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domingo, 10 de dezembro de 2017

115. Inflação baixa é resultado do problema estrutural

Crédito de imagem: Globo

Não sei se comemoro ou choro com a notícia de inflação baixa, a menor para o mês de novembro desde 1998. Segundo IBGE, o índice é menos do que a metade do mesmo mês de 2016. Comemoro porque o índice de inflação está próximo das grandes economias do mundo, incluído a China. Ao mesmo tempo, só tenho a lamentar porque a queda da inflação é apenas consequência da profunda recessão que o País atravessa. A queda da inflação não é consequência da política econômica e monetária acertada, mas sim de uma profunda e prolongada depressão, a pior dos últimos 100 anos.

Diz o IBGE que no cálculo do IPCA, índice oficial de inflação, os itens bebidas e alimentos acumulam queda de 2,4%, a mais intensa desde a implantação do Plano Real em 1994. Ainda segundo IBGE, alguns alimentos básicos como feijão, arroz, farinha e açúcar custam até 40% menos. Infelizmente a queda da inflação não decorre da política econômica do governo Temer, mas decorrente da falta de demanda. O brasileiro está comendo menos!

A queda da inflação decorre da queda de consumo decorrente do contingente de desempregados e subempregados nunca dantes visto na história do País. São 40 milhões da força de trabalho que só consomem apenas o necessário e suficiente para a própria sobrevivência. Somados a isto, os 60 milhões de pessoas inadimplentes completa o quadro desolador da economia real.

O triste de tudo é que a inflação baixa é ocasionada pelo baixo consumo da população, não pela política econômica e monetária acertadas mas pelas razões estruturais. Estruturalmente, o Brasil emite títulos da dívida pública para poder pagar as despesas do governo. Em outras palavras, o governo não consegue gerar receitas suficientes para pagar as suas próprias contas. O governo, em consequência, não consegue nem honrar o pagamento de juros da dívida pública que ascende a R$ 4,8 trilhões. O governo Temer só faz rolagem da dívida pública. Até onde vai isto, não sabemos. Um dia, isto vai explodir no colo do povo!

Resumindo, a tão comemorada baixa da inflação é resultado do política econômica que não consegue resolver a situação de 40 milhões de desempregados e desalentados, muito menos da situação de 60 milhões de pessoas inadimplentes no comércio. Governo Temer mente! Ministro da Fazenda Henrique Meirelles mente! O povo otário, como sempre, acredita!

Inflação de 2,5%: Choro ou comemoro?

Ossami Sakamori


quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

114. 2018 será mais um ano perdido!

Crédito da imagem: Comex

Ao contrário da previsão do ministro da Fazenda Henrique Meirelles de que o crescimento do Pais será acima de 2,5% para o próximo ano, não vejo nenhum motivo para tanta euforia. O recuo da taxa de juros Selic ao menor patamar dos últimos anos, 7% ao ano, não representa grande mudança no rumo da economia do País como todo. Receio que o ano de 2018, ao contrário da previsão do governo Temer, poderá ser mais um ano perdido! 

O primeiro sinal que motiva o meu pessimismo é o resultado do PIB do terceiro trimestre deste ano, divulgado pelo IBGE, que foi de 0,1%. O PIB do corrente ano deve terminar dentro da previsão do mercado de 0,7%, com alguns décimos para cima ou para baixo. O tão esperado resultado otimista da venda do Natal deve terminar em termos nominais ao redor de 5% ou seja 2% de crescimento em termos reais. O resultado pode causar enorme frustração, diante do tamanho otimismo "vendido" pela grande imprensa.  

Outro fator que poderá determinar o pífio crescimento no próximo ano será o recuo na produção da safra agrícola em relação ao deste ano. O setor agrícola prevê recuo de produção de soja em 6% e 2% para o milho para safra do ano que vem. Vamos lembrar que o crescimento do PIB deste ano deveu-se, sobretudo, ao crescimento substancial do PIB do setor agropecuário. O ano de 2018, não contará com a alavanca de crescimento deste ano.  

O calcanhar de aquiles para a demora da retomada de crescimento está no contingente de desempregados e subempregados que atingem cerca de 40 milhões de trabalhadores. Por mais que o governo anuncie o aumento de "empregos informais",  o que está havendo é migração de da classe de desempregados para classe de sub-empregados, conhecido como "biscateiros". A reversão deste quadro só será possível com o crescimento do setor produtivo criando novas vagas em suas fábricas, o que não estamos a ver nos últimos indicadores econômicos. 

O fato é que os investidores diretos estão postergando os investimentos em suas fábricas devido à não realização de reformas estruturantes prometido pelo governo Temer. Somado à falta de reformas, sobretudo a reforma profunda da previdência e a reforma tributária, o ano de 2018 será marcado pela realizações de eleições presidenciais. Os investidores diretos, não decidirão sobre os novos investimentos sem ter a certeza de ver a política econômica delineada pelo novo presidente da República. Por enquanto, os prováveis candidatos não estão apresentando "matriz econômica" sustentável ao longo dos próximos anos, o que preocupa os investidores institucionais.

O ano de 2018 será marcado pelo "marasmo". Não haverá crescimento substantivo no PIB como esperam o presidente Temer e seu ministro da Fazenda.

