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sábado, 13 de agosto de 2016

34. Meirelles só tem única bala de prata



Infelizmente, não há bala de prata para tirar o Brasil da grave crise econômica, a pior desde 1929. Concordo com o ministro da Fazenda Henrique Meirelles, de que não há milagre que possa produzir para tirar o País do atoleiro que se meteu. No entanto, a matriz econômica liberal defendida por nós, é totalmente oposta daquela que preconiza o ministro da Fazenda do governo Temer.

Quem está a falar da única bala de prata é o ministro da Fazenda Henrique Meirelles, chefe da equipe econômica do governo Michel Temer. Meirelles insiste em dizer que a solução para a retomada do crescimento do País é o ajuste fiscal. No entanto, o ajuste fiscal proposta por Meirelles é perenizar o déficit fiscal primário e déficit fiscal nominal. Ajuste fiscal por si só, não tira o País do fundo do poço. 

Não sei como os investidores diretos (não especulativos) nacionais e estrangeiros possam dar credibilidade para política econômica que estabelece o teto dos gastos públicos nos níveis de déficit primário de R$ 170 bilhões, equivalente a cerca de 3,2% do PIB. Considerando os gastos com juros, sem considerar as amortizações da dívida pública, o déficit fiscal nominal é de cerca de 6,5% do PIB. Só mesmo pagando os juros mais altos do mundo para atrair capital especulativo internacional. 

Mantido a atual política econômica e política monetária defendidas e executadas pela equipe econômica do Temer, a dívida pública bruta, federal, deverá alcançar 100% do PIB nos próximos 6 anos e nos próximos 10 anosa pública federal bruta deverá dobrar em termos reais.  Ao contrário do que afirma o ministro da Fazenda Henrique Meirelles, o quadro não está nada animador para investimento nos setores produtivos. 

Quem faz festa com a atual política econômica são os investidores especulativos nacionais e internacionais. O fluxo de capitais estrangeiros especulativos está facilitando o financiamento da dívida pública federal, mas está dificultando a política cambial. O dólar baixo (real valorizado) é uma das consequências da política equivocada, criamos empregos no exterior e deixamos de criar emprego aquém fronteira. 

Há um equívoco generalizado de que o dólar baixo (real valorizado) é consequência da política econômica correta. O dólar baixo (real valorizado) foi um dos equívocos da política econômica dos governos do PT, sobretudo do governo Lula da Silva, para quem o Henrique Meirelles serviu como presidente do Banco Central.  O dólar baixo (real valorizado) traz a "sensação do poder de compra", para enganar a população com a falsa "sensação de bem estar", mas vai na contramão do desenvolvimento sustentável. 

A presidente afastada Dilma ganhou eleições em 2014, com todos ingredientes de populismo explícito. A atual crise econômica que País atravessa tem origem na gestão do Lula da Silva, para quem o Meirelles serviu fielmente nos 8 anos do governo petista. Henrique Meirelles não mudou de "hábito", ele é o mesmo que formulou a política econômica que deu origem a mais grave crise econômica que País já viveu na história contemporânea. Creditar atual crise econômica apenas à presidente Dilma esconde a origem da crise econômica que se deu início no ano de 2003, durante gestão do Meirelles no Banco Central. 

Sim, a atual crise econômica, a mais grave dos últimos 100 anos, não se combate com apenas uma "bala de prata". A bala de prata do Meirelles é o ajuste fiscal, impondo pesado ônus para a população, como criação ou aumento de alíquotas de novos impostos e ou contribuições para manter o atual "teto dos gastos", com rombo de R$ 170 bilhões no Orçamento Fiscal primário.

Meirelles não é ministro da Fazenda de um País que busca o desenvolvimento sustentável. Meirelles é apenas banqueiro à serviço dos investidores especulativos. Foi na gestão do Meirelles à frente do Banco Central que o setor industrial do País que em 2002 respondia com 26% do PIB, terminou com participação de 13% do PIB no final do governo Lula da Silva.  

A saída para a crise econômica exige no mínimo 4 "balas de prata", não apenas uma. Além do ajuste fiscal defendido pelo Meirelles, o crescimento sustentável necessita de mais 3 balas, quais sejam: política cambial que incentive as exportações, política monetária que incentive o setor produtivo a fazer investimentos diretos nas fábricas e adequado controle da base monetária para debelar a inflação. 

As 3 novas balas de prata, a política cambial, a política de juros e depósitos compulsório dos bancos já foram objetos de matérias anteriores deste blog, para quem queira se aprofundar. 

Quem pensa que a atual crise econômica se resolve apenas com uma bala, está totalmente equivocado. 

Ossami Sakamori



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