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domingo, 23 de outubro de 2016

54. Brasil é um trem parado!

Crédito da imagem: Exame

O empresário Benjamim Steinbruch, diretor-presidente da CSN e 1º vice-presidente da FIESP, escreveu na sua coluna dessa semana, na Folha de São Paulo, de que a agenda de crescimento é coisa séria e que não se pode ter ilusão de que o aumento de produção e do emprego será uma decorrência natural do ajuste fiscal. O pensamento do comandante da maior siderúrgica do País vai na mesma linha das inúmeras matérias postadas neste blog sobre a política econômica do governo Temer.

Tenho feito duras críticas à política monetária do governo, sobretudo na política cambial e na política de juros. O empresário chama atenção sobre a irresponsabilidade monetária praticada pelo governo que vem custando ao País, cerca de R$ 200 bilhões ao ano, pelo "valor pago a mais" nas suas captações de recursos devido a uma taxa básica de juros fora do lugar. Reforça o empresário sobre a taxa de juros : "muitos pontos acima do nível civilizado".


No dia 3 de setembro, escrevi neste blog: 36. Falta o gatilho na economia , com conteúdo na mesma direção da crítica feita pelo empresário Benjamim Steinbrurch da CSN sobre a política monetária do governo Temer. Veja os trechos daquela matéria deste blog:


Henrique Meirelles próximo de completar 4 meses à frente da equipe econômica, não apresentou ainda, nenhum plano para saída da grave crise econômica que se meteu o País. Vamos lembar que a atual crise econômica é a prior desde 1929, ano da depressão mundial. O plano de ajuste fiscal é insuficiente para tirar o País da encrenca que se meteu. 

Meirelles limita-se a apresentar o plano de ajuste fiscal através do PEC do "teto" dos gastos, que nada mais é do que o "piso" dos gastos do governo federal. Na prática a PEC é uma Emenda Constitucional que substitui a Lei da Responsabilidade Fiscal de 2000. O PEC estabelece como o teto o "déficit primário" de 2016, que na prática servirá como piso dos gastos para próximos 20 anos. 


O governo Temer tem apostado todas fichas na aprovação da PEC 241, do teto dos gastos, para "retomar a confiança", segundo o ministro da Fazenda Henrique Meirelles. O presidente Temer, em sua fala, aponta a PEC 241 como o evento mais importante desde 1988. Michel Temer quer ser marcado como presidente que tomou medida a mais importante do que o próprio Plano Real da dupla Itamar Franco/FHC, por isso a regressão do ano citado. Nada disso é verdadeiro, a afirmação do presidente Itamar. Muitos economistas com capacidade reconhecida, apontam como inadequada a constitucionalização das medidas temporais, assim como já foi amplamente expostas neste blog.

O mais grave é que o governo Temer não apresentou, até o momento, a saída para a mais grave crise econômica que o País atravessa desde 1929 (a grande depressão mundial). Este é o ponto de convergência entre o pensamento manifestado neste blog e do ícone do empresário bem sucedido, o Benjamim Steinbrurch.

Quem viver verá materializado, infelizmente, o equívoco da política econômica do governo Temer, sobretudo na prática de política monetária danosa para o País e a ausência das medidas para saída da mais grave crise econômica que o Brasil passa. 

O Brasil se assemelha a um trem parado à espera de um verdadeiro condutor.

Ossami Sakamori
BrasilLivre


3 comentários:

  1. O que mais impressiona é que entre as medidas imediatas está o aumento da idade mínima para aposentadoria, elevando para 65, mas será apenas uma pena aplicada ao trabalhador, a medida é aprovada pelos banqueiros,quem realmente sempre ganhou, qualquer que seja o governo que esteja na situação. Situação difícil, só a do trabalhador

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  2. A PEC 241 pode, de imediato,confundir e assemelhar-se a um equívoco, já que o trem além de parado está estragado. No entanto, é necessário que se dê o primeiro passo, algo tem que ser feito, apesar de o condutor estar usando o celular.
    O que se deve evitar, portanto, é uma batida frontal com a desconfiança que se instalou no País devido a implantação de um sistema de governo que se julgava eterno e sempre jogava a sujeira para debaixo do tapete, estufando-o de tal maneira que ameaça explodir a cada minuto e, como numa erupção jogar m* por todos os lados.
    Assim, o mínimo que podemos dizer é que o condutor (embora ao celular) já pegou o trem parado que fingia estar sobre os trilhos, e o que se ouvia era apenas o apito e a lenha alimentando a fornalha.
    Dr. Ossami Sakamori - sempre à frente, denunciando e sugerindo formas que poderiam muito bem ser aproveitadas, propostas simples e diretas mesmo antes da crise, agora me parece ir contra suas sugestões.

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  3. Nosso prezado professor Sakamori, sempre lúcido e claro, com maestria, tem oferecido saidas eficientes para as dificuldades que o nosso pais tem enfrentado.
    Ocorre que aqueles que tem o poder de alterar as coisas não dão valor ao nosso engenheiro lá de Curitiba, que se fosse consultado em muito ajudaria a retomada da marcha desse trem parado.
    Já com relação à Temer, às vezes me parece que sua real intenção com a PEC 241, era conseguir somar grande maioria de votos, o que acabou ocorrendo (jantares à parte), para que o país começasse a vê-lo como um presidente muito prestigiado pela classe política.
    Só isso.
    Economia?
    Bem, aí já é outra coisa.
    Vamos em frente ...

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