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terça-feira, 22 de novembro de 2016

62. Petrobras. Vende o almoço para poder jantar.


O fato relevante comunicado pela Petrobras é que uma liminar foi concedido pela Justiça proveniente de uma "ação popular", que suspendeu a venda de campos de petróleo operados pela Petrobras. Trata-se da venda de 100% do campo de Baúna e 50% do campo de Tartaruga Verde, ambos localizados na Bacia de Campos. 

A venda de campos de petróleo, suspensa pela Justiça, faz parte do plano de "desinvestimento" da Petrobras, previsto para o biênio 2015 e 2016, que pretendia arrecadar US$ 15,1 bilhões. A Petrobras pretende vender, também, no biênio 2017 e 2018 mais US$ 19,5 bilhões de ativos, sobretudo, os campos de petróleo, seja em terra ou mar. 

A Petrobras já havia vendido 66% do campo Carcará no pré-sal, na Bacia de Campos, para a estatal norueguesa Statoil por US$ 2,5 bilhões. Lá se vão os "filés mignon" que poderiam gerar receitas para a Petrobras, no curto prazo. A Petrobras está abrindo mão de receitas valiosas para tentar aliviar a dívida de curto prazo. 

Está, também, no portfólio de venda da Petrobras, entre outros ativos: terminais de gás natural liquefeito (GNL) e termelétricas associadas; 50% da participação na BR Distribuidora; Liquigás Distribuidora e campos de petróleo e gás em terra e em águas rasas. Maioria deles já produzindo receitas. Alguns destes ativos já foram vendidos. 

Todo este esforço da Petrobras é para diminuir o endividamento da empresa que se aproxima dos R$ 500 bilhões. Mesmo com o sucesso de venda, em tese, a Petrobras continuará devendo cerca de R$ 350 bilhões no câmbio de hoje, sem contar com os novos endividamentos para expansão da exploração no pré-sal. É de supor que a Petrobras com esta manobra de "desinvestimento, pretende é, apenas, "alongar" o perfil da dívida.

Desta forma, sem medo de errar, afirmo que "a Petrobras vende o almoço para poder jantar". É mole, isso! Esta é a situação real da empresa "orgulho nacional". 

Ossami Sakamori



segunda-feira, 21 de novembro de 2016

61.Decifre o enigma da Previdência Social.


Educação previdenciária, na definição do Ministério da Previdência é "informar e conscientizar a sociedade sobre seus direitos e deverem em relação à Previdência Social, com a finalidade de assegurar a proteção social aos cidadãos". Mas, não se resume só a isso. É um conceito novo e amplo, um conjunto de informações que precisam ser balanceadas e levadas em conta pra quando o indivíduo precisar do benefício, o que não acontece só quando este envelhece. Existem os riscos sociais que a pessoa corre desde o nascer, como ficar órfão, invalidar antes mesmo de começar a vida produtiva, o falecimento e a finitude ou diminuição da capacidade laborativa, que fatalmente acontece com a chegada da velhice.

A preocupação previdenciária não é diferente da preocupação com a segurança no trânsito, no trabalho e mesmo com relação ao patrimônio e à segurança pessoal. Se não se é previdente, ou seja, não prevê, não vê com antecedência, pode ser surpreendido com uma situação de perda e ter que depender da boa vontade financeira da família ou da sociedade. Daí a necessidade de mitigar estes riscos e, sem informação e formação, podem acontecer duas coisas: ser acometido de algum infortúnio e não ter onde se apoiar solidamente ou descobrir que o que se tem é incompatível com a sua realidade, o que é muito comum.

A principal ideia da educação previdenciária é motivar a população a poupar para a aposentadoria. Enquanto este tema não entra nos currículos escolares, precisamos começar a pensar em formas de praticá-la, o que é fundamental para criar a cultura que levará ao planejamento e, consequentemente, à tranquilidade no momento de se despedir, já na terceira idade, do mercado de trabalho. 