Ossami Sakamori


terça-feira, 5 de dezembro de 2017

113. Embrapa. Derrubando o mito da devastação

Alcance territorial da Legislação ambiental, indigenista e agrária

por Evaristo Eduardo de Miranda
Coordenador do GITE - EMBRAPA

Em 25 anos, o Governo federalizou quase 35% do território nacional destinando-o a unidades de conservação, terras indígenas, comunidades quilombolas e assentamentos de reforma agrária. Sem planejamento estratégico adequado, esse conjunto de territórios resultou essencialmente da lógica e da pressão de diversos grupos sociais e políticos, nacionais e internacionais. Agora, o país está diante de um desafio de gestão territorial, gerador de conflitos cada vez mais agudos, conforme mostram os dados reunidos pelo Grupo de Inteligência Territorial Estratégica – GITE da EMBRAPA (FIG. 1).

mapa_area.legal_1

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, até outubro de 2013, 1098 unidades de conservação ocupavam 17% do Brasil. Aqui, na maioria dos casos, as unidades de conservação excluem a presença humana, enquanto na Europa, Ásia e Estados Unidos pode haver agricultura, aldeias e diversas atividades nos parques nacionais, sem evocar a ampla visitação turística (FIG. 2).

mapa_UC_3

Nas unidades de conservação, a legislação ambiental brasileira ainda define no seu entorno externo uma zona de amortecimento onde as atividades agrícolas (e outras) são limitadas por determinações da gestão da unidade de conservação (proibição de transgênicos, de pulverizar com aviação agrícola etc.). A largura dessa zona é variável. Estimativas por geoprocessamento avaliam o seu alcance territorial entre 10 a 80 milhões de hectares adicionais (1 a 9% do Brasil), dependendo da largura dessa faixa que pode variar entre as unidades de conservação e mesmo ao longo do perímetro de uma única unidade (FIG. 3).

mapa_zona_de_amortecimento_4

Segundo a FUNAI, 584 terras indígenas ocupam aproximadamente 14% do território nacional. Reunidas, essas duas categorias de áreas protegidas, eliminando-se as sobreposições, ocupam 247 milhões de hectares ou 29% do país (FIG. 4).

mapa_terra_indigena_3

Com quase 30% de áreas protegidas (unidades de conservação e terras indígenas), o Brasil é o campeão mundial da preservação (FIG. 5). Segundo a International Union for Conservation of Nature (IUCN), os 11 países com mais de dois milhões de quilômetros quadrados existentes no mundo (China, EUA, Rússia etc.) dedicam 9% em média de seus territórios às áreas protegidas (FIG. 6).

mapa_UC_TI_3
mapa_grafico_bastao_4

A atribuição de terras pelo Governo Federal não acaba por aí. Sob a responsabilidade do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) existem 9.128 assentamentos, de diversas naturezas e estágios de implantação (FIG. 7). Eles ocupam 88,1 milhões de hectares, ou seja, 10,2% do Brasil ou 14,4% do que resta quando descontado o território já atribuído às áreas protegidas. Essa área equivale a quase o dobro da cultivada atualmente em grãos no Brasil, responsável por cerca de 190 milhões de toneladas na última safra.

mapa_assent_quilombola_3

Pelos dados do INCRA e da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, as 268 áreas quilombolas decretadas ocupam cerca de 2,6 milhões de hectares (FIG. 7). No conjunto mais de 290 milhões de hectares, 34% do território nacional, estão atribuídos.
O mapa do Brasil com mais de 11.000 áreas atribuídas, essencialmente pelo Governo Federal, impressiona e permite visualizar a complexidade da situação atual (FIG. 8). Esse mapa ilustra o tamanho do desafio de governança territorial e fundiária. Cada uma dessas unidades pede um tipo de gestão, avaliação e monitoramento específicos e transparentes.

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O Governo Federal continuará atribuindo-se mais e mais extensões de terra que, na maioria dos casos, sairão do controle dos estados e municípios. Há Estados em que boa parte de seu território já foi “federalizada” por decretos federais de atribuição de áreas que estarão por muito tempo sob o controle de órgãos e instituições federais.
Além das áreas já atribuídas, existem milhares de solicitações adicionais para criar ou ampliar mais unidades de conservação, terras indígenas, assentamentos agrários e quilombolas. Cada vez mais, as novas áreas reivindicadas já estão ocupadas pela agricultura e até por núcleos urbanos. Esse quadro complexo de ocupação e uso territorial representa um enorme desafio de governança fundiária e envolve conflitos graves, processos judiciais, impactos sociais e implicações econômicas significativas.
Além das demandas adicionais desses grupos, minorias e movimentos sociais, todos com sua lógica e legitimidade, há ainda a necessidade de compatibilizar essa realidade territorial com crescimento das cidades, com a destinação de locais para geração de energia, para implantação, passagem e ampliação da logística, dos meios de transportes, dos sistemas de abastecimento, armazenagem e mineração.
O país campeão da preservação territorial exige que os agricultores assumam o ônus de preservar porções significativas no interior de seus imóveis rurais, como reserva legal ou áreas de preservação permanente, num crescendo que pode começar com 20% e chegar a 80% da área da propriedade na Amazônia. A repercussão do crescimento do preço da terra no custo dos alimentos é apenas um dos reflexos dessa situação.

Como disse Maurício Lopes, presidente da Embrapa, em artigo no Correio Brasiliense (8/6/2014), os pesquisadores brasileiros estão cientes de que somente sistemas de gestão territorial estratégicos poderão garantir a compreensão do potencial e dos limites da base de recursos naturais e dos processos de uso e ocupação das terras. E ajudar a superar esse grande e inédito desafio de inteligência territorial. Mas, só pesquisador não basta.


