  A balança comercial brasileira tem apresentado "saldo positivo", não pelo aumento do volume de exportações mas pela diminuição da importações.  Novamente, a "recessão" ou a falta de consumo no mercado interno tem favorecido a balança comercial brasileira. Infelizmente, as indústrias estão sucateando por falta de competitividade dos seus produtos no mercado internacional. Este movimento de sucateamento da indústria brasileira é a marca dos últimos governos, incluindo o atual. A indústria que representava 26% do PIB no fim do período FHC, hoje não representa mais do que 12% do PIB. Isto tem custo muito alto para a população como todo. 

O dólar baixo (real valorizado) praticado pelo Banco Central, orientado que está pelo governo Temer, embora ajude no combate à inflação, ao mesmo tempo sucateia a indústria nacional. O dólar baixo (real valorizado) desestimula a indústria nacional à competição no mercado internacional, tornando-a cada vez mais obsoleta. O dólar baixo (real valorizado) desestimula o agronegócio e o setor de mineração, produtos essenciais na pauta de exportação.  O Brasil caminha no sentido inverso das maiores economias emergentes com a China e países do Sudeste Asiáticos. China cresce à razão de 6,5% ao ano enquanto o Brasil retrocede 3% ao ano. Os chineses estão errados e os brasileiros certos?

O dólar baixo (real valorizado) defendido pelos analistas econômicos e financeiros e pelo próprio governo Temer é um "tiro no pé". O dólar baixo (real valorizado) é uma das causas principais do número de desempregados ter chegado em 12,3 milhões no final de 2016. O dólar baixo (real valorizado) defendido pelo mercado financeiro e pelo governo Temer significa na realidade o "engessamento" da moeda americana, com finalidade de "segurar a inflação". Todo "engessamento" tem hora para desfazê-lo. Quanto mais tempo "engessado", o estrago na economia será maior quando "soltar". 

Sai de baixo quando deixar o dólar flutuar nos patamares reais de R$ 4,50. Não adianta nada o atual esforço de combate à inflação. A inflação voltará com toda força! 

Este filme já vimos várias vezes!

Ossami Sakamori



76. Economia. A hora não é de comemorações!





O governo Temer "comemora" o resultado das contas do Orçamento Fiscal de 2016. Segundo informações divulgado pelo governo, as contas do setor público consolidado acumularam "déficit primário" de R$ 155,7 bilhões, equivalente a 2,47% do PIB. Este é o pior resultado da série histórica, inciada em 2001. Só para lembrar, em 2000 foi criada a Lei de Responsabilidade Fiscal pelo governo FHC.

Em 2014 houve "déficit primário" de R$ 32,5 bilhões e no ano de 2015 o "déficit primário" foi de R$ 111,2 bilhões. Os sucessivos "déficits primários" foram motivos para "exacerbação da inflação" no período, que em 2015 fechou com 10,67%. Explico. O "déficit primário", o "dinheiro que falta para cobrir os gastos do governo", obriga o Tesouro a emitir títulos da dívida pública, em consequência alarga a "base monetária". Foi o que tem acontecido desde 2014, ano da eleição presidencial.

O resultado comemorado, o "déficit primário" menor do que o "rombo" previsto pelo governo em R$ 170,5 bilhões, foi devido a "entrada extra" da repatriação de dinheiro sujo autorizado pelo governo através de Lei especial. A repatriação rendeu valor bruto de R$ 46,8 bilhões, o que aliviou o "rombo" da conta.  Sem o dinheiro da repatriação o "rombo" seria de R$ 202,5 bilhões.

Vamos lembrar que o governo Temer aprovou o PEC 241 nos pagar das luzes do ano passado, para flexibilizar o cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal de 2000. Desde então, o governo está "autorizado" pela PEC 241 de cobrir o "rombo" do Orçamento Fiscal até o limite do gasto de 2016, corrigido pela inflação. O governo Temer "oficializou" o "rombo fiscal" ou o "déficit primário". Não entendo até hoje, a comemoração que houve com a aprovação do PEC 241. 

O fato de emitir títulos do governo para "complementar" a cobertura dos gastos do governo não é "bicho de sete cabeças", no entanto, exige do governo o rigoroso controle da base monetária para a "inflação" não explodir. No entanto, a consequência do contínuo "déficit primário" aumenta o endividamento público, que uma hora, a conta vai cair nas costas do contribuinte. Vamos lembrar, também, que no "déficit primário" não engloba o pagamento de juros da dívida pública. O buraco é mais para baixo. 