Temos um longo caminho a percorrer, pois a cultura largamente difundida, que se busca a todo custo, é o "ficar rico". Os jovens acreditam que são eternos. Principalmente os do sexo masculino. É exatamente por esta razão que tantos jovens do sexo masculino morrem por imprudência. Se eles são assim hoje, como poderemos esperar que sejam pré-vidente, ou seja, pensem no amanhã?

Enquanto não se tem uma solução para este problema da educação previdenciária, que está dentro de um problema maior, que é a educação como um todo, algo precisa ser feito. Não dá para esperar e, menos ainda, para ficar procurando os culpados. A boa notícia é que, neste quesito, o Brasil não está na lanterna, há muitas nações tidas como "primeiro mundo" que estão muito longe de atingir o patamar em que nos encontramos. 

Em relação aos fundos de pensão, os trabalhadores brasileiros estão entre aqueles que mais têm controle sobre estes, o que resultou na necessidade de defendê-los. O caminho que nos trouxe a este estágio foi exatamente a luta e busca do conhecimento, pois apenas lamentações e agressões verbais não resolvem esta ou qualquer outra questão. Tudo tem a sua finalidade e, também, o seu momento. 

Uma das maneiras de tentar não ser devorado por monstro da previdência é ser contribuintes do Regime Geral de Previdência Social - RGPS, previdência pública, que é mais conhecido como INSS, que é autarquia que o administra, que, outros ainda tem a chance de contribuir para o fundo de pensão, mas estes sofrem ataques constantes e de todos os lados. Vejam que por um longo período se tentou, e ainda se tenta, acabar com eles. E em muitos casos conseguiram. Foi o caso da Funterra (Fundo de Pensão do Criss - Consórcio Rodoviário Intermunicipal do Estado de Goiás S.A.).

Estão juntos nesta empreitada de acabar com os fundos de pensão: os liberais, que têm interesses econômicos e defende os interesse dos bancos e seguradoras, e também os militantes de extrema esquerda, que dizem que lutam pelos interesses dos trabalhadores, mas que, contraditoriamente, os seus "interesses ideológicos" são os mesmos dos banqueiros que eles tanto dizem combater.

Numa das coisas, os militantes, com toda sua miopia, tem razão, pois tanto a previdência pública quanto as privadas, independentes de serem as abertas de bancos e seguradoras ou os fundos de pensão mantidos e patrocinados por empresas e ainda os associativos que são instituídos pelas entidades de classe, foram criadas e são mantidas dentro da lógica liberal, tanto quanto o são, os próprios sindicatos. O que eles não conseguem entender é que os fundos de pensão são importantes instrumentos de seguro e de formação de poupança, que mitigam os efeitos nocivos do próprio liberalismo, que é a essência do capitalismo. Esses fundos resultam, ainda, em renda vitalícia em caso de invalidez ou aposentadoria, após decorrido um determinado período, não tendo que necessariamente ser na velhice, além, é claro, do pagamento de pensão por morte daquele que é detentor dessas poupanças previdenciárias. 

Resumidamente, enquanto a educação previdenciária não se transforma em uma política de Estado, cabe às entidades associativas, principalmente a sindical e as instituições administradoras de previdência, promover palestras, debates, seminários e cursos, não se esquecendo dos meios de comunicação disponíveis, tanto os tradicionais, como rádios, televisões e jornais, como também os novos recursos tecnológicos: SMS, blogs, sites, web, TVs, redes de relacionamentos e tantos outros. 

Portanto, aquele que não conseguir decifrar o enigma da previdência, será devorado pela mediocridade. 

