Receba os novos posts pelo seu e-mail

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

43. Brasil ainda não saiu do buraco!

Crédito da imagem: Exame

A notícia não poderia vir no pior momento para o governo Temer, a arrecadação do governo federal despencou mais uma vez. O governo tem se esforçado para mostrar à população que a economia voltou à estabilidade. A grande imprensa e articulistas de renome no cenário nacional tem repetido o "release" do Planalto de que a economia já chegou no fundo do poço. Ledo engano! Nada disso é verdadeiro.

A arrecadação do governo federal no mês de agosto somou R$ 91,8 bilhões, um recuo de 10,12% em comparação ao mesmo mês de 2015. Em relação ao mês de julho deste ano, houve  queda de 14,90%. O número corresponde ao pior desempenho para o mês de agosto desde 2009, que em valor corrigido para o mesmo mês foi de R$ 85,12 bilhões. Vamos lembrar que aquele mês, o de 2009, foi o auge da crise financeira mundial de 2008. 

A notícia de ontem, desmente o fato narrado pelo Palácio do Planalto e pelos articulistas econômicos de que a economia mostra estabilidade com viés de melhora. O meu pensamento externado neste espaço, ganha consistência com o número apresentado pela "tesouraria" do governo federal.  Eu tenho afirmado que as medidas de ajustes fiscais não são suficiente para o País entrar no rumo do crescimento. Falta o gatilho ou os gatilhos para que o Brasil entre, novamente, na rota do crescimento sustentável.

Os gatilhos que me refiro passa necessariamente pela política de juros e política cambial, ambas medidas de iniciativa do Banco Central do Brasil. O governo Temer, como aconteceu com os governos do PT, pratica política cambial, supostamente, flexível e uma política de juros Selic como único instrumento para controlar a inflação. Em tese, a equipe econômica do governo Temer, segue as dogmas do FMI, as de câmbio flexível e controle da inflação via política de juros, como únicos instrumentos disponíveis para balizar o crescimento do país.

O dólar baixo (real valorizado) atende apenas ao controle forçado da inflação e produzir sensação de "poder de compra" da população, mas não atende os interesses do País. O dólar baixo (real valorizado) cria emprego no exterior, porque desestimula os investimentos nos setores produtivos como agronegócio e indústria, os carros chefes da criação de empregos, aquém fronteira. O dólar baixo (real valorizado) cria emprego na China e nos países desenvolvidos como na Alemanha e nos Estados Unidos. Estes países agradecem pelo dólar baixo (real valorizado).

Por outro lado, a prática de taxa de juros Selic muito acima da inflação (mais de 5% ao ano), não só aumenta o endividamento do governo federal em termos reais, mas é fator importante para a realimentação da inflação. Vamos lembrar que a inflação é resultado da expansão da base monetária. Chega a ser cômico, o Banco Central e o próprio mercado admitir que a taxa Selic (juros reais de 5%) é único instrumento para o controle da inflação. Ninguém fala em contração da base monetária para o controle da inflação. De certo, a equipe econômica e os articulistas da grande imprensa, não assistiram as aulas básicas da economia. 

Como alternativa à atual política monetária, o câmbio deve ser administrado com utilização dos instrumentos como: dólar no mercado "spot" (à vista), mercado futuro de moeda estrangeira, swap cambial tradicional e swap cambial tradicional. A inflação se controla com a contração ou expansão da disponibilidade da moeda no mercado. O Banco Central tem instrumentos como depósito compulsório dos bancos, que auxilia no controlo a oferta de moeda no mercado, não apenas pela manipulação da taxa básica de juros Selic. O controle da inflação apenas pela taxa básica de juros é falsa dogma!

Aqueles que ainda tem dúvida à respeito do tema, recomendo a leitura do meu e-book: BrasiltemFuturo? ou ainda acompanhar meus posts neste blog. Para facilitar compartilhamento das matérias deste blog, elas são precedidas de número para melhor identificação.

Ossami Sakamori



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Espaço reservado para expressão de livre pensamento, desde que obedecidas as boas regras de civilidade. Não permitimos o uso de palavras incompatíveis com o propósito deste blog.