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terça-feira, 21 de junho de 2016

4. Taxa Selic alta para combater inflação é um equívoco.


Hoje, vou bater de frente contra os neoliberais. Vou derrubar a falsa dogma de que a taxa básica de juros Selic é único instrumento para combater a inflação. Vou contra o pensamento do ministro da Fazenda Henrique Meirelles e contra a tese do presidente do Banco Central Ilan Goldfajn. Diga-se de passagem que ambos tem suas carreiras feitas no sistema bancário e são neoliberais por excelência. 

Há algum tempo que o Banco Central está praticando taxa Selic com juro real entre 4% a 5% ao ano. A taxa Selic nominal, acima do nível de inflação, tem muito a ver com a real dimensão que ela provoca na expansão da base monetária. Vamos lembrar que a inflação é produto do excesso de liquidez da base monetária e também das indexações generalizadas na economia brasileira. 

A falta de investimento direto do setor produtivo, não revelado pelo ministro da Fazenda Henrique Meirelles e pelo presidente do Banco Central Ilan Goldfajn, tem como origem a remuneração dos títulos da dívida pública do governo federal. O Banco Central do Brasil paga os juros reais a mais alta dentre 40 maiores economia do mundo, deixando apenas Turquia no topo da lista. Há que refletir porque do pagamento do maior juros reais na contra mão do mundo.

Com juros reais entre 4% e 5%, o setor produtivo prefere aplicar em títulos do governo federal do que fazer investimentos diretos nos seus negócios correndo o risco inerentes.  OK.  A tese de contração da base voluntária, até poderia enganar os analistas econômicos e agentes do governo, mas para analistas mais apurados isto tudo é uma manobra para favorecer o setor financeiro ou bancário. 

No entanto, é falsa premissa, a medida traz consequências nefastas ao País pela falta de investimento no setor produtivo. Falta de investimento no setor produtivo provoca o desemprego, o principal problema do País, no momento. Se o Brasil acompanhar a tendência mundial e praticar taxa de juros reais negativos, com certeza absoluta, o setor produtivo aplicará os recursos disponíveis nas suas fábricas ou nos seus campos produzindo riquezas e empregos.

Os formuladores da política econômica e monetária, fazem de conta que não existe um outro instrumento, pouco falado nos últimos anos, que são é o depósito compulsório das instituições financeiras. Atualmente, o Banco Central detém cerca de R$ 500 bilhões de depósito compulsório das instituições financeiras. O depósito compulsório é freio para inflação, porque enxuga liquidez do sistema. 

Se o efeito que se quer é contração da base monetária, deveria aumentar o percentual de depósitos compulsórios das instituições financeiras. O Banco Central tem todos os dados real time, de posição do dinheiro em circulação (incluído aplicação em títulos do governo), para que possa estabelecer o nível de depósito compulsório necessário para regular o nível de liquidez do sistema. 

Fala-se na remuneração em níveis elevados dos títulos do governo para garantir a saúde do sistema financeiro nacional, mas é uma falsa tese. Para manter a saúde do sistema financeiro poder-se-á remunerar os depósitos compulsórios pela taxa Selic, o que não ocorre no momento em quase totalidade destes. 

Vamos falar francamente, a falsa tese de Selic alto para combater a inflação apenas favorece apenas o sistema financeiro nacional e investidores especulativos internacionais. O volume de transferência de rendas do conjunto da população para os investidores especulativos é cerca de R$ 200 bilhões anuais. 

O Brasil caminha na contra mão dentre as 40 maiores economias do mundo. As maiores economias do mundo que faz parte do G7, praticam juros reais negativos. Eu disse juros reais negativos! Aqueles países do primeiro mundo, praticam juros reais negativos na tentativa de estimular os setores produtivos. Brasil vai na contra mão do mundo, tentando estimular o setor produtivo pagando taxa de juros reais a mais alta do mundo.

Posto isto, podemos concluir que a utilização da taxa básica de juros Selic para tentar controlar a inflação é um equívoco. Pelo contrário, a prática da taxa Selic acima da inflação corrente realimenta a própria inflação. Há instrumentos disponíveis no âmbito do Banco Central para controlar a inflação, sem ser via taxa básica de juros Selic. Porque não utiliza os diversos mecanismos da política monetária é uma questão que os formuladores da política econômica do governo Temer terão que nos responder. 

Taxa Selic alta para combater inflação é um equívoco.

Ossami Sakamori

Recomendo leitura do e-book : Brasil tem futuro?


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