Jesus Divino Barbos de Souza 

Consultor previdenciário.
Diretor para Assuntos Previdenciários da AFACELG (Associação dos Funcionários Antigos e Aposentados da Celg) e autor do: "Previdência, o blog do Jesus" .



sábado, 19 de novembro de 2016

60. Brasil atolado no lamaçal da mediocridade.


Crédito de imagem: Correio Brasiliense

Ilan Goldfajn emitiu conceito contrário ao que pratica hoje, na sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal, quando da indicação para o cargo de presidente do Banco Central do Brasil. Disse na ocasião, que dentro do seu conceito basilar, o câmbio deveria ser "totalmente flutuante", sem intervenção do Banco Central.

No dia 1/7/2016, portanto há 4 meses e meio, comentei neste mesmo blog sobre o conceito de "câmbio flutuante", sob o título 10. Ilan Goldfajn do BC mentiu no Senado, defendido pelo atual presidente do Banco Central, contrariamente ao que ele pratica no "dia a dia" frente à Instituição guardião da moeda. Nada como um dia atrás de outro para revelar a verdadeira identidade de uma pessoa. 

Pelo histórico dos últimos meses, o Banco Central tem feito intervenções fortes no câmbio, com os tradicionais mecanismos de controle cambial, estabelecendo como o "piso" informal a R$ 3,20. Toda vez que o dólar flutua abaixo do "piso", o Banco Central intervém com o mecanismo conhecido como "swap cambial tradicional", que nada mais do que a promessa de compra dos títulos atrelados à cotação do dólar, no futuro. 

Com a eleição do presidente Trump nos Estados Unidos e declaração da presidente do FED (Banco Central americano) de que haverá subida dos juros dos títulos do Tesouro americano no curto prazo, está havendo "fuga" de dólares sobretudo àqueles aplicados em títulos do Tesouro brasileiro. E novamente, o Banco Central tem atuado fortemente fazendo intervenções com o "swap cambial reverso", que nada mais é do que a venda de títulos indexado ao dólar com garantia de liquidação no futuro. Os mecanismos denominados de "swaps cambiais" (tradicionais ou reversos) servem de "hedge" (proteção) para empresas e instituições que tem compromissos expostos em moeda americana.

Na minha opinião, o Banco Central está perdendo a oportunidade de deixar a moeda americana flutuar até aos níveis que traduzam competitividade aos produtos brasileiros no exterior. Se considerar o poder de compra do real à época de implantação do Plano Real, o dólar deveria estar cotado acima de R$ 4,20. Uma vez por toda, o governo, Banco Central e o empresariado brasileiro devem rever o conceito de "dólar baixo" ou do "real forte" que é fator inibidor do "crescimento sustentável" do País.

Há que mudar a política monetária (Banco Central) que trabalhe com uma política cambial realista, que favorece as exportações em detrimento das importações e uma politica de juros menos perversos que estimulem os investimentos produtivos. Se o governo federal, não consegue estabelecer uma política econômica e política monetária que vise o desenvolvimento sustentável, não vejo esperança que o Brasil melhore nos próximos anos. 

Pelo caminho escolhido pela equipe econômica do governo Temer, o Brasil caminha para a eterna classificação dentre "países medíocres" ao invés de estar disputando posição de "vanguarda" no mundo desenvolvido.  Fico muito triste ver o País com tanta potencialidade, mas atolado no lamaçal de mediocridade. 

Ossami Sakamori
@ApoioJuizMoro


terça-feira, 15 de novembro de 2016

59. Em 2017, o efeito Temer na economia será devastador!

Crédito da imagem: Estadão

Em entrevista ao programa Roda Viva da TV Cultura de São Paulo, presidente da República Michel Temer afirmou que não tem preocupações em "perder seu cargo" em razão das investigações do TSE, num processo impetrado pelo PSDB no TSE pedindo cassação do registro da chapa Dilma/Temer nas eleições de 2014. De fato, a preocupação é do povo brasileiro, exposto aos sucessivos crises políticas.

