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terça-feira, 15 de novembro de 2016

59. Em 2017, o efeito Temer na economia será devastador!

Crédito da imagem: Estadão

Em entrevista ao programa Roda Viva da TV Cultura de São Paulo, presidente da República Michel Temer afirmou que não tem preocupações em "perder seu cargo" em razão das investigações do TSE, num processo impetrado pelo PSDB no TSE pedindo cassação do registro da chapa Dilma/Temer nas eleições de 2014. De fato, a preocupação é do povo brasileiro, exposto aos sucessivos crises políticas.

Disse o presidente Temer: "Acredito piamente que a figura do presidente da República e do vice são "aparadas" (sic). As contas são julgados juntamente e prestados em apartado." Michel Temer afirma ter legitimidade constitucional para ocupar o cargo, pois que foi eleito para o cargo por uma conjugação do PMDB com o PT. Segundo presidente, se não fosse o apoio do PMDB na chapa dele com a Dilma, a então presidente correria o risco de não ser reeleita. Presidente Temer afirma com contundência de que faz parte da chapa, indissociável, Dilma/Temer. 

Presidente Temer afirmou ainda que ele chegou à Presidência da República pelas vias constitucionais, em condições dificílimas, "com um País quase à beira de um precipício econômico". Disse ainda que tomou medidas para a crise e que seu sonho nos dois anos e dois meses é ouvir que colocou o País nos trilhos (sic). Ele disse não descartar "que venha um aventureiro em 2018 e ganha eleições" (sic) para a Presidência da República comparando o  quadro político brasileiro com a eleição do Donald Trump à presidência dos Estados Unidos. 

Vamos aos comentários:

Quando do processo de impeachment da presidente Dilma, Michel Temer fez força, no exercício do cargo de presidente, para que efetivamente ocorresse a cassação de mandado do titular da chapa Dilma/Temer. Vamos lembrar que Michel Temer foi eleito na chapa que contou com a participação efetiva na campanha do seu partido. O próprio presidente Temer afirma que sem o concurso do PMDB, partido dele, a chapa não teria vencido a chapa do Aécio Neves, PSDB/MG. Verdade, Temer afirma que Dilma/Temer é indissociável. 

Na hora do "bem bom", para substituir a  Dilma no cargo de presidente da República, Michel Temer exigiu o cumprimento da Constituição da República, como substituto legal porque fazia parte da chapa Dilma/Temer que os elegeram em 2014. Em outras palavras, Temer manifestou àquela ocasião que a chapa Dilma/Temer era indissociável, uma chapa "uno". O próprio processo de registro do TSE prevê o registo da "chapa" e não dos candidatos à presidência e vice-presidência, "apartadamente" (sic). 

Michel Temer no exercício do cargo de presidente da República, diante do processo de cassação da chapa Dilma/Temer pelo TSE, quer tentar "apartar" (sic) a prestação de conta da campanha, como se o registro das candidaturas fossem feitos "apartadamente" (sic). As conveniências falam mais alto que a própria lógica.

O País está cheio de interpretações de filigranas jurídicas conforme conveniências do momento. No caso presente, na ocasião do impeachment da Dilma, a chapa Dilma/Temer era "uno" (indissociável). Na defesa do processo de cassação da chapa Dilma/Temer, o presidente Temer, quer "apartar" a chapa Dilma/Temer para livrar-se da cassação do seu mandato. Uma hora uma coisa, outra hora outra coisa. Tudo de acordo com o interesse do momento. 

Numa eventual cassação do mandato do presidente Temer, tomará posse o presidente da Câmara, que convocará eleição indireta para o cargo de presidente da República para o restante do mandato que vai até 31 de dezembro de 2018, em 90 dias. Michel Temer, se for cassado a chapa Dilma/Temer pelo TSE, ficará inelegível por 8 anos a qualquer cargo eletivo. Esta situação não é novidade na história política do País.

O País poderá, em 2017, provavelmente, em mais um fatídico mês de agosto, experimentar a cassação do mandato do presidente Michel Temer. Se é para fazer a faxina geral, que se faça completa, assim o povo se livra do estigma de um país "hipócrita e desonesto", uma vergonha para o povo brasileiro. Assim sendo, Michel Temer poderá ser cassado pelo TSE no ano que vem. 