Ossami Sakamori

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

112. Banco Mundial diz que Brasil tem 3 problemas!


Ontem, dia 21, o Banco Mundial entregou aos ministros Henrique Meirelles e Dyogo de Oliveira um relatório sobre os gastos públicos do Brasil, encomendado pelo então ministro da Fazenda Joaquim Levy. Como era de se esperar a conclusão não é nada boa. Diz o relatório que o Brasil gasta mais do que pode. Exatamente, é o que venho dizendo em sucessivas matérias desde 2012. Brasil está à beira de "default". 

O relatório do Banco Mundial diz que o Brasil, englobando os três níveis de governo, federal, estaduais e municipal, aumentou em muito os gastos públicos. Entenda como gastos públicos, as despesas em saúde, educação, segurança pública, manutenção da máquina pública e "juros da dívida pública". O relatório, em outras palavras, diz que o Brasil está com problema fiscal. 

Segundo o Banco Mundial, a dívida pública do País alcançou 73% neste ano, sendo que há 5 anos estava em 51,5% do PIB. Isto é o resultado de crescente "déficits fiscais". Se antes, o Brasil estava com o "déficit nominal", desde 2015, hoje, o País está com o "déficit primário", também. Os números são astronômicos. Dívida pública bruta em torno de R$ 4,5 bilhões e "déficit nominal" que ascende a R$ 250 bilhões. O "déficit nominal" é o verdadeiro "déficit fiscal" do governo, ao contrário do que o governo Temer tenta fazer crer que o problema é tão somente o "déficit primário".

Sem meias palavras, os sucessivos governos, de Lula ao Temer, entregaram a gestão financeira aos agiotas nacionais e internacionais. O Brasil teve como presidente do Banco Central, o agiota Henrique Meirelles. O País já teve como ministros da Fazenda um executivo do Banco Bradesco, o Joaquim Levy. O governo Temer entregou a gestão financeira do governo ao agiota Meirelles como ministro da Fazenda e ex-executivo do Banco Itaú Ilan Goldfajn para dirigir o Banco Central. Isto é a mesma coisa que entregar a gestão financeira para os agiotas nacionais e internacionais. 

Meirelles quis e presidente Temer fez aprovar no Congresso Nacional, a Emenda Constitucional do "teto dos gastos". A Emenda Constitucional revogou a Lei da Responsabilidade Fiscal aprovada no ano 2000. Vamos raciocinar.  A Emenda do "teto dos gastos" permite ao governo gastar o que não tem, desde que ao limite dos gastos de 2016, corrigido pela inflação. Como em 2016, a arrecadação já não cobria os gastos públicos, oficializou-se a convivência com o "déficit primário". Obviamente, o "déficit nominal" o governo vai buscar junto aos "agiotas nacionais e internacionais". 

Desde último ano do governo Dilma, em 2015, o governo não consegue pagar as despesas corrente do governo. Em 2016, o "déficit primário" do governo federal foi de R$ 179 bilhões. O governo Temer admite fechar o ano de 2017 com o "déficit primário" revisado de R$ 159 bilhões, com contingenciamento de algumas despesas previstas no Orçamento Fiscal de 2017. A LDO de 2018 prevê, igualmente, "déficit primário" de R$ 159 bilhões. Henrique Meirelles evita comentar sobre o "déficit nominal", porque ele é extremamente preocupante. 

Antes que o Meirelles tente explicar a situação financeira do governo, com o argumento da existência de "Reserva cambial" robusta, cerca de US$ 380 bilhões. A "Reserva cambial" funciona como garantia para os agiotas internacionais para continuarem financiando a dívida pública do governo brasileiro. Na "Reserva cambial", o Brasil recebe 1,25% de juros ao ano enquanto pagamos uma média de 4,5% ao ano de juros reais pelas suas dívidas públicas Selic. 

Foi assim que aconteceu com a Grécia. A Grécia vivia de "déficits fiscais" para financiar os gastos do governo. Coincidência ou não, a Grécia sediou a Olimpíada sem ter o recursos próprios para tal. Brasil está com "três problemas", disse o emissário do Banco Mundial: "fiscal, fiscal, fiscal". Traduzindo, quer dizer: "excesso de gastos correntes", "déficit primário" e "déficit nominal".  

Dá para continuar, assim?

Ossami Sakamori






quinta-feira, 2 de novembro de 2017

111. Sistema elétrico impede o crescimento do Brasil

 

Tocou o alarme no Palácio do Planalto, desta feita não sobre assunto político e nem tampouco assunto que envolve o presidente Michel Temer de uma eventual denúncia sobre uma outra ladroagem que envolvem ele próprio e os ministros do governo Temer. O sinal de alerta é no sistema elétrico brasileiro que impede o crescimento sustentável do Brasil.

A atenção do Michel Temer deixou de ser a denúncia sobre a formação de quadrilha, mas a nova preocupação se refere à uma eventual "apagão elétrico" num horizonte próximo, pois que, o "apagão político" já está em vigor. Há uma convicção cada vez mais forte de que o presidente Temer "fica" no poder até cumprir o mandado que sucedeu da Dilma Rousseff. Michel Temer não foi eleito, mas se encontra no poder.

O fato é que o nível dos reservatórios das usinas hidroelétricas está pior do que em 2001, quando houve o racionamento da energia. Brasil não se preparou para consumo de energia em expansão como em qualquer parte do mundo. O ministro de Minas e Energia Fernando Coelho é encarregado de acompanhar as decisões do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico. Ele se reúne diariamente com as autoridades do setor e reporta-se ao ministro da Casa Civil Eliseu Padilha, segundo imprensa.  