Disse o presidente Temer: "Acredito piamente que a figura do presidente da República e do vice são "aparadas" (sic). As contas são julgados juntamente e prestados em apartado." Michel Temer afirma ter legitimidade constitucional para ocupar o cargo, pois que foi eleito para o cargo por uma conjugação do PMDB com o PT. Segundo presidente, se não fosse o apoio do PMDB na chapa dele com a Dilma, a então presidente correria o risco de não ser reeleita. Presidente Temer afirma com contundência de que faz parte da chapa, indissociável, Dilma/Temer. 

Presidente Temer afirmou ainda que ele chegou à Presidência da República pelas vias constitucionais, em condições dificílimas, "com um País quase à beira de um precipício econômico". Disse ainda que tomou medidas para a crise e que seu sonho nos dois anos e dois meses é ouvir que colocou o País nos trilhos (sic). Ele disse não descartar "que venha um aventureiro em 2018 e ganha eleições" (sic) para a Presidência da República comparando o  quadro político brasileiro com a eleição do Donald Trump à presidência dos Estados Unidos. 

Vamos aos comentários:

Quando do processo de impeachment da presidente Dilma, Michel Temer fez força, no exercício do cargo de presidente, para que efetivamente ocorresse a cassação de mandado do titular da chapa Dilma/Temer. Vamos lembrar que Michel Temer foi eleito na chapa que contou com a participação efetiva na campanha do seu partido. O próprio presidente Temer afirma que sem o concurso do PMDB, partido dele, a chapa não teria vencido a chapa do Aécio Neves, PSDB/MG. Verdade, Temer afirma que Dilma/Temer é indissociável. 

Na hora do "bem bom", para substituir a  Dilma no cargo de presidente da República, Michel Temer exigiu o cumprimento da Constituição da República, como substituto legal porque fazia parte da chapa Dilma/Temer que os elegeram em 2014. Em outras palavras, Temer manifestou àquela ocasião que a chapa Dilma/Temer era indissociável, uma chapa "uno". O próprio processo de registro do TSE prevê o registo da "chapa" e não dos candidatos à presidência e vice-presidência, "apartadamente" (sic). 

Michel Temer no exercício do cargo de presidente da República, diante do processo de cassação da chapa Dilma/Temer pelo TSE, quer tentar "apartar" (sic) a prestação de conta da campanha, como se o registro das candidaturas fossem feitos "apartadamente" (sic). As conveniências falam mais alto que a própria lógica.

O País está cheio de interpretações de filigranas jurídicas conforme conveniências do momento. No caso presente, na ocasião do impeachment da Dilma, a chapa Dilma/Temer era "uno" (indissociável). Na defesa do processo de cassação da chapa Dilma/Temer, o presidente Temer, quer "apartar" a chapa Dilma/Temer para livrar-se da cassação do seu mandato. Uma hora uma coisa, outra hora outra coisa. Tudo de acordo com o interesse do momento. 

Numa eventual cassação do mandato do presidente Temer, tomará posse o presidente da Câmara, que convocará eleição indireta para o cargo de presidente da República para o restante do mandato que vai até 31 de dezembro de 2018, em 90 dias. Michel Temer, se for cassado a chapa Dilma/Temer pelo TSE, ficará inelegível por 8 anos a qualquer cargo eletivo. Esta situação não é novidade na história política do País.

O País poderá, em 2017, provavelmente, em mais um fatídico mês de agosto, experimentar a cassação do mandato do presidente Michel Temer. Se é para fazer a faxina geral, que se faça completa, assim o povo se livra do estigma de um país "hipócrita e desonesto", uma vergonha para o povo brasileiro. Assim sendo, Michel Temer poderá ser cassado pelo TSE no ano que vem. 

No meu entender, o efeito Trump, citado pelo Temer, é apenas cortina de fumaça para esconder as nossas mazelas políticas e verdadeiros problemas econômicos. O ano de 2017, será um ano de turbulência política, querendo ou não querendo os atores políticos e econômicos. 

Em 2017, o efeito Temer na economia será devastador! Ou exatamente oposto, não sabemos. 

