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quinta-feira, 30 de junho de 2016

9. O equívoco da política econômica.


O modelo neoliberal adotado pela equipe econômica do governo Temer é proveniente do FMI - Fundo Monetário Internacional, atualmente sob direção executiva da francesa Christine Lagarde. O modelo acompanhado pelo Brasil atende aos interesse do mercado financeiro mundial, porém, vai contra aos interesse do País. 

O modelo defendido pelo FMI é o câmbio totalmente flutuante. O novo presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn disse seguir o tal modelo na sabatina no Senado Federal. Disse o novo presidente do Banco Central de que não utilizará nenhum instrumento de intervenção no câmbio, para regular o piso ou teto. 

Alguns países como a China, não obedecem as regras neoliberais do FMI. O resultado é de que a China cresceu muitos anos nos níveis acima de 10% e nos últimos anos em níveis de 7%. A China é muito criticado pelos neoliberais, mas o que interessa é que aquele país alcançou a posição de segunda economia do mundo, desbancando a posição ocupado pelo Japão, pela política econômica adotada, contrariamente à orientação do FMI.

O modelo que proponho é cambio flutuante com piso de flutuação do dólar, nos níveis em que os produtos brasileiros tenham competitividade no mercado mundial, sobretudo as commodities. A saída para o País, certamente é o mercado global para carrear recursos para o desenvolvimento sustentável. O modelo de crescimento baseado no mercado doméstico praticado pelo governo Lula da Silva, cujo presidente do Banco Central foi o próprio Meirelles, esgotou-se. O número de inadimplentes, cerca de 60 milhões ou 40% da população adulta confirma minha afirmação.

Feito as contas, considerando as inflações do Plano Real e a inflação americana do período chegamos num número próximo de R$ 4,20 para cada dólar. Considero como ideal para o desenvolvimento do agronegócio e commodities em geral, ser este o patamar do câmbio adequado para o crescimento sustentável do País. É errado pensar que o dólar baixo (real valorizado) vai trazer benefício à população no médio e longo prazo. 

O governo Lula da Silva adotou dólar baixo (real valorizado) para produzir sensação de bem estar e de poder de compra para ganhar a popularidade. O principal artífice do feito foi o próprio atual ministro da Fazenda Meirelles no posto à época na presidência do Banco Central. Como não há almoço grátis, o País paga a conta do equívoco da política econômica neoliberal dos governos do PT. 

Outro equívoco da equipe econômica do governo Temer está na utilização da taxa básica de juros Selic como principal instrumento para combater a inflação. O problema não está propriamente na taxa de juros absolutos, mas sim nos juros reais embutidos nela. O Brasil paga os maiores juros reais dentre 40 economias do mundo, ficando atrás apenas da Turquia. Há outros instrumentos da política monetária para combater a inflação. 

Todos sabem, mas ninguém assume, que a taxa real de juros da dívida pública nos atuais patamares, entre 4% a 5%, inibe a decisão de investimentos dos empresários e que retardam o crescimento.  Para ser franco e direto, a taxa de juros reais altos serve tão somente para atrair capital estrangeiro especulativo, carente que é o Tesouro para dar liquidez à dívida pública federal. A necessidade da prática de juros reais positivos altos demonstra a fragilidade da política econômica implementada pelo governo, mais do que combater a inflação. 

Por outro lado o País está carente de investimento em infraestrutura para alavancar o crescimento sustentável. O volume de investimento em infraestrutura ideal para o crescimento do País está entre 4% a 5% do PIB. O governo alega que não há recurso para investimento em infraestrutura e quer lançar mão dos recursos voluntários da iniciativa privada para tal. Enquanto o governo paga a taxa de juros reais no atual patamar, não haverá investimentos privados nacionais ou estrangeiros. 

A política econômica que privilegia o setor bancário e os investidores especulativos, gastando exatamente o dinheiro que falta para a infraestrutura em pagamento de juros reais, não levará nunca ao crescimento sustentável do Pais. O pagamento de juros reais serve apenas para dar estabilidade ao sistema financeiro e atende aos preceitos do FMI, mas não atende as reais necessidade do País.

Grosso modo, podemos dizer que a política econômica correta para a situação de depressão do País é exatamente ao contrário da política econômica comandada pelo Henrique Meirelles na Fazenda e Ilan Goldfajn no Banco Central. Podemos afirmar, também, de que a sub-utilização dos instrumentos de política de câmbio e a política de juros é um equívoco que só atende aos interesses do capital financeiro especulativo. 

Recomendo uma política econômica  e monetária do País com dólar alto (real depreciado) e taxa de juros reais Selic baixo ou juros reais até negativos, para tirar o Brasil do estado de depressão e colocá-lo no rumo do desenvolvimento sustentável. Há que ter coragem e determinação para implementá-las. Será que o governo Michel Temer tem?

A base da matriz econômica que respalda o pensamento exposta nesta matéria encontra-se no meu e-book ~> Brasil tem futuro? .

Ossami Sakamori

3 comentários:

  1. Concordo em parte com o senhor,pois mesmo não sendo economista sei que com o dólar baixo,os produtos nacionais perdem competitividade.
    Mas em contrapartida,com o dolar alto,aumenta o valor dos produtos que nós importamos como é o caso dos eletrônicos e alguns alimentos que tem seu preço internacional vinculado a moeda americana,ex:trigo,soja etc.
    Além disso com o dolar muito alto,aumenta consideravelmente a inflação para o brasileiro.
    Até para os economistas não é fácil chegar a um valor ideal a cotaçao,e não tenho essa pretensão também.
    Mas acredito,que uma das soluções seria,melhorar-mos a qualidade dos produtos industrializados que produzimos e ganhar-mos mercados,como é o caso do JAPÃO,que tem sua moeda mais desvalorizada ainda,em relação ao dolar,do que o real.
    Só que lá,não há o provalecimento dos comerciantes para aumentarem os preços dos produtos,por causa desta diferença de cotação,como acontece no BRASIL.
    Como lhe falei,não é fácil se chegar a um denominador comum para o problema,pois o problema envolve também,fatores culturais.

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  2. Minha ingenuidade econômica Vê outro problema que não esse para nossas agruras de deficiências econômicas e políticas. Acredito piamente que nosso erro monstro esta ao não fomentar a produção no país de forma a atender todas as demandas. Nossa inflação é esse monstro devorador exatamente por não termos a mesma concepção americana por exemplo. Eles passaram um crise com antecedentes vistos em 1929. Vimos sua inflação disparar? Seus juros chegarem ao topo do universo como o nosso? Muito pelo contrário. Usaram os juros baixos de forma a atraírem investimentos produtivos e não especulativos. Sua inflação teve pequena variação porque sabem equilibrar a oferta e a procura de forma que lhes foi possível sanar os megas problemas que os bancos lhe causaram no sistema. a diferença também muito visível é que socorreram os bancos e suas maiores empresas e estão recebendo tudo de volta. Não fazem como o Brasil que empurra tudo para o poço da tal dívida interna que nos últimos desgovernos quase triplicou. Acredito piamente que muita gente ganha muito dinheiro com nossas desgraças. Políticos, endinheirados, empresários , sonegadores, governantes e ladrões.

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  3. Álvaro,Embora seu comentário tenha abrangido outros pontos,se difunde com o que falei,quando comparei BRASIL vs JAPÃO,a economia ou cotação do dolar de um país,passa pela cultura e até a honra de seu povo ou/e governantes!
    Só que vc comparou com outro país,também com outra mentalidade,e completou quando diz que há pessoas que lucram,com a nossa desgraça.
    O que também é verdadeiro!

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