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segunda-feira, 20 de junho de 2016

3. A política cambial equivocada.


A política cambial e a política de juros deveriam ser utilizado como pilares para o desenvolvimento sustentável do País, mas não está sendo. O ministro da Fazenda Henrique Meirelles baseia a sua política econômica, pelo menos até o momento, baseado apenas nos ajustes fiscais. É certo que a política fiscal equilibrada é pré-condição para qualquer política econômica responsável, mas ela isoladamente, não é suficiente para colocar o País no rumo do desenvolvimento sustentável.

O presidente do Banco Central Ilan Goldfajn, na sabatina para aprovação do seu nome, no Senado Federal, afirmou que praticaria câmbio flutuante e dispensaria o uso de instrumentos de intervenções do câmbio disponíveis no Banco Central. O discurso é bonito, mas na prática, isto não é viável. Câmbio totalmente flutuante pode funcionar perfeitamente para países desenvolvidos, mas para o países em desenvolvimento, o câmbio totalmente flutuante é nocivo para o País. 

O melhor exemplo de câmbio com intervenções sistemáticas vem da China. A China cresceu, por longo período de tempo à uma taxa anual de 10%, conquistado em boa parte pela intervenção do governo no câmbio. Na prática, a China fez intervenções sistemáticas no câmbio para alcançar o estágio de desenvolvimento de hoje. Hoje, a China cresce a uma média de 7% ao ano e é a segunda maior economia do mundo, ficando apenas atrás dos Estados Unidos. Seria impensável que a China ocupasse o papel de protagonista do mundo se não fosse intervenções sistemática no câmbio pelo Banco Central daquele País. 

Em qualquer país emergente, notadamente como no Brasil, o câmbio com intervenções sistemáticas é a saída para o desenvolvimento sustentável. Não podemos brincar de dólar baixo (real valorizado) para proporcionar "sensação de bem estar" e "sensação do poder de compra", criando emprego no exterior. O resultado de uma política cambial equivocada dos últimos 13 anos do governo PT é o quadro econômico e social que hoje vivemos. Desemprego em massa e País caminhando para trás é o quadro triste da política cambial equivocada. 

Apenas para ter noção do nível de defasagem da relação dólar/ real, fazendo correção do valor do dólar pela inflação, tomando como ponto de partida US$ 1 = R$ 0,90 (valor de mercado) de 1994, chegaremos US$ 1 valendo R$ 4,20. A correção do valor da moeda não se faz assim, porque o correto seria fazer correção pelo poder de compra de ambas moeda, no entanto, a correção utilizando as inflações do período de ambas moedas dá uma boa noção da relação que deveria estar entre as duas moedas. Dentro desta análise, cada US$ 1 deveria estar acima de R$ 4,20, como piso.

Na prática, o dólar alto (real desvalorizado) beneficia os setor produtivo brasileiro. O setor produtivo de commodities seriam os beneficiários diretos do dólar alto (real desvalorizado). Os setores industriais também teriam seus produtos competitivos no exterior, estimulando exportações. O setor produtivo criariam empregos dentro do País, ao contrário do que acontece hoje, onde as empresas industriais brasileiras montaram bases de produção no exterior, criando emprego fora do País, devido à defasagem do câmbio.

Para manter dólar alto (real desvalorizado) é indispensável o uso de instrumentos de intervenções cambiais. As intervenções cambiais se faz através do mercado à vista (spot), mercado futuro e derivativos como swap cambial tradicional ou swap cambial reverso. A utilização dos instrumentos que dispõe o Banco Central para manter o dólar alto (real desvalorizado) não é considerado como "controle cambial". Considerar as intervenções tradicionais como controle cambial é falsa dogma. 

A comemoração do mercado financeiro especulativo pelo dólar baixo (real valorizado) seria como comemorar a anunciada capitulação do País ao capital financeiro internacional. Infelizmente, a maioria dos operadores financeiros torcem pelo dólar baixo (real valorizado). Meirelles pratica isto. Durante 13 anos foi dito, repetidamente, que o dólar baixo (real valorizado) como parte da econômica.  O quadro atual é resultado da política econômica e monetária equivocada do próprio Meirelles à frente do Banco Central.

No entanto, convém lembar que apenas política cambial adequada não estimula os investidores institucionais diretos nacionais e internacionais a colocar o seu capital na produção. Como dito no preâmbulo, a política de juros, próximo tema, juntamente com adequada política cambial, terá que se adequar à uma matriz econômica liberal, necessária para o desenvolvimento sustentável do País.

O Brasil tem solução!

Ossami Sakamori

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