Ossami Sakamori
@ApoioJuizMoro


sábado, 12 de novembro de 2016

58. Dólar pode bater R$ 4,23.


Tentar adivinhar a cotação de dólar para o final do ano é exercício de futurologia que foge a qualquer lógica matemática. No entanto, pela insistência dos leitores deste blog, vou expor alguns parâmetros que poderão servir de orientação na decisão de compra ou venda da moeda americana para os próximos dias. Para os profissionais do mercado financeiro há outros indicadores econômicos não analisados aqui, que servem de base para chegar numa provável cotação para os próximos meses.

Seguem as minhas considerações:

O efeito da eleição do Donald Trump ao cargo de presidente dos Estados Unidos da América, contrariando a expectativa da eleição da Hilary Clinton, vem mexendo o mercado de moeda no mundo todo. Há também a expectativa da decisão do FED (Banco Central dos EEUU) de promover um ligeiro aumento da taxa básica de juros da dívida americana na próxima reunião. 

No front interno, a instabilidade econômica causada decorrente da apreciação das medidas na área da previdência, torna a economia brasileira vulnerável, até o final do próximo semestre (2017). 

Há também a expectativa da cassação da chapa Dilma/Temer pelo TSE, para o próximo semestre, causando instabilidade política nos próximos meses. Novamente, o mês de agosto, poderá ser fatídico para a política brasileira, se houver cassação do mando do presidente Temer. Tudo isto, é combustível para mexer com a valorização ou desvalorização do dólar. 

Não tem como dissociar a crise econômica e da política brasileira com a cotação da moeda americana.

Historicamente, voltando os olhos para o passado recente, podemos constatar que a cotação do dólar alcançou o pico no mês de setembro de 2015, cotado a R$ 4,14, que corrigido pela inflação do período daria R$ 4,55. Vamos lembrar, também, que no mês de janeiro deste ano, o dólar estava cotado a R$ 3,92, que corrigido para o final de dezembro deste ano daria R$ 4,23.

O mercado financeiro trabalha com os "tetos" e os "pisos", sobretudo aos já testados, como referência "psicológica" para delinear a trajetória futura. Sendo assim, diante da instabilidade política interna brasileira e pela eleição do Donald Trump para presidente dos EEUU, podemos dizer que o dólar pode alcançar com maior facilidade a cotação referência de R$ 4,23. Da mesma forma, a cotação do dólar deverá encontrar resistência na cotação de R$ 4,55. 

A evidência de que a tendência da moeda americana é de trajetória de alta é vem do Banco Central do Brasil que está utilizando mecanismo conhecido como "swap cambial reverso" para tentar conter a alta do dólar. O mecanismo é o inverso do "swap cambial tradicional", que se utiliza para conter a queda do dólar. 

Dentro deste contexto, de "instabilidade" no mercado financeiro internacional, é pouco provável que o Banco Central utilize a reserva cambial para tentar conter a alta do dólar. Isto tudo, estou a falar da possível (não o provável) para o final do mês de dezembro de 2016.

Assim sendo, o dólar poderá bater R$ 4,23.

Ossami Sakamori


domingo, 6 de novembro de 2016

57. Ano de 2017, o pior ainda está por vir

Crédito da imagem: Estadão

O Estado do Rio de Janeiro decretou estado de calamidade pública nas finanças e anunciou um pacote de ajustes fiscais para enfrentar a crise. O "rombo" estimado para este ano é de R$ 17,5 bilhões. Isto parece ser a situação de "amanhã" para maioria dos estados da federação, entre eles o Estado do Rio Grande do Sul. A maioria dos estados estão tomando medidas para não serem enquadrados na Lei de Responsabilidade Fiscal de 2000. Lembrando que a PEC 241, em tramitação no Senado só vale para União.