O governo se meteu no "beco" sem saída traumática. Os gastos públicos foram congelados nos níveis de 2016, corrigido pela inflação, não permitindo ao governo gastos em investimentos públicos além dos níveis de 2016. O governo fez "opção" pela "retração" em investimentos. Para o governo, os investimentos em infraestrutura, por exemplo, terão que vir da inciativa privada através de Programa de Parceria para Investimentos. Governo Temer "abriu mão" de ser o "indutor" do crescimento econômico sustentável do País. 

Com muita tristeza que assisto, passivamente, a "depressão" do País, resultado do equívoco da política econômica e política monetária do governo traduzido pela "ponte para o futuro". A ponte idealizada está a nos levar para a maior depressão da história do Brasil dos últimos 100 anos! O governo Temer só vai acordar quando a "panela de pressão social" explodir e ir para as ruas. 

A hora não é de comemorações!

Ossami Sakamori



quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

75. Brasil está próximo de uma convulsão social


Crédito da imagem: A Razão


Somente o governo Temer acredita no início da recuperação econômica, ainda neste ano. Os organismos internacionais de fomento, como FMI, aponta crescimento "zero" para este ano. Já estamos no final do mês de janeiro e os empresários, sobretudo os pequenos, querem ter ideia de como a economia vai andar neste ano para fazerem o planejamento. E o povo anda apreensivo com a sua própria situação. Ninguém mais acredita nas promessas da retomada de crescimento do País prometido pelo governo para o final do ano.

O governo propõe para discussão no primeiro semestre, a reforma da previdência e a reforma trabalhista. As reformas estruturantes, embora necessárias, não serão aprovadas sem uma discussão profunda pelo Congresso Nacional. Isto leva tempo, além de produzir desgastes ao governo e ao Congresso Nacional. O índice de desaprovação do governo Temer que está baixo, vai acentuar ainda mais com as reformas propostas.

As delações premiadas das empreiteiras envolvidas em Operação Lava Jato vão causar enorme desgaste ao Congresso Nacional, já que centenas de parlamentares estão na lista referida. O efeito delação deve repercutir não só no Legislativo, mas sobretudo no Executivo. Podemos definir, desde já que o País vai passar por período de grande incerteza política. O presidente Temer faz parte da lista de delações. 

Para piorar  a situação, a permanência ou não do Michel Temer à frente da presidência da República ainda é uma incógnita. As investigações feito pela Polícia Federal à pedido do TSE em torno da campanha eleitoral da chapa Dilma/ Temer está a aprontar graves irregularidades no uso dos recursos da campanha eleitoral.  Enquanto o TSE não der veredicto final, o País viverá momentos de instabilidade política.

Na economia, apesar de inflação apontar para uma trajetória de queda, até por conta da recessão, a taxa básica de juros Selic continua muito alta. O Brasil nunca pagou juros reais tão altos como agora, apesar de presidente do Banco Central ter afirmado que a tendência da taxa Selic é de queda acentuada nas próximas reuniões do Copom. Ainda assim, o Brasil paga os juros reais a mais alta dentre 40 maiores economias do mundo! A credibilidade do País nunca esteve tão baixa!

A pior consequência da instabilidade política e econômica é o aumento do número de desempregados e desalentados (sub-empregados). Estima-se que o número deste contingente da força de trabalho no País será de 26 milhões até o final do ano. O número é impressionante, se considerar que a forma de trabalho total do Brasil é estimado em 102 milhões, segundo IBGE. Grosso modo, de cada 4 trabalhadores, 1 deles está desempregado ou está no sub-emprego. 

Um outro número impressionante é o número de pessoas inadimplente no sistema de crédito no País. Dados divulgados pela Serasa Experian aponta o número de inadimplentes em aproximadamente 59 milhões de pessoas. O número mostra que 1 em cada 3 pessoas adultas está inadimplentes. Inclui neste número, também, as pessoas inadimplentes do programa Minha Casa Minha Vida.

O quadro descrito acima, cria um "efeito dominó" na economia. O aumento de desempregados aumenta o número de inadimplentes. O aumento de número de inadimplentes diminui o volume de negócios nos setores de serviços e comércio. O encolhimento nos volumes de venda no comércio e no serviço, diminui encomendas no setor industrial. O menor volume de encomendas retrai a produção industrial. Retraindo a produção industrial há demissões em massa. E assim, começa tudo de novo como um "círculo vicioso".

A nefasta consequência desta situação (efeito dominó) é a instabilidade no campo social.  A atual crise no sistema penitenciária é apenas uma das consequências do "efeito dominó". Tenho visto reportagens sobre "saques" de caminhões com cargas de alimentos, nos últimos dias. Creio, não vai demorar muito para assistirmos cenas de "saques" em supermercados, como aquelas que assistimos na vizinha Venezuela.  A fome faz as pessoas perderem a vergonha. 