Nós  já chamamos atenção sobre o tema nas sucessivas matérias sobre o tema, a última em 13.2.2016 sob o título: Brasil viverá crise de energia elétrica , que de forma resumida segue abaixo:

Apesar do projeto de reestruturação do setor elétrico na década de 1990, o novo modelo do sistema elétrico não garantiu a suficiente expansão da oferta de energia elétrica, e que levou o País a um grande racionamento de energia em 2001. Foi então que à partir de 2004 foram feitos ajustes no modelo com o intuito de reduzir os riscos de falta de energia e melhorar o monitoramento e controle do sistema elétrico no País.

No entanto, a Lei 12.783/2013, as empresas geradoras e transmissoras puderam renovar antecipadamente seus contratos de concessão desde que seus preços fossem regulados pela Aneel. O governo Dilma promoveu a mais desastrada medida de "redução tarifária", em 2013, com fim único de angariar a "popularidade" da presidente Dilma, visando a reeleições de 2014. O resultado todos sabem, deu no que deu. Os preços artificialmente deprimidos, voltaram à realidade tarifária à partir de 2014, provocando aumentos que chegaram a 50%, numa "tacada" só. 

O sistema elétrico nacional tem 136.000 MW de potência instalada, distribuídos da seguinte forma:

a) Micro Usinas Hidroelétricas............      326 MW
b) Central Geradora Eolielétrica.........   5.832 MW 
c) Pequenas Centrais Hidroelétricas...   4.783 MW
d) Usinas Solares.................................         15 MW
e) Usinas Hidroelétricas......................  84.703 MW
f) Usinas Térmicas..........................,,..   38.372 MW
g) Usina Nuclear..................................     1.990 MW

O pico de consumo de energia no Brasil ocorreu em janeiro de 2014, com consumo de 84.000 MW. Há aparente o "não uso" da potência disponível, mas aparentemente. As usinas hidroelétricas dependem do regime de chuvas, o que as tornam reféns de condições climáticas como o do efeito "El niño" ou "El ninã". O efeito de aumento de temperatura do planeta parece interferir fortemente no regime de chuvas, também. 

O sistema elétrico nacional depende muito da geração hidroelétrica, conforme demonstrado na tabela acima. E a geração hidroelétrica depende dos níveis de reservatórios ou do regime de chuvas. O País, só não teve racionamento de energia no ano de 2015 e 2016, por conta da retração da demanda. A hidroeletricidade é uma energia limpa, mas tem o inconveniente de não poder contar com capacidade plena ao longo do ano e ao longo do tempo. O País só não está vivendo o racionamento porque houve depressão de 7% do PIB nos últimos dois anos. 

No próximo ano, deverá entrar em operação a Usina Hidroelétrica de Belo Monte, com capacidade instalada de 11.000 MW e oferta média de energia de cerca de 4.500 MW. No entanto, os níveis de reservatórios em situações críticas, não suprem a demanda atual, fazendo com que o sistema elétrico acionem as usinas térmicas. 

Qualquer plano de desenvolvimento do País esbarra na oferta de energia elétrica. Por falta de planejamento dos sucessivos governos, o Brasil viverá "crise de crescimento" em função da falta de oferta de energia elétrica. O que adianta presidente Temer e seu ministro da Fazenda Henrique Meirelles prometerem o crescimento sustentável do País sem que haja investimento pesado no setor elétrico o suficiente para atender a demanda necessária.

Creio irresponsável qualquer candidatos ao cargo de presidente da República, previsto para o próximo ano, não levar em conta o crescimento da demanda de energia e prometer, sem devido cuidado, o crescimento sustentável do Brasil. Vai crescer como, sem energia elétrica?

Nota: O levantamento dos dados teve a contribuição preciosa do engenheiro Sérgio Resende @Slaresende

Ossami Sakamori
@SakaSakamori



terça-feira, 31 de outubro de 2017

110. Brasil caminha para o "default".

Crédito da imagem: Estadão

Dando continuidade à matéria de ontem sobre o quadro econômico do Brasil, estou a copilar os dados divulgados pelo jornal Valor Econômico e apresento os números preocupantes da economia brasileira. Hoje, falo do endividamento público do Brasil. Os números são aterrorizantes. Caminhamos celeremente à situação de Grécia antes do default.

Banco Central do Brasil divulgou ontem, até que enfim, os números da dívida pública interna do setor público, incluindo União, estados e municípios. Maior parte do endividamento do setor público, mais de 95%, é da União. 

O endividamento bruto público está em R$ 4,78 trilhões, o que equivale a 73,9% do PIB, maior marca histórica dos últimos 500 anos! Quanto ao endividamento líquido, o setor público registrou R$ 2,39 trilhões, equivalente a 50,9% do PIB, maior percentual desde 2004. 

A diferença entre o endividamento bruto e o endividamento líquido é devido, basicamente, à aplicação do dinheiro da Reserva Cambial, hoje em torno de US$ 380 bilhões ou equivalente a R$ 1,25 trilhão e recursos emprestados ao BNDES dentro do PSI no montante atualizado de R$ 416 bilhões do lado de contas a receber. O restante dos recursos à receber estão pulverizados em diversas rubricas. De qualquer maneira, os recursos à receber rendem juros menores do que aquele que o Tesouro paga ao mercado. Só para entender, os juros decorrentes da Reserva Cambial rendem média 1,25% ao ano e juros do PSI do BNDES é em média 3,5% ao ano.

Pelo andar da carruagem, mantido a atual política econômica e monetária, dentro de 8 anos, o endividamento do setor público brasileiro vai ultrapassar o "número de alerta" de 100% do PIB. Isto é como "bomba relógio", a cada minuto aproximamos-nos da "explosão".