Entre as medidas de cortes de despesas incluem a elevação de alíquota de contribuição previdenciária de 30% de todos o servidores, ativos  e inativos. Além da elevação de alíquota de  contribuição previdenciária, o governo do Estado de Rio de Janeiro, propôs o aumento na alíquota do ICMS parra, praticamente, todos os segmentos da economia. O pacote inclui também, a redução de número de secretarias de 20 para 12. Todas medidas ainda terão que passar pela aprovação da Assembléia Legislativa do Estado. Isto parece ser o cenário para demais estados da federação.

Em entrevista à grande imprensa, o secretário da Fazenda do Estado do Rio de Janeiro, Gustavo Barbosa, afirmou que "a crise financeira será pior em 2017" do que este ano. Disse o secretário da Fazenda, ainda, que: "Até o momento, apesar de toda situação, o Estado tem mantido o esforço de manter pagando o servidor até o  décimo dia útil e que tem "sobrado" de recursos tem sido direcionado à saúde e à segurança. Isto demonstra o "estado de calamidade" que podemos assistir, quase que diariamente, nos noticiários veiculados pela grande imprensa, o Estado gastando o que "sobra" para custear a saúde e a segurança pública.  

A União está se livrando de passar pela mesma necessidade em 2017. Com a aprovação do teto dos gastos públicos, a PEC 241, que estabelece como "limite" os gastos de 2016 corrigido pelo IPCA do ano, os recursos para União estão garantidos. Já manifestei em matérias anteriores de que o "teto dos gastos" acaba sendo o "piso dos gastos". Além do mais, o governo da União tem "total" autonomia para "emitir títulos da dívida pública" quando a arrecadação não alcançar a cobertura dos gastos públicos. 

Já em 2016, a União está financiando o "rombo" ou o "déficit primário" com a emissão de R$  170,5 bilhões de títulos da dívida pública. Exatamente o que prevê a PEC 241, do teto dos gastos, a medida oficializa a cobertura do "rombo" aumentando a dívida pública. Os estados e municípios, ao contrário da União, não tem onde recorrer. Entre os entes federados, União, estados e municípios, somente a União Federal está autorizado, a cobertura do "dinheiro que falta" para cobrir os gastos públicos, "emitindo títulos da dívida pública", a nossa conhecida Selic.

No cenário econômico, a União ainda falta aprovar a reforma da previdência e a reforma trabalhista, o que deverá ocorrer no primeiro semestre do ano que vem. Deverá ocorrer o julgamento do pedido de cassação da chapa Dilma/Temer, com forte tendência de rejeição da conta da campanha eleitoral que elegeu a chapa, deixando o ambiente político instável. Desta forma, vamos considerar que o primeiro semestre do próximo ano, não haverá clima para novos investimentos por parte do empresariado nacional e internacional. O clima estará carregado!

A União vai se livrar a crise fiscal em 2017, com a "cobertura" da PEC 241, que oficializa o "déficit primário". No entanto, os estados e os municípios não contarão com a ajuda da PEC 241 para contornar a situação de insolvência. Pelo contrário, a PEC 241, de certa forma, "proíbe" a União a prestar socorro aos estados e municípios.  O Estado de Rio de Janeiro já percebeu a realidade e está fazendo o dever de casa, cortando a própria carne, para enfrentar os mares revoltos. 

Num ambiente desenhado, o primeiro semestre do ano de 2017, já está perdido. O aprofundamento da crise econômica por mais um semestre, poderá dificultar ainda mais a retomada do crescimento do País. Não duvido que o próximo ano de 2017 termine com o PIB em nível estável ou mesmo no terreno negativo. Tudo que for dito ao contrário é propagando do governo Temer. 

O mar não está para o peixe. Pelo contrário, o mar está revolto para tentar qualquer aventura. Melhor ancorar os nossos barcos, pequenos ou grandes, nos portos seguros, aguardando a tempestade passar. 

O Brasil, ainda viverá os cenários da crise econômica nunca dantes vistos na história contemporânea. 

