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terça-feira, 12 de julho de 2016

19. O setor financeiro está em dificuldade.


A insistência do Banco Central em manter a taxa de juros reais no atual patamar de 14,25% ao ano, para uma inflação corrente ao redor de 9,5%, só encontra justificativa na "manutenção da saúde do sistema financeiro nacional". A tentativa do Banco Central em manter taxa básica de juros Selic com o ganho real entre 4% a 5%, só se justifica para dar ganho real ao sistema bancário como todo.

Para uma inflação ligeiramente abaixo de dois dígitos, o sistema bancário é obrigado a cobrar os juros abusivos que ascendem a mais de 300% ao ano. O Banco Central justifica a alta taxa básica de juros Selic como esforço de combate à inflação. Porém, nada justifica que o Banco Central utilize apenas e tão somente a taxa básica de juros como instrumento de combate à inflação. Há outros instrumentos disponíveis e recomendáveis para controle da inflação. 

O grave é que, no atual patamar de juros reais, qual seja de 4% a 5% ao ano, o governo federal impõe ao Orçamento Fiscal nominal, rombo adicional superior a R$ 200 bilhões ao já combalido Orçamento Fiscal primário. O volume é espantoso se comparar com o dinheiro gasto no Proer, programa de socorro às instituições financeiras, do governo FHC. Em termos nominais o Tesouro desembolsou no Proer cerca de R$ 30 bilhões ou equivalente em valores corrigidos para hoje ao redor de R$ 150 bilhões. Assim sendo, o Banco Central do Brasil, para poder rolar a dívida pública federal, gasta mais do que um Proer por ano.

A ponta do "iceberg" da dificuldade do sistema financeiro está visível no número de pessoas inadimplentes no sistema de crediário que ascende a 60 milhões, equivalente a 40% da população adulta do País. Os juros de cheques especiais cobrado pelos bancos que ascende a 300% ao ano, para inflação corrente ao redor de 10%, demonstra claramente a anomalia no sistema financeiro. 

Além disso, o sistema financeiro está amargando prejuízo com inadimplência de empresas envolvidas na Operação Lava Jato, sobretudo das empreiteiras. O sistema sistema financeiro está absorvendo, também, a inadimplência nos financiamentos subsidiados concedidos às empresas dentro do PSI, a quem cabe a solvência junto ao BNDES. O rombo que vai "sobrar" para o sistema financeiro ascende a R$ 200 bilhões, segundo estimativa do próprio setor.

Diante do quadro, a manutenção da taxa básica de juros Selic em termos reais, acima da inflação, entre 4% e 5%, seria, na minha opinião, uma espécie de socorro ao sistema financeiro brasileiro, combalido com a conjuntura criada com sucessivos equívocos dos governos do PT. O fato que a equipe econômica esconde da população para não criar pânico. Para completar, a grande imprensa apenas divulga release do Palácio do Planalto.  

A manutenção do mesmo equívoco da política monetária dos governos anteriores deixa em evidência a inépcia da equipe econômica do governo Temer. Bom nome no ministério da Fazenda e no Banco Central não quer dizer muita coisa. O que interessa aos empresários é a prioridade que o governo dá ao setor financeiro ou ao setor produtivo. O primeiro setor elimina empregos e o segundo cria empregos. O primeiro enrica os poucos e o segundo distribui a renda ao conjunto da população. No final das contas, quem paga a conta do equívoco, é a população, como sempre. 

Para melhor compreender a matéria, recomendo a leitura do e-book que trata sobre a matriz econômica liberal, uma alternativa para a matriz econômica neoliberal da equipe econômica do governo Temer.

Ossami Sakamori

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