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segunda-feira, 4 de julho de 2016

13. Juro Selic alto inibe investimentos produtivos.


Tratarei hoje, sobre a política de juros do Banco Central do Brasil. A tarefa de demonstrar o equívoco da política monetária do governo Temer, não é tarefa fácil. A cultura neoliberal impregnada na mente dos agentes públicos e na dos empresários está tão arraigada que o equívoco da política econômica do governo passa como certo e as medidas corretas passam como equívoco. Mas, faz parte de quem tenta demonstrar a realidade e levar a mensagem de fé e esperança para a população deste País. Chega de ilusões!

Já me manifestei anteriormente, de que uma boa formulação da política cambial e da política de juros são fundamentais para uma política econômica que vise o desenvolvimento sustentável do País. A afirmação continua valendo, apesar de ter ouvido muita discordância em relação à política cambial proposta por mim em matérias anteriores. Faz parte da democracia, ouvir os que discordam. E assim,tenho feito, dando espaço para críticas no rodapé de cada matéria. 

O Brasil paga a maior taxa de juros reais do mundo, dentre 40 maiores economias, deixando apenas Turquia no topo da lista. O Banco Central, tanto faz, da Dilma ou do Temer, continua pagando juros reais próximos de 5% ao ano, o que considero como anomalia. Para dizer claramente, a política monetária do governo Dilma e a política monetária do governo Temer são iguais. Eu disse para uma leitora de que o "cachorro" continua sendo o mesmo, só mudou de "dono". Isto mesmo, só mudou a presidência da República de Dilma para Temer, mas a política monetária é a mesma.

Há opinião generalizada de que a alta taxa básica de juros Selic, inibe os investimentos nos setores produtivos. Isto é um fato incontestável. Felizmente, vem aumentando o número de analistas econômicos que concordam com o ponto de vista apresentado aqui. O povo tem que habituar-se a manifestar a discordância e sair do estado permanente de conformismo. Culpar o governo depois do desacerto não é maneira correta de fazê-lo. 

A taxa de juros Selic, praticada hoje, de 14,25% embute taxa de juros reais de cerca de 5% ao ano. O que inibe os investimentos não é a taxa nominal de juros (14,25%), mas a taxa real de juros (5%). Não há investimentos nos setores produtivos que dê rentabilidade, sem riscos, de 5% ao ano. A taxa de juros básicos da dívida pública federal a 5% ao ano, interessa mais aos investimentos especulativos, tanto de banqueiros e empresas nacionais ou de capital especulativo estrangeiro. A prática repugnante faz parte do receituário do FMI, que visa proteger os investidores financeiros especulativos. 

O Banco Central, na última reunião do Copom, já manifestou pela manutenção da taxa básica de juros nominal no atual nível (14,25%). Manifestou ainda que até o final do ano deverá ter uma ligeira queda, acompanhando tão somente a queda esperada de inflação. A política de juros do novo presidente do Banco Central é exatamente igual ao do presidente anterior do Banco Central. Mudou o governo, de Dilma para Temer, mas o "cachorro" é o mesmo.

Dentre  40 maiores economias do mundo, a maioria praticam taxa de juros reais negativos. Os Estados Unidos, Alemanha e Japão, pagam juros negativos nas suas dívidas do Tesouro, mas exige que países emergentes como o Brasil pague juros reais positivos. Há algo de muito errado nesta política de juros do Brasil. Ou o governo atende aos interesses do País ou atende aos interesses dos investidores especulativos. O Brasil não servir aos dois senhores. O governo brasileiro deveria atender aos interesses da sua população, tão somente. 

Os juros reais de 5% ao ano pago pelo Tesouro  brasileiro, transferem R$ 200 bilhões, da população como um todo para um punhado de empresários enricados com juros subsidiados do BNDES. Fazem parte dos beneficiários, também, o sistema bancário brasileiro e investidores especulativos estrangeiros. Isto é a política de juros dos neoliberais de ontem e de hoje. Justifica-se a política equivocada que atende interesse da classe dominante, pois que a equipe econômica é composta por operadores do sistema bancário, até à véspera de assumir como formuladores da política econômica do governo.

No meu entender é de que o Banco Central deveria praticar a política de juros baseado em taxa Selic, no máximo, igual à inflação corrente. Assim fazendo, estará acompanhando a prática das economias mais significativa do cenário global. Justifico, a taxa básica de juros acima da inflação só aumenta o tamanho da dívida pública federal e frusta o plano de desenvolvimento sustentável do País. Será por isso que a maioria dos países desenvolvidos pagam juros reais negativos? 

Argumentam os condutores da política monetária de que a taxa de juros Selic é único instrumento para combater a inflação. Ledo engano! A afirmação é equivocada, porque o Banco Central dispõe de outros mecanismos para conter a inflação. Um desses instrumentos é o depósito compulsório dos bancos, hoje em níveis de R$ 500 bilhões. Se há inflação devido ao excesso de liquidez, que aumente o depósito compulsório dos bancos. Se ainda assim, é insuficiente para conter a inflação, utilizem outros mecanismos disponíveis em nível de Banco Central, para contrair a base monetária! Se a política econômica do governo é deixar ao sabor dos interesses dos investidores especulativos, continue com a política econômica neoliberal. 

A insistência em utilizar apenas a taxa básica de juros Selic como único instrumento de combate à inflação, faz supor que o presidente do Banco Central e o próprio ministro da Fazenda estão demais comprometidos com o mercado financeiro bancário e ou especulativo. Enquanto perdura esta situação, a nossa moeda está valendo cada vez menos. Justifica-se, a inflação alta é ingrediente necessária para sustentar o "establishment". Para os donos e amigos do Palácio do Planalto, os interesses da população é apenas quimeras, a eterna utopia de dias melhores.  

Resumindo. O nível de juros Selic praticado pelo Banco Central inibe os investimentos produtivos. Ponto final. Portanto, a manutenção da taxa básica de juros Selic no atual nível, no mínimo, retarda a retomada do desenvolvimento sustentável do País. Para os que são subservientes aos sucessivos governos, a atual politica econômica é um "mal necessário". Será? Não há ninguém, com culhões, para contestar a atual política econômica e monetária?

Pergunta-se: É isto que o presidente Temer quer? 
Fazer o que, então? 

Ossami Sakamori

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