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terça-feira, 22 de novembro de 2016

62. Petrobras. Vende o almoço para poder jantar.


O fato relevante comunicado pela Petrobras é que uma liminar foi concedido pela Justiça proveniente de uma "ação popular", que suspendeu a venda de campos de petróleo operados pela Petrobras. Trata-se da venda de 100% do campo de Baúna e 50% do campo de Tartaruga Verde, ambos localizados na Bacia de Campos. 

A venda de campos de petróleo, suspensa pela Justiça, faz parte do plano de "desinvestimento" da Petrobras, previsto para o biênio 2015 e 2016, que pretendia arrecadar US$ 15,1 bilhões. A Petrobras pretende vender, também, no biênio 2017 e 2018 mais US$ 19,5 bilhões de ativos, sobretudo, os campos de petróleo, seja em terra ou mar. 

A Petrobras já havia vendido 66% do campo Carcará no pré-sal, na Bacia de Campos, para a estatal norueguesa Statoil por US$ 2,5 bilhões. Lá se vão os "filés mignon" que poderiam gerar receitas para a Petrobras, no curto prazo. A Petrobras está abrindo mão de receitas valiosas para tentar aliviar a dívida de curto prazo. 

Está, também, no portfólio de venda da Petrobras, entre outros ativos: terminais de gás natural liquefeito (GNL) e termelétricas associadas; 50% da participação na BR Distribuidora; Liquigás Distribuidora e campos de petróleo e gás em terra e em águas rasas. Maioria deles já produzindo receitas. Alguns destes ativos já foram vendidos. 

Todo este esforço da Petrobras é para diminuir o endividamento da empresa que se aproxima dos R$ 500 bilhões. Mesmo com o sucesso de venda, em tese, a Petrobras continuará devendo cerca de R$ 350 bilhões no câmbio de hoje, sem contar com os novos endividamentos para expansão da exploração no pré-sal. É de supor que a Petrobras com esta manobra de "desinvestimento, pretende é, apenas, "alongar" o perfil da dívida.

Desta forma, sem medo de errar, afirmo que "a Petrobras vende o almoço para poder jantar". É mole, isso! Esta é a situação real da empresa "orgulho nacional". 

Ossami Sakamori



Um comentário:

  1. Quando os gestores não respeitam o caixa da empresa e mergulham de forma profunda, em benefício próprio, não podemos esperar outra condição.
    É uma pena que, conseguiram destruir um exemplo de empresa no país.
    Já em 1970, uma pessoa de minha família fabricava os tanques de combustíveis no país inteiro.
    Naquela época muitos já solicitavam comissões.Só que era possível negar, porque praticamente eles eram o únicos a fabricar os tanques.
    Pode imaginar de lá pra cá, como a coisa ficou muito pior.
    A sacanagem está enraizada há tempos.
    Estão colhendo o que plantaram.
    Excelente artigo mestre!

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