Ossami Sakamori




quinta-feira, 3 de novembro de 2016

56. Entenda o motivo porque o Brasil não cresce.


Como que confirmando os meus comentários da matéria anterior, "o ano de 2017 será mais um ano de retração", o ministro da Fazenda Henrique Meirelles afirmou ao portal do governo que, "Nós esperamos que daqui a um ano o ambiente no País seja outro e todos estejam confiantes, não só na manutenção do próprio emprego, mas também na obtenção de um emprego melhor". Discurso bonito do ministro Meirelles. 

Segundo Meirelles, a principal razão para a recessão da economia brasileira é o crescimento excessivo dos gastos públicos nos últimos anos. Neste sentido, o ministro destacou que a criação de um teto para os gastos públicos é uma mudança fundamental. Esquece o ministro da Fazenda que os gastos públicos em investimentos em infraestrutura serve de alavanca para dar início do desenvolvimento sustentável do País. Como os gastos públicos que inclui os gastos em investimentos em infraestrutura está "engessado" nos pior nível dos últimos anos, o governo Temer perde a oportunidade do uso do "gatilho" do investimento em infraestrutura para o crescimento sustentável do País.

Disse o ministro da Fazenda Henrique Meirelles: "Estamos reformando o Brasil para economia voltar a crescer". Afirmou ainda que "no momento em que eliminamos o crescimento de gastos, haverá mais recursos disponíveis para o consumo e investimentos e, portanto, o crescimento da economia". Só vamos lembrar ao ministro Henrique Meirelles de que os investimentos públicos em infraestrutura são considerados também gastos públicos, agora, "engessado" pela PEC 241. 

Em tese,  a fala do ministro da Fazenda Henrique Meirelles tem algum fundamento, mas ele esqueceu de dizer que os sucessivos "déficit primários" vem sendo pago com emissão de títulos da dívida pública. O governo federal não vem arrecadando o suficiente para pagar os gastos públicos  de custeio desde 2015. O ano de 2016 está previsto o "rombo" de R$ 170,5 bilhões ou seja, o governo pagará a conta dos gastos públicos com emissão líquida de igual montante ao "rombo" para poder fechar as contas de 2016. Isto se chama "déficit primário".

A grande verdade é de que, se não tem dinheiro nem para pagar os gastos públicos de custeio, necessitando para tanto a emissão de títulos da dívida pública para cobertura deles, o governo da União não tem dinheiro para pagar os juros da dívida pública bruta que beira os R$ 200 bilhões somente em 2016. Somado à emissão de títulos para cobertura dos gastos públicos, em tese, o governo federal está com o "rombo nominal" ou "déficit nominal" em R$ 370,5 bilhões. O "rombo nominal" corresponde a cerca de 6% do PIB. A continuar neste ritmo de crescimento da dívida pública bruta, em 5 anos, o endividamento do governo federal alcançará a cifra preocupante de 100% do PIB.

Estranho muito que a equipe econômica do governo Temer nunca faz referência aos gastos do Tesouro Nacional com o pagamento de juros reais, R$ 200 bilhões em 2016, como se os gastos com o pagamento dos juros não fossem problema do governo. Os gastos com os juros são executados fora da estrutura ministerial, ou seja, pelo Banco Central, mas convém lembrar que o Banco Central não é poder paralelo no Brasil, ele faz parte da estrutura do Poder Executivo. Vamos lembrar também que o País paga juros reais a mais entre 40 maiores economia do mundo!

Enquanto a política monetária, no governo Temer, está indo na direção oposta ao do desenvolvimento sustentável, isto é, "política cambial" inadequada e "política de juros" insustentáveis, vejo pouca chance do País entrar no eixo do "desenvolvimento sustentável" enquanto não mudar a política econômica e a política monetária.  O Brasil está como um veículo cujo motorista pisa no acelerador tentando desenvolver velocidade, mas esquecendo-se de destravar o freio de mão. 

Brasil está queimando a lona do freio!

Ossami Sakamori
@BrasilLivre