Um presidente da República, no caso o Michel Temer, comemorar os indicadores econômicos é como uma "bofetada" na cara dos contribuintes. A continuidade da política econômica do Henrique Meirelles é aproximar-se cada vez mais do "precipício" ou em jargão técnico aproximar-se cada vez mais do "default".

Há que mudar a matriz econômica compatível ao potencial produtivo do País. Manter a atual matriz econômica é como caminhar para o "suicídio" coletivo. Ainda, assim, o Henrique Meirelles e Michel Temer se apresentam como o "salvadores da pátria".

Ossami Sakamori



segunda-feira, 30 de outubro de 2017

109. Situação do Brasil requer atenção!

Crédito da imagem: Exame

Henrique Meirelles e sua equipe só falam em "déficit primário" ou o "rombo fiscal" para retratar a necessidade de equilíbrio das contas públicas. Os agentes econômicos, incluídos os analistas econômicas do mercado financeiro, fazem "coro" com o ministro da Fazenda e insiste em falar sobre o controle do "rombo fiscal". Henrique Meirelles e o mercado financeiro evitam em falar sobre o "déficit nominal" ou o "rombo real" dos gastos do governo. Isto é coisa combinada, para "camuflar" a situação real das contas públicas do País.

Vamos explicar a diferença entre o "déficit primário" e o "déficit nominal". O "déficit primário" ou o "rombo fiscal" é o dinheiro que falta para pagar todas contas do governo "exceto" juros da dívida pública.  O "déficit nominal" é o dinheiro que falta, após arrecadação de impostos e contribuições, para pagar as contas do governo "incluído" juros da dívida pública.

Antes da edição da Emenda Constitucional do "teto dos gastos" no final de 2016, a Lei de Responsabilidade Fiscal exigia que o "déficit primário" fosse "zero", isto é, que as contas do governo fossem pagas com os impostos e contribuições.  A Emenda Constitucional do "pseudo" teto dos gastos, institucionalizou o "déficit primário" ou o "rombo fiscal" ao estabelecer o "piso dos gastos públicos" calibrado nos gastos de 2016 corrigido pela inflação. Enterrou de vez a Lei da Responsabilidade Fiscal de 2000. 

Henrique Meirelles, ministro da Fazenda, persegue o objetivo, tentando limitar os gastos públicos adaptado à nova situação constitucional, não importando o tamanho do "déficit primário" ou o "rombo fiscal". O ano de 2016, as contas do governo federal terminou com o "déficit primário" de R$ 179 bilhões. Tenta o governo Temer fecha o ano de 2017 e 2018 com o "déficit primário" de R$ 159 bilhões. Não se sabe em quanto anda o "déficit nominal". Nos números de hoje, deve andar entre R$ 350 a 450 bilhões. O número é guardado a sete chaves!

Pronto!  Já desviei o foco do assunto sobre os "déficits". Diante da situação precária das contas públicas esquece o Henrique Meirelles e seus aplaudidores da atual matriz econômica e monetária. O "claque" do Henrique Meirelles "faz de conta" ou esquecem por conveniência a discussão sobre a necessidade de "zerar" o "déficit nominal". Enquanto não "zerar" o "déficit nominal", o Brasil continuará aumentando a sua dívida pública. Isto é inexorável. Isto é como 2 + 2 = 4. 

O "déficit nominal" não é divulgado pelo Banco Central para "público leigo" ter acesso fácil. Como disse certa vez o embaixador Rubens Ricupero, no episódio do famoso caso da parabólica: "O que é bom mostra, o que é ruim esconde!". É exatamente isto que acontece com o governo Temer, esconde a todo custo o número do "déficit nominal". E assim, o Brasil caminha celeremente para a situação da Grécia do "default". 

Mesmo assim, o mercado financeiro aplaude a matriz econômica do ministro Henrique Meirelles, porque atende os interesse dos agiotas internacionais. O mercado financeiro só vai enxergar o equívoco da matriz econômica do Henrique Meirelles somente após a previsível "quebra" do País. Fazer o que? Ninguém se preocupa com o destino do Brasil. 

A situação econômica do Brasil requer muita atenção!

Ossami Sakamori




sexta-feira, 13 de outubro de 2017

108. Assim, não dá para ser feliz!

Crédito da imagem: estadão

O ministro da Fazenda Henrique Meirelles diz que o Brasil deve crescer 3% no ano de 2018. No entanto, faz ressalva de que poderá haver "bolhas financeiras globais" que podem dificultar a concretização mais acelerado do PIB no médio prazo, segundo Estadão de hoje. Meirelles esconde o verdadeiro problema do País. 

Ainda segundo Estadão, afirma o ministro da Fazenda Henrique Meirelles como que dando aula aos ministros de Fazenda dos países desenvolvidos: " Uma recomendação que acredito importante que tenha sido feita agora aos formuladores de políticas dos países desenvolvidos que estão de fato atentos a isso é qual seria o risco da economia global". Para mim, soa como aquele aviso de uma possível "marolinha", profetizado pela vez anterior na condição de presidente do Banco Central do governo Lula. É uma desculpa antecipada de uma afirmação que ele próprio não tem certeza de que possa acontecer. 

Vamos direto ao assunto. Henrique Meirelles juntamente com o presidente do Banco Central Ilan Goldfajn, pratica política econômica "ortodoxa", receita do FMI, de controle da inflação via taxa de juros reais Selic. Nem é preciso lembar que o Brasil paga a maior taxa de juros reais dentre 40 maiores economias do mundo, deixando atrás apenas Rússia e Turquia. De certo, para Meirelles, os 37 maiores economias estão em contramão de uma equilibrada política econômica. 