Ainda assim, a classe política continua brincando com a situação do povo brasileiro. A renda da classe política estão garantidos com todos os benefícios e benesses dos cargos que ocupam. Os políticos estão mais é preocupados em "marcar" seus territórios, não importando a que custo, afinal quem paga a conta, sempre, é o povo. 

Brasil está próximo de uma convulsão social.

Ossami Sakamori

sábado, 21 de janeiro de 2017

74. Trump e economia brasileira.


Donald Trump assumiu, ontem, o posto de presidente dos Estados Unidos da América (USA). Antes que vocês me perguntem o motivo desta matéria sobre a posse de um presidente de um país estrangeiro, explico.  Particularmente, não tenho nenhuma simpatia pelo presidente recém empossado, mas ele merece ser comentado, em razão da sua importância.  Pelo menos nos próximos 4 anos, Trump vai comandar a maior economia do mundo. Os Estados Unidos, representam sozinhos, 25% de tudo que o mundo produz e consome. Em cada 4 dólares que o mundo movimenta, os Estados Unidos sozinho responde por 1 dólar. 

Comparativamente aos Estados Unidos, a economia do Brasil representa cerca de 1/10 (um décimo) do PIB americano, ou seja, cerca de 2,5% do PIB mundial. Comparativamente, somos a "titica de galinha" do mundo. Nos últimos anos do governo do PT, o País deu destaque aos blocos econômicos marginais como a China e África, esquecendo-se dos Estados Unidos. O governo do Temer, representado pelo seu ministro da Fazenda Henrique Meirelles, tinha esperança de aproximar dos Estados Unidos e "abocanhar" o mercado, desprezados e considerado como "marginais " apesar do seu tamanho (25% do PIB do mundo). A vitória do Trump é derrota para o governo brasileiro, que fez opção pela "esquerda" do mundo. 

O novo presidente, Donald Trump, fez opção explícita pelo protecionismo às indústrias americanas. Isto foi dito e foi confirmado no seu discurso de posse. Donald Trump quer priorizar as empresas americanas na sua política econômica. Trump quer criar empregos em "território americano", não em "território estrangeiro". Trump vai financiar a "infraestrutura" do país com impostos arrecadados da exploração de petróleo e gás. Em termos de política econômica, o Trump vai priorizar "criação de empregos" no próprio país.  Sorte para os trabalhadores americanos e azar para os empresários brasileiros, que dependem de exportações para Estados Unidos. 

Para o Brasil, que está em sua maior crise dos últimos 100 anos, o Donald Trump será mais uma "pedra no sapato", já apertado. Certamente, pelo menos, nos próximos 4 anos, o Brasil encontrará "dificuldades adicionais" nas relações comerciais com os Estados Unidos. Melhor para o povo americano e pior para o povo brasileiro. Brasil torceu para a vitória do Hilary Clinton e pagará o preço de mais uma opção progressista. 

E o Trump não está "nem aí" com o Brasil !

Ossami Sakamori



quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

73. Nova trajetória da Selic e do dólar

Crédito da imagem: Estadão

A grande imprensa publicou opinião do Ilan Goldfajn, direto de Davos, de que o Banco  Central "elegeu" agora como novo ritmo de "afrouxamento monetário" com as quedas de 0,75% da taxa Selic. Com ressalva de que um novo ritmo "pode mudar" conforme trajetória da inflação. A notícia causou até uma certa surpresa para os jornalistas e analistas de mercado financeiro. 

Antes tarde do que nunca. Foi a primeira vez que ouço o Ilan Goldfajn citar em "afrouxamento monetário"  como meta do Banco Central, mesmo que não tenha dito que o objetivo da queda do Selic é para "retomada do crescimento". Este blog tem defendido a taxa básica de juros reais Selic como principal "inibidor" do crescimento sustentável do País, além do dólar alto (real desvalorizado). 

A minha atenção continua, no entanto, sobre a política monetária do Ilan Goldfajn, que ainda continua "ameaçando" a revisão da trajetória da taxa básica de juros Selic, conforme comportamento da inflação. Isto mostra que o Banco Central conta coma taxa básica de juros Selic como "único" instrumento para combater a inflação.  Banco Central aplica a fórmula do Fundo Monetário Internacional ao "pé da letra", abrindo mão de utilizar o instrumento principal do "controle da base monetária" que é o "depósito compulsório" dos bancos. O nível de depósito compulsório dos bancos está inalterado há alguns anos. 

