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quarta-feira, 13 de julho de 2016

20. De sinais trocados, o Brasil não vai para lugar nenhum.



O Brasil está de sinais trocados na economia. As matérias anteriores demonstram o equívoco da política econômica e política monetária do País. O governo Temer insiste em praticar a mesma política econômica desastrada dos governos PT. Nem poderia esperar diferente, se o principal formulador da política econômica do governo Temer foi também o principal responsável da política econômica dos governos Lula da Silva, nos dois mandatos. 

Ao contrário do que alardeia os agentes públicos e privados, a política econômica do então presidente do Banco Central Henrique Meirelles, foi equivocada. No primeiro mandato do Lula da Silva, Henrique Meirelles pegou o mundo global em desenvolvimento, tomadores de commodities. Brasil foi favorecido pela economia mundial em expansão. No segundo mandato do Lula da Silva, o então atual ministro da Fazenda, tomou medidas anticíclicas para sair da crise financeira mundial de 2008, sobretudo através de medidas emergenciais de desonerações de tributos e facilitação de créditos ao consumidor.

Durante o período do Lula da Silva, como presidente do Banco Central, promoveu o dólar baixo (real valorizado), para proporcionar a falsa sensação do poder de compra ao povo brasileiro. É nesse período que o consumidor brasileiro endividou-se acima da capacidade de solvência. É desse período de crescimento sem sustentação que os agentes públicos e econômicos se lembram. 

Tem um ditado que retrata bem a situação brasileira: "não há almoço grátis". De fato, o equívoco cometido não pode perdurar por muito tempo. Chega um momento em que o almoço terá que ser paga. O Brasil está vivendo o momento de crise desde 2014, grande parte, em decorrência das medidas anticíclicas do Henrique Meirelles. É falso atribuir apenas a Dilma pelos erros cometidos. Meirelles e Lula da Silva tem culpa, também. 

O desastre na política econômica do governo Dilma, não foi provocado apenas pelos Guido Mantega, Joaquim Levy ou Nelson Barbosa. A crise econômica atual teve origem no segundo mandato do governo Lula da Silva, quando o presidente do Banco Central era o atual ministro da Fazenda Henrique Meirelles. O monge não muda hábito tão facilmente. Não, não mudará. Henrique Meirelles, pensa e respira como banqueiro 24 horas do dia. As medidas propostas pelo Meirelles demonstram que Meirelles continua o mesmo monge de antes. 

O equívoco da política econômica e monetária do atual governo está sobretudo na formulação da política cambial e da política de juros. O câmbio está desajustado para produtos brasileiros serem competitivo no mercado global. A taxa de juros reais da dívida pública brasileira é maior dentre as 40 maiores economias do mundo. No período do governo comandada pelos PT nos últimos 13 anos, a participação do setor industrial no PIB, passou de 26% para menos de 12%. Em decorrência, o País propiciou a migração de empresários no exterior criação de empregos no exterior e demitindo maciçamente dentro do País. Isto foi a política econômica do Henrique Meirelles. 

O câmbio defasado faz os produtos industrializados brasileiros perderem competitividade no mercado externo. A alta taxa de juros básicos do Tesouro brasileiro para financiar a dívida pública inibe os investidores a aplicar nos setores produtivos. Cobrar dos empresários nacionais e internacionais investirem em setores produtivos ao mesmo tempo que oferece o pagamento de juros reais próximos de 5% ao ano, é uma equação que não fecha. Os investidores aplicam onde dá mais rentabilidade, com segurança. Os empresários não decidem a aplicação do seu capital apenas pelo fator psicológico, como quer presidente Temer.

O Banco Central tem o dever e obrigação de ser transparente, sobretudo, na política monetária. O Banco Central deveria mostrar aos investidores nacionais e internacionais as metas do câmbio e dos juros Selic para horizonte no curto e longo prazo. O controle da inflação através do câmbio defasado e juros reais muito acima do padrão mundial é um equívoco. O Banco Central tem outros instrumentos e mecanismos disponíveis para a prática de uma política monetária que crie ambiente para o desenvolvimento sustentável.  

Há saída para a grave crise econômica brasileira. Uma coisa é certa. a saída da crise, não está somente nos ajustes das contas públicas. Os ajustes das contas públicas são apenas deveres de casa que um ministro da Fazenda de qualquer país mequetrefe terão que fazer. Somente os ajustes das contas públicas não induz os investidores a aplicarem os seus recursos nos investimentos produtivos. Isto é mais uma falsa premissa adotada pela equipe econômica do Temer.

Há que ter vontade política e coragem suficiente para adotar política econômica voltado ao desenvolvimento sustentável para próximas décadas. 

De sinais trocados, o Brasil não vai para lugar nenhum. 

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Ossami Sakamori

Um comentário:

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