A equipe econômica comemora a redução da taxa de inflação aos níveis de 3% ao ano à custa de 40 milhões de desempregados e desalentados. Somado ao espantoso número de desempregados e "biscateiros", o número de inadimplente no sistema de crédito, 60 milhões de adultos num universo de 140 milhões de adultos, são os maiores óbices para o acelerado crescimento do Brasil. Comemorar o que num cenário como este! Ao contrário da "desculpa antecipada" do Henrique Meirelles, o equívoco da política econômica está debaixo do nosso próprio nariz. 

O ministro da Fazenda tenta diminuir o "déficit primário" ou o "rombo fiscal" nos níveis de R$ 159 bilhões, mas não está conseguindo. A previsão do "rombo fiscal" para o próximo ano é de, novamente, R$ 159 bilhões. Para leigos entenderem, o "déficit primário" ou o "rombo fiscal" é o dinheiro que falta para cobrir os gastos correntes do governo federal. O principal equívoco governo Temer, certamente, à frente o Henrique Meirelles, está na política econômica "ortodoxa" que privilegia os especuladores financeiros internacionais, dito por mim como "agiotas internacionais". 

O maior equívoco não está propriamente no "déficit primário" ou o "rombo fiscal", porque maior parte dos 40 maiores economias do mundo pratica-os. Ao contrário do que afirma o ministro da Fazenda Henrique Meirelles, desde 2000, vigorava a Lei de Responsabilidade Fiscal que obrigava o "rombo fiscal" zero. O ciclo de "responsabilidade fiscal" encerrou já no final do governo Dilma, em 2013. Governo Temer, pelo contrário, com a Emenda Constitucional de "teto dos gastos", oficializou o "rombo fiscal", desde então.

O governo Temer não consegue "decolar" por falta de investimentos, até por conta do falso "teto dos gastos", mas sobretudo porque gasta em pagamento de juros reais que incide sobre a dívida pública federal, média de 5% ao ano. O montante do pagamento dos juros reais sobre a dívida pública federal, denominado de "déficit nominal" ou "pagamento dos juros" ascende aos dados "não divulgados", entre R$ 200 bilhões a R$ 250 bilhões anuais. O montante de juros reais pago pelo governo Temer, hoje, equivale grosso modo à soma dos orçamentos fiscais destinado à educação e saúde. 

Os intelectuais da USP aplaudem o Meirelles, os economistas considerados "notáveis" aplaudem e os analistas econômicos dos principais meios de comunicação aplaudem a "equivocada" política econômica. Só falta alternativa ao setor produtivo do País aplaudir a sabida "política econômica equivocada" para não ficar "destoante" em relação à média da opinião dos "entendidos" em macroeconomia. E assim, o Brasil fica de quatro perante o Meirelles e à nefasta política econômica "ortodoxa" do FMI.

Assim sendo, sem nenhum receio, afirmo que o Brasil não investe, mas paga R$ 250 bilhões anuais para os "agiotas internacionais". 

Assim, não dá para ser feliz!

Ossami Sakamori



domingo, 1 de outubro de 2017

107. Inflação baixa, a vitória do Pirro!



O governo Temer insiste em lavar à população, a imagem de reformista. Presidente Michel Temer se coloca, em seus pronunciamentos oficiais, como "salvador da economia". Insistentemente, diz nos seus pronunciamentos que o "País voltou a crescer" após "herança maldita" da sua antecessora presidente Dilma. É verdade que a economia voltou a crescer, menos pela matriz econômica do Henrique Meirelles, seu ministro da Fazenda, mais pelo resultado de prolongado período de "depressão". 

A economia do País voltou a crescer muito mais pela queda de inflação do que pela matriz equivocada econômica do Meirelles. As reformas estruturantes, sobretudo da previdência, não foram realizadas ainda.  A inflação caiu pela queda de consumo provocado pela persistente índice de desempregados e subempregados, que atinge cerca de 40 milhões de trabalhadores. O índice se não é alarmante, é aterrorizante! Grosso modo, em cada 10 trabalhadores, 4 deles estão desempregados ou estão na informalidade. 

Apesar de inflação corrente ter caído aos níveis de 3% ao ano, o País paga os juros reais mais alta do mundo superado apenas pela Rússia, dentre 40 maiores economias do mundo. O Brasil ainda continua a pagar os juros reais de 5% ao ano. A dívida pública federal bruta nos níveis de 73% do PIB ou R$ 4,5 trilhões, o endividamento público federal aumenta R$ 225 bilhões a cada ano, sem deduzir os juros auferidos. Em 2017, com "déficit primário" previsto em R$ 159 bilhões, o "déficit nominal" deve ultrapassar os R$ 300 bilhões, já descontados os juros compensatórios, grosso modo 4,5% do PIB.

Quando a economia voltar ao crescimento histórico de 3% ao ano e havendo a queda de número de desempregados e subempregados, a inflação voltará a crescer. O principal motivo para a volta da inflação é resultado crescente do "déficit nominal". Devido a moeda quase que em sua totalidade escriturais e o sistema bancário nacional dando liquidez para dívidas de longo prazo do governo, há "injeção" de cerca de R$ 300 bilhões a cada ano no sistema financeiro. Em outras palavras podemos dizer que há "alargamento da base monetária" ou o "afrouxamento da liquidez".  Seja como for a nomenclatura, maior liquidez, maior inflação. Não tem como fugir, é como 2 + 2 = 4.

