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quarta-feira, 20 de julho de 2016

25. O que esconde atrás da taxa Selic de 14,25%.


O Banco Central definiu a taxa básica de juros em 14,25% para próximos 45 dias. Assim confirma o equívoco da política monetária do governo Temer. O que é exorbitante não é propriamente a taxa nominal, mas sim a taxa de juros reais que o governo paga para captar ou rolar a dívida pública federal. Em relação à inflação corrente, os juros reais corresponde a cerca de 5% ao ano. Brasil continua a pagar os juros reais a mais alta do mundo dentre as 40 maiores economias do mundo. 

A justificativa do Banco Central em manter os juros nos níveis praticados, para tentar baixar a inflação, não encontra justificativa técnica. Pelo contrário, a taxa de juros muito acima da inflação realimenta a inflação. Inflação se controla com o estreitamento da base monetária, esta é a dogma que qualquer estudante de economia sabe. O Banco Central tem mecanismos disponíveis para estreitar a base monetária sem lançar mão apenas pelo lado da taxa básica de juros Selic.

Os sucessivos governos vem utilizando a calibração da taxa básica de juros como único instrumento para conter a inflação. Isto é equívoco da política monetária. Inflação é provocado pelo excesso de demanda em relação à oferta de produtos. Inflação é provocada por falta de competitividade. Inflação é provocada pelo excessivo protecionismo aos produtos brasileiros. Inflação é provocada pela indexação generalizada da economia. Isto tudo foge aos preceitos básicos para manter economia saudável.

Além de reformas estruturantes necessárias para que o Banco Central deixe de utilizar apenas a taxa básica de juros, o mecanismo de depósito compulsório dos bancos são pouco usados para conter a expansão da base monetária e por conseguinte o controle da inflação. Há outros mecanismos, como obrigar alguns tipos de investimento em títulos do governo, que deveriam ser instrumentos corriqueiros na política monetária. Mas, no Brasil não é. 

O Banco Central utiliza os juros reais mais alta do mundo para atrair capital especulativo nacional e estrangeiro. O Tesouro Nacional necessita do capital especulativo para financiar a sua dívida pública. O tamanho da dívida pública bruta está ao redor de R$ 4 trilhões ou cerca de 65% do PIB corrente. Da dívida pública federal, cerca de 17% é financiado pelo investimento especulativo estrangeiro. Isto parece ser o motivo para manutenção da alta taxa de juros reais na dívida pública federal. 

O argumento de que a alta taxa básica de juros Selic é para "segurar" a inflação é totalmente descabida. No fundo, no fundo, o País precisa de investimento especulativo para manter a dívida pública solvente. O Brasil acostumou os investidores com a renda real, a maior dentre 40 maiores economias do mundo, como sendo o principal atrativo para trazer o capital externo especulativo. 

O pior de tudo, é que os agentes públicos e privados, as instituições financeiras nacionais e os agiotas internacionais se acostumaram com a maior taxa de juros reais do mundo. A grande imprensa, os operadores de mercado, já pensam exatamente como pensam a equipe econômica dos sucessivos governos.  A prova da cumplicidade dos principais atores é a aprovação dos nomes da equipe econômica como os bons e os salvadores da pátria.  Cabe aqui a expressão que diz que toda unanimidade é burra. 

As vozes discordantes como o do ministro Eliseu Padilha é reprovado pelo presidente Temer. E de sobra, é reprovado pelos agentes e consultores econômicos.  Há uma nítida queda de braço entre o ministro Meirelles da Fazenda e o ministro Eliseu Padilha da Casa Civil. Não há espaço no mesmo governo com pensamentos divergentes. Ou cai o Padilha ou cai o Meirelles. 

Torço que o Padilha permaneça no governo Temer. 

Ossami Sakamori


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