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terça-feira, 2 de agosto de 2016

31. O equívoco da política econômica do Meirelles


O País não aguenta mais conviver com a depressão na economia. Desde segundo semestre de 2014, ano de eleição presidencial, o Brasil experimenta a pior crise econômica dos últimos 100 anos. A economia retraiu em 2015 e continua em retração no ano em curso. O pior é que não vemos perspectiva de reversão do quadro, no curto e no médio prazo, a continuar com a atual política econômica do Meirelles. 

Mesmo diante do quadro sombrio, Meirelles insiste em resolver os problemas estruturantes do País em primeiro lugar, sem dar solução aos problemas de curto prazo. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, quer colocar na prioridade a reforma da previdência e flexibilizar as leis trabalhistas. Vamos lembrar que desde que ele fazia parte da equipe do governo Lula da Silva, por 8 longos anos, ambos problemas já existiam. Não sabemos o porque, ele sendo o homem forte do governo Lula da Silva, não fez as reformas que, hoje, acha urgentes e imprescindíveis serem resolvidos.

Meirelles insiste em fazer o dever de casa, com muitos anos de atraso, os próprios problemas que ele deixou de resolver nas administrações anteriores. Esquece o formulador da política econômica do governo Temer que o País encontra no meio da pior crise econômica desde 1929. Sem deixar de resolver os problemas estruturantes, Meirelles deveria atuar diretamente na "ferida" que sangra há dois anos seguidos.

O quadro econômico do País é sombrio. O Brasil está com o déficit primário e o déficit nominal que deixaria qualquer ministro da Fazenda preocupado. O déficit nominal de 2016 deve fechar ao redor de 6,5% do PIB. O Orçamento Fiscal nominal do próximo ano, em tramitação no Congresso Nacional, prevê fechar com o déficit nominal no mesmo entorno. O que impressiona é o crescimento da dívida pública da União, em termos reais. A dívida pública cresce a uma média de 3,5% ao ano, se mantiver a atual política de juros. Não serão a reforma de previdência e flexibilização das leis do trabalho que trarão a saída para a grave crise econômica do País. 

O empresariado brasileiro não se anima em fazer investimento produtivo, com atual política cambial e política de juros. O dólar continua baixo (real valorizado) e os juros (reais) Selic continuam na estratosfera. Mas, o Meirelles continua insistindo que a solução para retomada dos investimentos viria com apenas os ajustes fiscais. Ledo engano! Não há ajustes fiscais que solidifique sem mexer na política cambial e política de juros. Os agentes econômicos públicos e privados percebem que não haverá crescimento sustentável sem tomar medidas mais ousadas na política de juros e na política cambial. 

A política econômica para retomada do investimento, necessariamente, tem que passar pela política cambial e política de juros. O dólar alto (real desvalorizado) e juros reais Selic baixo são medidas inexoráveis para que o empresariado brasileiro e estrangeiros direcionem os investimentos no setor produtivo. Não adianta o País prover de dólares para investimentos especulativos em títulos do governo federal. Só mesmo os investimentos em setores produtivos serão capazes colocar o Brasil no caminho do desenvolvimento sustentável. 

Com a permanência do Meirelles na Fazenda, dando as cartas na política econômica, o País não retomará ao crescimento necessário para eliminar o fosso criado para com os países desenvolvidos. Para o País tornar-se protagonista dentre os países desenvolvidos terá que implementar uma política econômica compatível com a potencialidade, tomando medidas consistentes de curto, médio e longo prazo. Isto tudo, o Meirelles não está fazendo.

O Brasil não aguenta assistir Meirelles atendendo tão somente o setor financeiro em detrimento dos setores produtivos. Os setores produtivos é que faz o País crescer sustentavelmente. O Brasil precisa de investimentos estrangeiros diretos (IED). Enquanto a equipe econômica do governo se preocupa apenas em fechar o fluxo de capital estrangeiro especulativo, o País vai padecer de depressão ou crescimento medíocre. O Brasil caminha na contra mão dos países mais desenvolvidos do mundo global. 

Recomendo leitura do e-book ~> Brasil tem futuro?

A partir de hoje, estarei numerando os títulos para facilitar localização de cada matéria. Para compartilhar uma determinada matéria, faça referência ao número que precede cada título. 

Ossami Sakamori







Um comentário:

  1. Para nossa infelicidade nossos governantes ainda atuam visando as eleições futuras. Não admitem que precisamos focar no aqui e agora. Não importa o quanto gritemos ou berremos pois eles são quem dão as cartas. Nosso modo de votar influencia demais nessas questões por que somos um povo extremamente influenciável por discursos e propagandas, nos esquecendo que nossos políticos fazem o diabo para se manterem no poder e o inferno para entrar nele. Equivocada e mau direcionada nossa economia ficará ao relento tomando rajadas de ventos frios vindo de qualquer gripe externa ou interna. Vamos recorrer a quem? Ao Papa?

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