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sábado, 24 de setembro de 2016

42. Brasil está sem rumo!

Crédito da imagem: Estadão

Para Paulo Leme, presidente do banco americano Goldman Sachs, a mudança de governo é uma condição necessária, mas não suficiente para clarear o horizonte econômico do País. O presidente do banco americano no Brasil, aponta como dificuldade para o governo Temer, tomar decisões não só no plano fiscal, mas também no que tange às reformas estruturais da economia para que o País possa sair dessa crise, se referindo ao difícil quadro da economia do momento.  Isto foi dito ao tradicional jornal Estadão. 

Paulo Leme apresenta, ainda, como problema, a dificuldade em implementar as reformas e o ajuste fiscal, quando começa a reverter uma série de benefícios e decisões passadas, sem que haja enfrentamentos políticos. Ainda, na entrevista para o jornal Estadão, o presidente do Goldman Sachs afirma que vencer esses obstáculos é o próximo grande desafio do governo, sem o qual as boas intenções de uma boa equipe (sic) não serão suficientes para resolver a crise.

Meu comentário sobre a atual conjuntura vai além da observação do banqueiro Paulo Leme do Goldman Sachs. É certo que o ajuste fiscal e reformas estruturantes fazem parte da agenda positiva do governo Temer conforme Paulo Leme, mas na minha opinião não são suficiente para garantir o desenvolvimento sustentável do País. A agenda que se diz positiva é base, mas não há componentes que leve o País ao crescimento econômico, os tais gatilhos, dito por mim. 

O PEC do teto dos gastos em tramitação no Congresso Nacional nada mais do que a oficialização do "déficit primário" que contraria a Lei da Responsabilidade Fiscal. O governo Temer, usa do precedente aberto pelo governo Dilma, em 2015, que oficializou o "déficit primário" através do PLN 5/2015, transformando o "superávit primário" previsto no LDO, de R$ 55,3 bilhões em um "déficit primário" de R$ 119,9 bilhões. Isto aconteceu no dia 2 de dezembro do ano passado. O governo Temer caminha no mesmo trilha da Dilma. Sem a aprovação do PEC do teto dos gastos que autoriza o "rombo" no orçamento fiscal de R$ 170,5 bilhões para este ano, Michel Temer estará sujeito ao processo de impeachment como que aconteceu com a ex-presidente Dilma. Por isso, a mobilização da base aliada para aprovação do PEC do teto dos gastos, custe o que custar.

Quanto às reformas estruturantes, o resultado da aprovação não produzirá efeito no resultado fiscal significativo no próximo ano. As reformas da previdência social e da legislação trabalhista, que ficou para ser discutido no próximo ano, serão necessários, mas não serão gatilhos para a mudança do rumo da economia do País. No meu entender, o governo Temer fez o barulho na hora errada, desnecessariamente, já que o resultado das reformas não reflete significativamente no rombo do orçamento fiscal do curto prazo. 

O verdadeiro motivo da ausência de sinais de mudança no rumo da economia não são os ajustes fiscais e nem as reformas estruturantes, tão apregoados pelo governo Temer e pelo mercado financeiro. Os ajustes fiscais e as reformas estruturantes são apenas "pré-condições" ou "deveres de casa" para o crescimento sustentável, mas não são gatilhos para dinamizar a economia em estado de "depressão".

O verdadeiro motivo do "não investimento" em setores produtivos do País vem do ambiente econômico crítico, grande parte criado pelo próprio governo.  O dólar barato (real valorizado), inflação próximo de dois dígitos (último dado 8,9%) e a taxa básica de juros reais acima de 5% ao ano (taxa Selic 14,25%), fazem com que os empresários optem pela aplicação dos recursos na "especulação" ao invés de investimentos nos setores produtivos. O ambiente econômico está mais para investimentos especulativos do que para investimentos produtivos. 

Em comum com o comentário do Paulo Leme, a minha opinião converge apenas no ponto de que o ajuste fiscal e as reformas estruturantes por si sós, não são suficiente para mudar o rumo do País. 

Resumo da ópera: Brasil está sem rumo, jogado à própria sorte!

Ossami Sakamori
@BrasilLivre

Um comentário:

  1. O Brasil foi vampirizado, nada mais circula no sistema econômico , e tá cheio de parasitas que não vão largar isso aí nunca.
    Só vendendo tudo , talvez um dia volte a engatinhar.

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