Vamos esclarecer, de uma vez por toda, que a taxa básica de juros Selic é "um dos instrumentos" da política monetária do Banco Central para "calibrar" o crescimento sustentável do País. O Banco Central, nos últimos dias, tem atuado no mercado de câmbio na "ponta de venda" no mercado futuro de dólar. Isto é mais um equívoco do Ilan Goldfajn sobre a política monetária do Banco Central, que quer manter o "dólar baixo" (real valorizado).  

Segurar o dólar no atual patamar, numa ponta ajuda no controle da inflação, mas na outra ponta o "dólar baixo" (real valorizado) inibe as exportações, favorecendo tão somente aos investidores estrangeiros especulativos e aos países que exportam produtos para o Brasil. Vamos lembrar, novamente, que o "dólar baixo" ou o "real valorizado" é um "truque" do governo que traz uma "sensação do bem estar" e  a "sensação do poder de compra". Foi assim no governo Lula da Silva. E deu no que deu. A atual crise econômica que passa o País foi, justamente, decorrente da política econômica equivocada dos sucessivos governos do PT. O Brasil paga preço muito caro pelos sucessivos equívocos na política econômica e na política monetária, tanto deste ou dos governos anteriores.  Justifica-se, a equipe econômica de hoje é a mesma de antes. Leia-se Meirelles. 

A despeito da taxa nominal dos juros básicos Selic estar num patamar mais abaixo da referência dos últimos meses a de 14,25%, os juros reais hoje está ao redor de 6,5% ao ano. A taxa básica de juros reais Selic do Brasil continua a mais alta dentre 40 maiores economias do mundo. Meirelles e sua equipe acham que os outros 39 países, com crescimento, é que estão errados. E nós, "otários" continuamos aplaudindo a equipe econômica comandada pelo ministro da Fazenda Henrique Meirelles. 

Não se deixem enganar com "discursos fáceis". Este filme já vimos inúmeras vezes!

Ossami Sakamori

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

72. O ano de 2017 será um "barril de pólvora"!

Crédito da imagem: Culturamix.com

Muitos me perguntam sobre o que será do quadro de economia do Brasil para o ano de 2017. É dramático, mas as previsões não são nada boa. O próprio Fundo Monetário Internacional rebaixou a previsão do crescimento do Brasil, que era de 0,5% para 0,2%. O governo federal fez projeção de crescimento do País para 1,6%, conforme LDO já aprovado pelo Congresso Nacional, mas já admite um crescimento nos mesmos níveis apontado pelo FMI, ou seja 0,5% no ano de 2017. 

No primeiro semestre, o governo Temer terá de aprovar a reforma da previdência e a reforma trabalhista, conforme propostas de mudanças encaminhadas para o Congresso Nacional. Sobretudo a reforma da previdência vai causar muita discussão e revolta da população. O preço social para aprovação da reforma da previdência vai ofuscar qualquer outra medida que venha beneficiar o povo brasileiro.

À partir de fevereiro vai estar em andamento as investigações relativas  às delações premiadas dos grupos Odebrecht e Camargo Correia, que certamente provocarão "terremotos" no Congresso Nacional e sobretudo no Palácio do Planalto. Segundo revelado pela grande imprensa, as delações dos dois principais grupos empresariais vão pegar fundo o próprio presidente Temer, que ficará na "mira" das investigações que ocorrerão no STF. 

Segundo a própria grande imprensa, o julgamento da chapa Dilma/ Temer pelo TSE deverá ocorrer ainda neste semestre. Mesmo, o presidente Temer recorrendo ao STF, no caso de derrota no TSE, o julgamento da chapa deverá ocorrer, "definitivamente" até o final de agosto deste ano. A minha previsão é de que o presidente Michel Temer deverá ser cassado no mês de agosto deste ano. O mês de agosto é mês fatídico para a história brasileira. No início do ano passado, 2016, previ que a então presidente Dilma iria ser cassada no mês de agosto. Dilma foi cassado no dia 31 de agosto de 2016. 

Havendo cassação de mandato do presidente Temer, assume o cargo de presidente, o presidente da Câmara dos Deputados por 90 dias. O presidente da Câmara, na condição de presidente provisório deverá convocar eleições indiretas para o presidente com mandato tampão até 31 de dezembro de 2018. As eleições diretas ao cargo de presidente da República deverá ocorrer somente em outubro do próximo ano, juntamente com os governadores e parlamentares das Assembleias Legislativas e do Congresso Nacional. 

