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sábado, 2 de julho de 2016

11. Dólar a R$ 4,20 por quê?


Estou voltando ao assunto da cotação do dólar, novamente, para defender o nível de cotação, sugerido por mim, nas sucessivas matérias deste blog. A discussão não se limita no campo do mercado financeiro. Eu diria que o buraco está mais para baixo. O assunto merece uma discussão mais técnica do que cada um tentar estabelecer a "sua" cotação.

O Brasil viveu o boom do crescimento econômico, sobretudo no segundo mandato do Lula da Silva, baseado no mercado interno. O crescimento econômico, via mercado interno, se deu por dois fatores principais.  O primeiro fator é que o mundo global viveu, até crise financeira de 2008, pela valorização (em dólar) dos commodities baseado no consumo da China, que crescia a 10% ao ano. O segundo fator é que o governo Lula da Silva estimulou o consumo via utilização do crédito consignado. O País encontrava-se numa situação, digamos, como diabo gostaria.

O quadro da economia de hoje é completamente diverso dos anos dourados do período do governo Lula da Silva. Primeiro motivo é que o mercado de commodities estão em baixa com preços extremamente deprimidos. Segundo motivo é que o mercado interno está perto de esgotamento, com índice de inadimplência 40% da população de indivíduos adultos. Portanto o pressupostos da fase do boom econômico do governo Lula da Silva não pode repetir com algumas medidas pontuais, como o dólar baixo (real valorizado), novamente. 

Outro indicador que os defensores do dólar baixo (real valorizado) tomam como referência é o resultado do balança comercial que está fechando em nível positivo, indicando em tese de que a atual cotação de dólar está em nível adequado. Ledo engano. O saldo positivo da balança comercial, exportação menos importação, só está sendo possível devido não ao aumento de exportações, mas pela diminuição de importações. O saldo da balança comercial, portanto, não guarda simetria com a cotação do dólar.

O número apresentado por mim, cotação de R$ 4,20 para cada US$ 1, levou-se em conta a inflação do período do Plano Real descontado a inflação do mesmo período da economia americana. Esta conta simplista, serve apenas como referência, mas é uma boa referência no meu entender. O correto seria estabelecer o poder de compra do dólar e do real no período considerado, mas não existe oficialmente. 

O comentário postado na matéria anterior, o leitor queixa-se de que no Japão, o dólar está em Y$ 100, e a economia continua próspera. Não vejo paralelo nenhum entre os dois países considerados. O Japão cresceu devido a forte pauta de exportações. Japão tem um parque industrial altamente desenvolvido que seus produtos são colocados nos principais países do mundo, sobretudo pela tecnologia embutida. 

Queixa-se o mesmo leitor de que os produtos importados dele, fica sobejamente prejudicado pelo dólar alto (real desvalorizado). Sem querer, ele próprio respondeu ao questionamento feito. Se o produto importado que cria emprego no país de origem compete em vantagem é porque tem algo errado. O ideal seria que o mesmo produto fosse fabricado no Brasil para criar emprego dentro do país. A inversão dos fatores deve-se, exatamente, por dólar estar baixo (real valorizado). 

O brasileiro deve enfrentar o desafio de dólar alto (real desvalorizado) para criar emprego dentro do País. O Brasil deveria estar carreando dólares com turistas estrangeiros e não ao contrário, brasileiros gastando dólares no estrangeiro como se fossem os "novos ricos". Uma hora, o brasileiro tem que cair na real e aceitar o desafio de crescimento sustentável contando com o dólar alto (real desvalorizado). Grande parte da atual crise financeira e econômica do País, se deve à política cambial, no mínimo, inadequada. 

Espero que o novo presidente do Banco Central, além de rever a sua posição de manter o câmbio totalmente flutuante, colocar a cotação do dólar no patamar que permita os produtos brasileiros competitivos no mercado global. O governante, no caso presidente Temer, não pode temer em colocar a política econômica adequado ao desenvolvimento do País, deixando de lado a busca do populismo. Este filme já assistimos mais de uma vez. 

Definitivamente, o dólar baixo (real valorizado) não trará crescimento sustentável do País.

Ossami Sakamori

Um comentário:

  1. Sua explicação, clara e lógica, nem sempre encontra guarida entre aqueles que teriam o dever de fazer o que é necessário ao país.
    É muito mais fácil e eleitoreiramente melhor fazer o que o povo ache melhor, nem que o custo do erro continue aumentando dia-a-dia.

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