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quarta-feira, 7 de setembro de 2016

38. Michel Temer, o míope funcional.


A notícia não poderia vir na pior hora, o IBGE divulgou previsão de redução na área de plantio dos grãos da próxima safra de verão em 11% em relação a 2015. Considerando a produtividade normal na próxima safra, a produção de grãos vai cair na mesma proporção. isto traz reflexo no PIB do ano que vem, 2017, não temo como fugir. 

Antes da divulgação do IBGE sobre atividade agrícola para a próxima safra de verão, o ministro da Fazenda Henrique Meirelles afirmava que a estimativa de crescimento do PIB para o ano que vem seria o crescimento de 1,6% do PIB. De início não saberia dizer donde ele tirou esta previsão otimista, porque o Boletim Focus apontava crescimento do PIB de 1,2%. Receio que a previsão do Meirelles não se concretize.

A agricultura brasileira, em 2015, respondia por 23% na formação do PIB. Considerando o mesmo parâmetro para o ano de 2016 e considerando a produtividade média do próxima safra de verão nos padrões brasileiros, o setor agrícola vai contribuir na formação do PIB de 2017 "negativamente" em 2,04%. No mercado internacional dos commodities o preço dos grãos mantém estável, no patamar de preço deprimido, para contribuir com o fator negativo. 

Vamos considerar também que a safra agrícola dos Estados Unidos, maior produtor de grãos do mundo, está com produção com bom nível de desempenho. Diante do quadro traçado, o preço dos grãos deverão continuar estáveis, no mesmo patamar de 2016. O setor agrícola que foi a locomotiva da economia do País, pela primeira vez sofre revés expressivo. 

Para manter  a previsão de crescimento de 1,6% do PIB do ministro da Fazenda Henrique Meirelles é necessário que a economia como todo cresça 4,64% para compensar a perda do PIB decorrente do setor agrícola. Por outro lado, a equipe econômica do Temer não tem apresentado nenhum plano que justifique o crescimento econômico para o próximo ano, a não ser o ajuste fiscal que, ao contrário, no primeiro momento, produz retração à economia. 

Eu já manifestei meu ponto de vista de que a política econômica do Meirelles necessita de "gatilho" ou um "plano de desenvolvimento sustentável" com implementação de política econômica e política monetária que "induza" para que isto torne realidade. Como não há, sendo realista, o crescimento do PIB ficará, na melhor das hipóteses para o ano de 2018. Para completar a análise, o decréscimo na produção do setor agrícola trará consequência imediata no índice inflacionário, dificultando ainda mais a execução da política monetária pelo Banco Central. 

Receio que o "falso" clima de otimismo do governo Temer, transforme em mais uma "frustração" do povo brasileiro, já cansado de ver sucessivos planos fracassados. Vamos torcer que o Michel Temer tenha visão "macro" do que simplesmente focar toda política econômica no "ajuste fiscal". A miopia da Dilma levou o Brasil na grave crise econômica, a pior desde 1929. Recomendo que presidente Michel Temer, faça consulta sobre a sua acuidade visual e corrija urgentemente a sua política econômica e monetária. 

Como saída da crise econômica brasileira, recomendo leitura do meu e-book sobre uma  nova matriz econômica .

Ossami Sakamori


Um comentário:

  1. Pelas últimas falas de Meirelles, entendo que ele poderia iniciar seus pronunciamentos, dizendo:
    - Na minha opinião ...
    ou,
    - Acho que vai ser assim ...
    ou ainda,
    - Imagino que acontecerá isso ...
    Porque penso isso?
    É só comparar os números dele com os números da realidade do mercado.
    Ou então, ler diariamente as letras de Sakamori.
    Que tal ministro Meirelles?

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