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sábado, 19 de novembro de 2016

60. Brasil atolado no lamaçal da mediocridade.


Crédito de imagem: Correio Brasiliense

Ilan Goldfajn emitiu conceito contrário ao que pratica hoje, na sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal, quando da indicação para o cargo de presidente do Banco Central do Brasil. Disse na ocasião, que dentro do seu conceito basilar, o câmbio deveria ser "totalmente flutuante", sem intervenção do Banco Central.

No dia 1/7/2016, portanto há 4 meses e meio, comentei neste mesmo blog sobre o conceito de "câmbio flutuante", sob o título 10. Ilan Goldfajn do BC mentiu no Senado, defendido pelo atual presidente do Banco Central, contrariamente ao que ele pratica no "dia a dia" frente à Instituição guardião da moeda. Nada como um dia atrás de outro para revelar a verdadeira identidade de uma pessoa. 

Pelo histórico dos últimos meses, o Banco Central tem feito intervenções fortes no câmbio, com os tradicionais mecanismos de controle cambial, estabelecendo como o "piso" informal a R$ 3,20. Toda vez que o dólar flutua abaixo do "piso", o Banco Central intervém com o mecanismo conhecido como "swap cambial tradicional", que nada mais do que a promessa de compra dos títulos atrelados à cotação do dólar, no futuro. 

Com a eleição do presidente Trump nos Estados Unidos e declaração da presidente do FED (Banco Central americano) de que haverá subida dos juros dos títulos do Tesouro americano no curto prazo, está havendo "fuga" de dólares sobretudo àqueles aplicados em títulos do Tesouro brasileiro. E novamente, o Banco Central tem atuado fortemente fazendo intervenções com o "swap cambial reverso", que nada mais é do que a venda de títulos indexado ao dólar com garantia de liquidação no futuro. Os mecanismos denominados de "swaps cambiais" (tradicionais ou reversos) servem de "hedge" (proteção) para empresas e instituições que tem compromissos expostos em moeda americana.

Na minha opinião, o Banco Central está perdendo a oportunidade de deixar a moeda americana flutuar até aos níveis que traduzam competitividade aos produtos brasileiros no exterior. Se considerar o poder de compra do real à época de implantação do Plano Real, o dólar deveria estar cotado acima de R$ 4,20. Uma vez por toda, o governo, Banco Central e o empresariado brasileiro devem rever o conceito de "dólar baixo" ou do "real forte" que é fator inibidor do "crescimento sustentável" do País.

Há que mudar a política monetária (Banco Central) que trabalhe com uma política cambial realista, que favorece as exportações em detrimento das importações e uma politica de juros menos perversos que estimulem os investimentos produtivos. Se o governo federal, não consegue estabelecer uma política econômica e política monetária que vise o desenvolvimento sustentável, não vejo esperança que o Brasil melhore nos próximos anos. 

Pelo caminho escolhido pela equipe econômica do governo Temer, o Brasil caminha para a eterna classificação dentre "países medíocres" ao invés de estar disputando posição de "vanguarda" no mundo desenvolvido.  Fico muito triste ver o País com tanta potencialidade, mas atolado no lamaçal de mediocridade. 

Ossami Sakamori
@ApoioJuizMoro


Um comentário:

  1. nenhum país hoje em dia permite o cambio flutuante pleno...isso é fato... mas que mentiu mentiu.

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