A matriz econômica do Henrique Meirelles obedece a fórmula "ortodoxa" recomendada pelos organismos de fomento internacional como FMI.  Há um confronto com a estrutura original do Plano Real que baseava combater a inflação com a contenção da base monetária. Em 2000, o governo Fernando Henrique editou a "lei da responsabilidade fiscal" que proibia os gastos públicos acima da arrecadação. O governo Michel Temer tornou letra morta, a "lei da responsabilidade fiscal" com as Emendas Constitucionais que regula o "teto dos gastos públicos", não importando quanto efetivamente o governo arrecada. Com a Emendas do "teto dos gastos", o governo federal está liberado de produzir qualquer "déficit primário", desde que os gastos públicos se limitem aos gastos de 2016 corrigido pela inflação. Temer e Meirelles venderam "gato" por "lebre".  Num país com mais de 55 milhões de analfabetos funcionais, fácil enganar, com mensagem massificada e repetida!

Com o equívoco de raiz, infelizmente, a volta de crescimento econômico vai trazer de volta o "fantasma" da inflação. Com a volta da inflação, começa tudo de novo, a nova escalada de alta da taxa básica de juros Selic, tão comemorado pela equipe econômica do Temer. Isto me faz lembrar a vitória do Pirro, o sucesso obtido à custa de grandes sacrifícios da população. Comemorar, o que?

Se o leitor quiser aprofundar ao assunto sobre a nova matriz econômica proposta por este que escreve, poderá fazê-lo com a leitura das matérias precedentes deste mesmo blog, devidamente numeradas.

Leia também: Brasil está Globo!

Ossami Sakamori




segunda-feira, 11 de setembro de 2017

106. Brasil voltou à rota de crescimento?


Vocês devem estar pensando no que "realmente" está acontecendo com a economia do País. A grande imprensa mente muito. Os governos mentem muito. Ministro Henrique Meirelles esbanja otimismo apesar de governo Temer não ter concluído reformas estruturantes para equilíbrio das contas do governo federal. Governo Temer não fez, ainda, o dever de casa. Então vamos lá, tentar colocar uma luz nesse quadro nebuloso.

Tecnicamente, a economia do País saiu do quadro de "recessão" ou de "depressão". O Brasil experimentou crescimento em dois trimestres consecutivos no primeiro semestre. As pesquisas parciais do terceiro trimestre tem mostrado que a economia está seguindo a mesma trajetória dos primeiros dois trimestres deste ano. O governo projeta, no que eu endosso, o crescimento da economia deste ano entre 0,5% a 1% do PIB. Eu aposto no 0,5%.

A inflação corrente no fim do primeiro semestre aponta 2,75%, que está abaixo do centro da meta do Banco Central de 4,5%. No entanto, este blog não comemora o índice de inflação conseguido através de "matriz econômica" equivocada. O declínio da inflação está calcado na queda do consumo da população. A queda do consumo está justificada pelo elevado número de desempregados e sub-empregados, que ultrapassam 40 milhões de pessoas, o que corresponde cerca de 30% da força de trabalho do País. O número corresponde ao número de população de maior parte dos países do mundo. 

Apesar de governo Temer estar comemorando a queda do número de desempregado, o que houve foi que, houve "migração" de força do trabalho da categoria de desempregado para desalentado (biscateiro). Mas o quadro geral continua o mesmo, 40 milhões de trabalhadores em desemprego ou em sub-emprego. No entanto, o número de empregos com carteira assinada tem crescido pifiamente, mas o bom é de que mesmo pifiamente, tem crescido. 

O quadro geral da economia não mostra tão consistente a ponto de poder afirmar que a inflação "está controlada". Não, não está. A inflação poderá voltar ao primeiro movimento de crescimento palpável do consumo da população. A matriz econômica do ministro da Fazenda Henrique Meirelles é capenga. O atual crescimento da economia está ancorado apenas em número de "desempregados e sub-empregados" e em dólar demasiadamente baixo (real valorizado). 

O crescimento econômico do Brasil só se tornará irreversível após eleições de 2018, com um novo presidente da República que venha adotar uma "matriz econômica" diversa da atual. Uma matriz econômica para crescimento econômico sustentável terá que priorizar o setor produtivo ao invés de setor financeiro especulativo. 

Ossami Sakamori



quinta-feira, 7 de setembro de 2017

105. Comemorar o que com Selic de 8,25% ?

Crédito da imagem: Estadão

Ontem, o Copom - Comitê de Política Monetária do Banco Central cortou a taxa básica de juros Selic para 8,25%. O mercado financeiro e o empresariado em geral já esperavam o corte de 1% em relação à taxa de juros em vigor até a véspera. O mercado financeiro já sabe como funciona a "matriz econômica" da atual equipe econômica. A maior parte dos "desavisados" aplaudem o corte de juros que, aparentemente, é expressivo. Isto é mais ou menos como comemorar o corte de dose de analgésico em doente terminal.

A política econômica baseada apenas em taxa básica de juros é a fórmula clássica do FMI e de organismos de fomento internacional. A política econômica clássica funcionam em economias estáveis como a dos Estados Unidos, Alemanha e Japão, mas não da mesma forma nos países emergentes. Em países como o Brasil, com distorções na economia de toda ordem, as coisas funcionam de forma diversa. Brasil é como um país pobre brincando de país rico.

É grave o equívoco da política econômica baseada apenas em taxa "nominal" de juros básicos Selic. Dá-se impressão de que 8,25% é uma taxa baixa, mas não é!  A taxa básica de juros anunciada pelo Banco Central é baixa se fizer comparação apenas em números absolutos, com a taxa básica de juros Selic de 14,25% do final de 2015, quando a inflação naquele período marcava a taxa de 10,67%. 