O crescimento previsto para o Brasil, previsto pelo FMI e pelo governo brasileiro de 0,5% não acontecerá. As turbulências do primeiro semestre e "presidente tampão" do segundo semestre, influirá negativamente no crescimento do País. O Brasil deverá terminar o ano de 2017 com mais um ano de "recessão", completando assim o mais longo período de "estagnação" dos últimos 100 anos. 

O ambiente social decorrente do mercado de trabalho, que deverá atingir o patamar próximo de 14 milhões de desempregados, até o final do ano, tornará o País um verdadeiro "barril de pólvora". Diante do quadro descrito, a atual "crise das penitenciárias" deverá se tornar noticiários de segunda página nas grandes imprensas. 

O ano de 2017 será um "barril de pólvora"!

Ossami Sakamori
@SakaBlogs


quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

71. A taxa Selic 13% apenas confirma a grave crise econômica do País


O Banco Central definiu a taxa básica de juros Selic em 13% ao ano, na reunião de ontem. Há um conceito equivocado, generalizado, sobre o conceito da taxa básica de juros no País, em todos agentes econômicos. O equívoco consiste em considerar a taxa básica de juros Selic como o único instrumento de controle da inflação. Os comentários que se seguiram à definição da taxa básica de juros, que vão desde ao do presidente Temer aos analistas do mercado financeiro, demonstram claramente a falta de conhecimento dos pressupostos da política monetária. 

O Banco Central baixou a taxa básica de juros, que estava em 13,75%, desde a última mexida, em 0,75%. A nova taxa básica de juros Selic que servirá como referência para as operações de financiamento da dívida pública federal, continua com a taxa de juros reais, o mais alto entre 40 maiores economia do mundo. Considerado inflação no patamar de 6,5% ao ano (dezembro de 2016), os juros reais continuam no patamar absolutamente "crítico", isto é 6,5% ao ano. 

O governo Temer festeja a queda da taxa básica de juros Selic com otimismo. Acompanha o otimismo o mercado financeiro e outros agentes econômicos do País. Nem é preciso dizer que os comentaristas econômicos das grandes redes de televisão, à frente a Rede Globo, dão destaque a queda de 0,75% da taxa Selic com entusiasmo. Todos agentes consideram, como se a queda de juros nominais, considerado altos, fosse a chegada da saída da crise econômica do País. Ledo engano!

O conceito equivocado predominam na grande imprensa e no mercado financeiro em especial. É verdade que em situações normais, não é o caso do Brasil que se encontra na pior crise econômica e financeira dos últimos 100 anos, a taxa de juros básicos poderá servir como "instrumento" de política monetária do país. Assim acontece nos Estados Unidos, Alemanha e Japão, onde a taxa básica de juros são praticados "abaixo da inflação". Dentro deste mesmo contexto, o Brasil pratica taxa básica de juros 6,5% acima da inflação ou o dobro da inflação.  Isto é termômetro marcando acima de 40 graus!

Falando em português claro, a alta taxa básica de juros reais (6,5% ao ano), demonstra claramente que o País está em séria crise econômica. A taxa básica de juros Selic representa, na realidade, o "grau de credibilidade" do País no mercado financeiro internacionais.  No caso do Brasil, a taxa Selic não é "remédio" para "crescimento sustentável" do país. No caso do Brasil, a taxa Selic é "termômetro" da credibilidade do País no mercado financeiro internacional. Demonstra a taxa básica de juros Selic, a precária saúde financeira do Estado brasileiro. 

Não há empresários sérios que se sintam estimulados a fazer investimentos nos setores produtivos no País, diante da taxa básica de juros tão altos. Não havendo investimentos diretos nos setores produtivos, não haverá criação de novos empregos. Os empresários sérios, junto com os agiotas nacionais e internacionais aplicam os recursos disponíveis em títulos do governo, auferindo sem correr "quase nenhum risco", rentabilidade de 6,5% reais ao ano. Pergunto: Quais são os setores produtivos que dão rentabilidade acima de 6,5% ao ano, sem risco nenhum?

O conceito corrente de que a taxa básica de juros "segura" a inflação é um outro pressuposto equivocado. A taxa básica de juros Selic pode ser "um dos instrumentos" da política monetária, mas não a única. A inflação é proveniente do "estreitamento" ou "alargamento" da base monetária (M1, M2, M3 e M4). Creditar o "controle" da inflação apenas à taxa básica de juros Selic é um erro conceitual que interessa apenas e tão somente aos agiotas nacionais e internacionais, incluídos os próprios formuladores da política econômica do governo Temer.

Aqueles que discordam do meu ponto de vista, que deixem os seus comentários, com embasamento técnico, na coluna própria deste blog ( no rodapé deste).

Ossami Sakamori