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quinta-feira, 3 de novembro de 2016

56. Entenda o motivo porque o Brasil não cresce.


Como que confirmando os meus comentários da matéria anterior, "o ano de 2017 será mais um ano de retração", o ministro da Fazenda Henrique Meirelles afirmou ao portal do governo que, "Nós esperamos que daqui a um ano o ambiente no País seja outro e todos estejam confiantes, não só na manutenção do próprio emprego, mas também na obtenção de um emprego melhor". Discurso bonito do ministro Meirelles. 

Segundo Meirelles, a principal razão para a recessão da economia brasileira é o crescimento excessivo dos gastos públicos nos últimos anos. Neste sentido, o ministro destacou que a criação de um teto para os gastos públicos é uma mudança fundamental. Esquece o ministro da Fazenda que os gastos públicos em investimentos em infraestrutura serve de alavanca para dar início do desenvolvimento sustentável do País. Como os gastos públicos que inclui os gastos em investimentos em infraestrutura está "engessado" nos pior nível dos últimos anos, o governo Temer perde a oportunidade do uso do "gatilho" do investimento em infraestrutura para o crescimento sustentável do País.

Disse o ministro da Fazenda Henrique Meirelles: "Estamos reformando o Brasil para economia voltar a crescer". Afirmou ainda que "no momento em que eliminamos o crescimento de gastos, haverá mais recursos disponíveis para o consumo e investimentos e, portanto, o crescimento da economia". Só vamos lembrar ao ministro Henrique Meirelles de que os investimentos públicos em infraestrutura são considerados também gastos públicos, agora, "engessado" pela PEC 241. 

Em tese,  a fala do ministro da Fazenda Henrique Meirelles tem algum fundamento, mas ele esqueceu de dizer que os sucessivos "déficit primários" vem sendo pago com emissão de títulos da dívida pública. O governo federal não vem arrecadando o suficiente para pagar os gastos públicos  de custeio desde 2015. O ano de 2016 está previsto o "rombo" de R$ 170,5 bilhões ou seja, o governo pagará a conta dos gastos públicos com emissão líquida de igual montante ao "rombo" para poder fechar as contas de 2016. Isto se chama "déficit primário".

A grande verdade é de que, se não tem dinheiro nem para pagar os gastos públicos de custeio, necessitando para tanto a emissão de títulos da dívida pública para cobertura deles, o governo da União não tem dinheiro para pagar os juros da dívida pública bruta que beira os R$ 200 bilhões somente em 2016. Somado à emissão de títulos para cobertura dos gastos públicos, em tese, o governo federal está com o "rombo nominal" ou "déficit nominal" em R$ 370,5 bilhões. O "rombo nominal" corresponde a cerca de 6% do PIB. A continuar neste ritmo de crescimento da dívida pública bruta, em 5 anos, o endividamento do governo federal alcançará a cifra preocupante de 100% do PIB.

Estranho muito que a equipe econômica do governo Temer nunca faz referência aos gastos do Tesouro Nacional com o pagamento de juros reais, R$ 200 bilhões em 2016, como se os gastos com o pagamento dos juros não fossem problema do governo. Os gastos com os juros são executados fora da estrutura ministerial, ou seja, pelo Banco Central, mas convém lembrar que o Banco Central não é poder paralelo no Brasil, ele faz parte da estrutura do Poder Executivo. Vamos lembrar também que o País paga juros reais a mais entre 40 maiores economia do mundo!

Enquanto a política monetária, no governo Temer, está indo na direção oposta ao do desenvolvimento sustentável, isto é, "política cambial" inadequada e "política de juros" insustentáveis, vejo pouca chance do País entrar no eixo do "desenvolvimento sustentável" enquanto não mudar a política econômica e a política monetária.  O Brasil está como um veículo cujo motorista pisa no acelerador tentando desenvolver velocidade, mas esquecendo-se de destravar o freio de mão. 

Brasil está queimando a lona do freio!

Ossami Sakamori
@BrasilLivre


Um comentário:

  1. Quem ainda tinha esperança de que Temer faria um governo de transição, da era petista destruidora para um caminho à normalidade e crescimento, já está desanimado.
    O que se está vendo desilude qualquer bom otimista.

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