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domingo, 24 de julho de 2016

27. Quieto! Governo Temer vai utilizar reserva de R$ 38 bilhões.



Está faltando dinheiro no caixa do governo federal. Ministro chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirmou que o governo vai utilizar a reserva de R$ 38 bilhões que estava previsto no Orçamento Fiscal de 2016 como sem destinação específica. Portanto, a reserva em referência não é a reserva cambial brasileira. Inicialmente, será disponibilizado R$ 16,5 bilhões, segundo mesma fonte.

Disse o ministro Eliseu Padilha que o dinheiro é para cobrir o buraco apresentado pela perda de receita de impostos e contribuições. A arrecadação está aquém da prevista no Orçamento Fiscal de 2016. Notícia ruim quem está escalado para dar é o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. Neste momento o ministro da Fazenda Henrique Meirelles se esconde atrás do biombo para não queimar a sua imagem. 

Vamos lembrar que estamos ainda no primeiro mês do segundo semestre de 2016 e o governo já enfrenta a primeira dificuldade de caixa. Não há horizonte no curto prazo que reverta a tendência da queda de arrecadação, pois a economia continua estagnada, com inadimplência no recolhimento de tributos, ainda em ascensão. O quadro da receita da União continuará continuar deteriorando, pelo menos, até o final deste ano. 

Dentro deste quadro, é previsível que o governo jogue o pagamento de algumas contas para o resto a pagar para que o Orçamento Fiscal de 2016 dentro do rombo previsto de R$ 170,5 bilhões. A jogada embora tenha acontecido costumeiramente, mo meu ponto de vista, não deixa de ser uma pedalada fiscal. Isto é, contas do exercício sendo pagas no exercício seguinte. Por enquanto, não há mudança na gestão financeira pública, comparada com a administração anterior. 

Para evitar o novo rombo em cima do rombo já previsto de R$ 170,5 bilhões, é previsível que o governo lance mão do aumento da CIDE que incide sobre combustíveis. O aumento da CIDE deverá acontecer após eleições municipais de outubro. Junto com o aumento da CIDE, a Petrobras deverá reajustar o preço dos combustíveis para não deteriorar ainda mais situação de caixa da Companhia. Haja combustíveis para inflação!

Na outra ponta, a equipe econômica comandada pelo ministro da Fazenda Henrique Meirelles insiste em manter a taxa básica de juros Selic, em níveis altos, o necessário para atrair investimentos especulativos que financiam a dívida pública federal. 

Meirelles prefere manter o equilíbrio das contas públicas aumentando a carga tributária para a população do que cortar o pagamento de juros exorbitantes para o setor financeiro. O governo federal faz gasto líquido de juros referente a sua dívida pública em cerca de R$ 200 bilhões. O volume de dinheiro é maior do que o próprio rombo do Orçamento Fiscal primário de 2016. Este fato, o Meirelles esconde da população. 

Meirelles é banqueiro antes de ser ministro da Fazenda. O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, já foi diretor do FMI. Ambos tem cultura e afinidade com as dogmas do FMI. Pela lógica, não tem como o País ter crescimento sustentável, privilegiando o sistema financeiro em detrimento ao sistema produtivo. O adágio popular guarda coerência com a realidade brasileira: os lobos estão cuidando do galinheiro. 

Sinto muito avisar o presidente Temer, de que a crise econômica brasileira não é apenas psicológica. Pelo contrário, a crise econômica brasileira é muito pior do que o Meirelles tenta desenhar para os agentes econômicos públicos e privados. O buraco está muito mais para baixo! 

Receio que o rombo no Orçamento Fiscal de R$ 170,5 bilhões pode ser insuficiente para fechar a conta de 2016. Põe no arquivo esta matéria e vamos reler no final de dezembro. 

Ossami Sakamori




2 comentários:

  1. Prezado Professor,
    O contexto de vosso Artigo me recorda uma grande lição exarada num clássico da Literatura Mundial, "O Leopardo" de Tomasi Di Lampedusa, quando numa determinada situação, um dos personagens, percebendo a necessidade de adaptar-se para sobreviver a uma nova realidade, diz assim: "Se nós não estivermos presentes (na revolução), eles aprontam a República (vivia-se, então, a Monarquia). Se quisermos que tudo continue como está, é preciso que tudo mude”.

    Assim, estamos nós, neste Brasil, pois, como em vosso texto bem explicitado está: “Pela lógica, não tem como o País ter crescimento sustentável, privilegiando o sistema financeiro em detrimento ao sistema produtivo. O adágio popular guarda coerência com a realidade brasileira: os lobos estão cuidando do galinheiro”.

    Desta forma, pergunto: alguma vez na história política da nossa Nação os “lobos” estiveram ausentes do poder?!

    Se nosso Povo brasileiro não procurar se esclarecer e atentar para os engodos, abusos e falácias... Se não demonstrar sua insatisfação com o “status quo”, ou seja, com o estado do passado próximo e atual das coisas... Realmente, tudo terá mudado para que tudo continue como sempre foi.

    Como recomendastes, caro Professor, a “matéria” está nos meus arquivos, voltaremos a ela em dezembro/2016, e como eu gostaria que, até lá, as coisas realmente tomassem rumos novos!

    Obrigada, Professor Sakamori!
    Paz e bem!

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