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sábado, 9 de julho de 2016

17. Para presidente Temer não há crise econômica!

Crédito da imagem: Estadão

No encontro da Confederação Nacional da Indústria realizado ontem, o presidente Michel Temer afirmou, dentre as suas falas, de que a crise econômica brasileira tem efeito psicológico. Eu próprio assisti o pronunciamento e achei muito infeliz na sua colocação. A depressão que encontra o País não é psicológico nem tão pouco a inércia do empresariado em apostar no investimento produtivo tem origem tem origem subjetivo. O Brasil está em pior crise econômica desde 1929. Eis, a realidade!

O País saiu do quadro de estabilidade da economia de 2014. Registrou recessão de 3,8% no PIB no ano passado e a expectativa do quadro da economia deste ano é retração acima de 3,5%. Até este momento, o governo Temer, não fez nada além de admitir o rombo do Orçamento Fiscal primário para 2016 em 170,5 bilhões, herdado do governo Dilma e encaminhar ao Congresso Nacional o PEC de limitação dos gastos públicos para os próximos anos. 

No início desta semana, o ministro da Fazenda anunciou o Orçamento Fiscal primário do próximo ano, já contando com o PEC do teto dos gastos, com previsão de déficit primário de R$ 139 bilhões, abaixo do R$ 194 bilhões permitido pelo mesmo PEC. No entanto, a diferença de R$ 55 bilhões não é baseado em corte de gastos, mas sim em aumento de receitas, entre elas o aumento de impostos e ajustes na previdência social. Desta forma, o custo do ajuste fiscal não é pela própria carne, mas, transferido para o contribuinte.

Na prática, o governo Temer até o momento não fez nenhum ajuste na máquina pública, senão anunciar o corte de 5.000 cargos comissionados, até o final deste ano. A redução do número de ministérios, na prática, diz respeito apenas à reforma administrativa do que pelo lado de corte de gastos. No mais, as reformas estruturantes em discussão, que deverá ser discutido no Congresso Nacional, após o impeachment da Dilma e que irá produzir resultado financeiro, apenas, ao longo de décadas. 

Nada mudou no cenário econômico, senão para pior. Senão, vejamos: a) previsão de inflação para fechamento do ano é de 7,2%, acima da meta de 4,5%; b) previsão da retração do PIB acima para 2017 é de 3,5%; c) dólar baixo (real valorizado) nos níveis ligeiramente acima de R$ 3,20, inibindo o setor primário e manufaturados; d) número de desempregados apontando para acima de 13 milhões até o final do ano; e) número espantoso de inadimplentes da população, ultrapassando 60 milhões ou 40% da população adulta; f) taxa básica de juros Selic atualmente em 14,25% e esperando terminar em 13% no final do ano, embutindo taxa real de 5% ao ano, a mais alta do mundo; g) dívida pública federal bruta aumentando espantosamente, com previsão de alcançar R$ 4,4 trilhões no final deste ano para previsão do PIB de 6,1 trilhões. 

Dá para ser otimista desse jeito, presidente Temer?

Ainda assim, o presidente Michel Temer, diz que a falta de decisão de investimentos do setor produtivo vem do fator psicológico. Receio que o presidente da República não esteja sendo orientado adequadamente pelo Henrique Meirelles para pronunciar uma asneira tão grande. Espero que, o presidente Temer não seja apenas ventríloquo da equipe econômica, assim como fora a antecessora Dilma. 

Recomendo, presidente Temer, que leve em consideração também as opiniões do ministro chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha. 

Ossami Sakamori

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