Receba os novos posts pelo seu e-mail

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

61.Decifre o enigma da Previdência Social.


Educação previdenciária, na definição do Ministério da Previdência é "informar e conscientizar a sociedade sobre seus direitos e deverem em relação à Previdência Social, com a finalidade de assegurar a proteção social aos cidadãos". Mas, não se resume só a isso. É um conceito novo e amplo, um conjunto de informações que precisam ser balanceadas e levadas em conta pra quando o indivíduo precisar do benefício, o que não acontece só quando este envelhece. Existem os riscos sociais que a pessoa corre desde o nascer, como ficar órfão, invalidar antes mesmo de começar a vida produtiva, o falecimento e a finitude ou diminuição da capacidade laborativa, que fatalmente acontece com a chegada da velhice.

A preocupação previdenciária não é diferente da preocupação com a segurança no trânsito, no trabalho e mesmo com relação ao patrimônio e à segurança pessoal. Se não se é previdente, ou seja, não prevê, não vê com antecedência, pode ser surpreendido com uma situação de perda e ter que depender da boa vontade financeira da família ou da sociedade. Daí a necessidade de mitigar estes riscos e, sem informação e formação, podem acontecer duas coisas: ser acometido de algum infortúnio e não ter onde se apoiar solidamente ou descobrir que o que se tem é incompatível com a sua realidade, o que é muito comum.

A principal ideia da educação previdenciária é motivar a população a poupar para a aposentadoria. Enquanto este tema não entra nos currículos escolares, precisamos começar a pensar em formas de praticá-la, o que é fundamental para criar a cultura que levará ao planejamento e, consequentemente, à tranquilidade no momento de se despedir, já na terceira idade, do mercado de trabalho. 

Temos um longo caminho a percorrer, pois a cultura largamente difundida, que se busca a todo custo, é o "ficar rico". Os jovens acreditam que são eternos. Principalmente os do sexo masculino. É exatamente por esta razão que tantos jovens do sexo masculino morrem por imprudência. Se eles são assim hoje, como poderemos esperar que sejam pré-vidente, ou seja, pensem no amanhã?

Enquanto não se tem uma solução para este problema da educação previdenciária, que está dentro de um problema maior, que é a educação como um todo, algo precisa ser feito. Não dá para esperar e, menos ainda, para ficar procurando os culpados. A boa notícia é que, neste quesito, o Brasil não está na lanterna, há muitas nações tidas como "primeiro mundo" que estão muito longe de atingir o patamar em que nos encontramos. 

Em relação aos fundos de pensão, os trabalhadores brasileiros estão entre aqueles que mais têm controle sobre estes, o que resultou na necessidade de defendê-los. O caminho que nos trouxe a este estágio foi exatamente a luta e busca do conhecimento, pois apenas lamentações e agressões verbais não resolvem esta ou qualquer outra questão. Tudo tem a sua finalidade e, também, o seu momento. 

Uma das maneiras de tentar não ser devorado por monstro da previdência é ser contribuintes do Regime Geral de Previdência Social - RGPS, previdência pública, que é mais conhecido como INSS, que é autarquia que o administra, que, outros ainda tem a chance de contribuir para o fundo de pensão, mas estes sofrem ataques constantes e de todos os lados. Vejam que por um longo período se tentou, e ainda se tenta, acabar com eles. E em muitos casos conseguiram. Foi o caso da Funterra (Fundo de Pensão do Criss - Consórcio Rodoviário Intermunicipal do Estado de Goiás S.A.).

Estão juntos nesta empreitada de acabar com os fundos de pensão: os liberais, que têm interesses econômicos e defende os interesse dos bancos e seguradoras, e também os militantes de extrema esquerda, que dizem que lutam pelos interesses dos trabalhadores, mas que, contraditoriamente, os seus "interesses ideológicos" são os mesmos dos banqueiros que eles tanto dizem combater.

Numa das coisas, os militantes, com toda sua miopia, tem razão, pois tanto a previdência pública quanto as privadas, independentes de serem as abertas de bancos e seguradoras ou os fundos de pensão mantidos e patrocinados por empresas e ainda os associativos que são instituídos pelas entidades de classe, foram criadas e são mantidas dentro da lógica liberal, tanto quanto o são, os próprios sindicatos. O que eles não conseguem entender é que os fundos de pensão são importantes instrumentos de seguro e de formação de poupança, que mitigam os efeitos nocivos do próprio liberalismo, que é a essência do capitalismo. Esses fundos resultam, ainda, em renda vitalícia em caso de invalidez ou aposentadoria, após decorrido um determinado período, não tendo que necessariamente ser na velhice, além, é claro, do pagamento de pensão por morte daquele que é detentor dessas poupanças previdenciárias. 

Resumidamente, enquanto a educação previdenciária não se transforma em uma política de Estado, cabe às entidades associativas, principalmente a sindical e as instituições administradoras de previdência, promover palestras, debates, seminários e cursos, não se esquecendo dos meios de comunicação disponíveis, tanto os tradicionais, como rádios, televisões e jornais, como também os novos recursos tecnológicos: SMS, blogs, sites, web, TVs, redes de relacionamentos e tantos outros. 

Portanto, aquele que não conseguir decifrar o enigma da previdência, será devorado pela mediocridade. 

Jesus Divino Barbos de Souza 

Consultor previdenciário.
Diretor para Assuntos Previdenciários da AFACELG (Associação dos Funcionários Antigos e Aposentados da Celg) e autor do: "Previdência, o blog do Jesus" .



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Espaço reservado para expressão de livre pensamento, desde que obedecidas as boas regras de civilidade. Não permitimos o uso de palavras incompatíveis com o propósito deste blog.