No meu entender, o efeito Trump, citado pelo Temer, é apenas cortina de fumaça para esconder as nossas mazelas políticas e verdadeiros problemas econômicos. O ano de 2017, será um ano de turbulência política, querendo ou não querendo os atores políticos e econômicos. 

Em 2017, o efeito Temer na economia será devastador! Ou exatamente oposto, não sabemos. 

Ossami Sakamori
@ApoioJuizMoro


3 comentários:

  1. Sr. Sakamori, bom dia! Muito boa a sua explanação sobre a diferença de interpretação da questão da chapa PT/PMDB de acordo com o interesse momentâneo. Na hora do impeachment, a chapa é una. Na hora da cassação da chapa, a prestação de contas é feita separadamente. Perfeito. Coisas de políticos brasileiros, como no caso da maracutaia do Renan, Lewandowisck, Pt, etc, no caso do impeachment da Dilma em que fatiaram a lei, e não deram perda de direitos políticos por 8 anos para a ex-presidente. Pois bem, vemos todos os dias isso acontecer (agora mesmo, tentam melar a Lava Jato, mais uma vez, com Renan envolvido) e é preciso mudar isso. Quanto a essa parte da sua visão, tudo bem, sem problemas. Mas, em outro ponto (economia), tenho algo a questionar. Por que o sr. fala que o efeito Temer na economia será devastador? Eu não li todos os teus textos e comentários, então possa não estar a par das bases para esta tua afirmação. Mas ele (Temer), não está construindo as bases para que consiga colocar o trem nos trilhos, tentando aprovar o teto dos gastos, fazendo ajuste fiscal, reconquistando a confiança dos investidores, entre outras medidas, o que já vemos alguns efeitos positivos como na queda da inflação, baixa de juros, leve aumento do PIB, etc? Está certo que ainda não vimos resultados efetivos no emprego, no investimento pesado da indústria, no aumento real da produção, aumento do consumo, de renda, etc. Mas já vemos alguns indicadores que nos apontam para a melhoria do quadro a médio/longo prazos. Daí não entender a sua colocação de que o seu efeito (Temer) será devastador. Desculpe a ignorância, mas não conseguir perceber o por quê afirma isto. No mais, parabéns pelo seu trabalho, e juntos, construiremos um Brasil melhor para todos. Obrigado e abraços.

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    1. Luiz Carlos,

      Obrigado pelo comentário. Através de discussão dos problemas nacionais haveremos de chegar num consenso para o "melhor futuro" para o País.

      Quanto ao seu comentário de que está havendo retomada de investimento, é propaganda do governo. Os investidores diretos (aqueles que investem em fábricas) não farão novos investimentos enquanto o governo brasileiro paga os juros reais da dívida pública brasileira, a mais alta entre 40 maiores economias do mundo.

      Se você ler as mais de 50 matérias deste blog, encontrará a respostas para suas dúvidas. O governo Temer erra feio na política monetária (cambial e de juros). Não haverá desenvolvimento sustentável enquanto o governo continuar pagando os juros mais altas (5% reais) do planeta.

      A política monetária do governo Temer, sobretudo, atende aos interesses dos especuladores financeiros nacionais e internacionais. Ainda, assim, apesar dos juros reais altos, há revoada de dólares para os Estados Unidos, a terra do Trump, a quem o Temer chama de "aventureiro".

      Outro fator que me deixa descrente no crescimento sustentável, enquanto permanecer o governo Temer, é a instabilidade política devido a pendência do processo de cassação da chapa Dilma/Temer. Muitos anos de "janela", posso afirmar que a instabilidade política "inibe" investimentos na área produtiva.

      Continue, participando do espaço de comentários, para ajudar o País a sair do buraco que se meteu. Não adianta discutir quem nos colocou Creio que devamos discutir a achar a saída para situação de crise do que acreditarmos na propaganda do governo de que estamos saindo dela.

      Um grande abraço e obrigado!

      Sakamori

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    2. É amigo Saka. A coisa está bamba...

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