Em dezembro de 2015, a taxa básica de juros reais estava em 3,58% ao ano. Fazendo a mesma conta, hoje, a taxa básica de juros reais está em 5,50%, uma vez que a inflação corrente está em 2,75%. Basta fazer a conta para constatar que a taxa de juros reais de hoje, que está em 5,50% está muito acima da taxa de 3,58% do final de 2015. As taxas nominais mascaram a realidade. 

O que importa não é a taxa básica de juros nominais, mas a taxa básica de juros reais. O Brasil tem dívida pública federal bruta em torno de R$ 4,5 trilhões. A taxa de juros "reais" de 5,5%, definido ontem pelo Banco Central incide sobre a dívida bruta causando impacto de aproximadamente R$ 250 bilhões ao ano.  

O que chama a atenção é que o Congresso Nacional aprovou nesta semana o "déficit primário" de R$ 159 bilhões para os exercícios fiscais de 2017 e de 2018. Em síntese, o endividamento do governo federal será acrescido aos serviços da dívida pública (juros) os "rombos fiscais". A permanecer os "rombos fiscais" e atual politica de juros, a dívida pública federal alcançará o nível de 100% do  PIB em menos de 7 anos. Isto é grave!

Desta forma, comemorar o que com Selic a 8,25%?

Ossami Sakamori


terça-feira, 29 de agosto de 2017

104. Por que comemorar o equívoco da política econômica?


Um dos erros da política econômica e monetária do governo Temer é a "política cambial". A outra política tão grave quanto à "política cambial" que não atende ao interesse do País, é a "política de juros". Ambas políticas sustentam a "matriz econômica" equivocada, que inibem o crescimento econômico do País. A manutenção da atual política econômica não cria "horizonte" de crescimento sustentável para o Brasil. O País está refém da "matriz econômica" equivocada do Henrique Meirelles. Quem paga a conta é o contribuinte brasileiro. 

Coincidência ou não, o quadro econômico do País, consequência de matriz econômica equivocada, está levando o País ao quadro semelhante ao do início do primeiro mandato do governo Dilma.  O quadro econômico da época apontava o dólar baixo (real valorizado) e juros nominais Selic baixo. O Brasil viveu momentos de "euforia" no primeiro mandato da Dilma, mas as consequências foram devastadoras. O País paga a conta até hoje, do "equívoco" da política econômica e monetária do primeiro mandato da Dilma. 

A equipe econômica composta pela dupla Henrique Meirelles e Ilan Goldfajn, insiste no controle da inflação apenas por via de taxa de juros Selic. A mesma equipe econômica considera como pilar da política monetária, também, manter a "livre flutuação" do dólar. A matriz econômica "simplista" pode ser válida para economia estáveis como dos Estados Unidos, da Alemanha e do Japão, mas não é "conveniente" para um país emergente como o Brasil, com enorme "fosso" que o separa deles. 

Os países emergentes como a China e a Índia, não seguem "fielmente" à matriz econômica adotada pelos países já mencionados. O equívoco maior, ao meu ver, está em seguir "modelo econômico" equivocado. A equipe econômica pretende mostrar ao mercado financeiro internacional que o País segue fielmente a "cartilha" dos países desenvolvidos. A equipe econômica faz de tudo para mostrar aos agiotas internacionais que segue a "cartilha" do FMI, para manter os especuladores financeiros financiando a "dívida pública"  que chega ao redor de 70% do PIB, nominalmente.

Com a matriz econômica equivocada o País caminha celeremente ao "default", apesar impor grande sacrifício à população. O custo social da matriz econômica equivocada está demonstrado em indicadores como: 13,5 milhões de desempregados e mais outros tantos subempregados além de 61 milhões de indivíduos inadimplentes no sistema de crédito. Em contraste aos "números devastadores", o último mês de julho, o País apresentou o acréscimo de "déficit" na conta "turismo". Isto apenas confirma a minha convicção sobre a "matriz econômica" equivocada. 

Os indicadores econômicos demonstram que a atual matriz econômica do País está equivocada, no entanto, a equipe econômica tenta convencer a população de que esta é a única "política econômica" que será capaz de levar o País ao desenvolvimento sustentável. Este discurso só atende aos interesses dos investidores nacionais e internacionais especulativos. O discurso está longe de atender aos reclamos e interesses da classe produtiva brasileira. 

Isto tudo, apenas aumenta a crença de que o ministro Henrique Meirelles quer ser o próximo presidente da Republica ou o governador de Goiás. 

Ossami Sakamori

terça-feira, 1 de agosto de 2017

103. Temer admite rombo fiscal de R$ 159 bilhões.

Crédito de imagem: Estadão

Segundo a grande imprensa, o governo Temer já trabalha com o "rombo fiscal" de R$ 159 bilhões no Orçamento de 2017 ao invés de R$ 139 bilhões antes previsto. Isto já era previsível desde elaboração da LDO de 2017 no ano passado. Quando da elaboração da LDO, o governo Temer estimava que o País crescesse 1,5% neste ano, o que não ocorrerá. E, para piorar estabelecia que os gastos do governo seria corrigido pela inflação em relação ao do ano de 2016, conforme a Emenda Constitucional aprovado no final do ano passado.

Vamos lembrar que o ano de 2016 fechou com o "rombo fiscal" ou o "déficit primário" de R$  179 bilhões. Com o crescimento do PIB deste ano previsto ao redor de 0,4%, não poderia esperar outra coisa, senão o "rombo fiscal", admitido pelo ministro da Fazenda Henrique Meirelles de R$ 159 bilhões.  Não há milagres a produzir no governo perdulário do presidente Temer. 

O que muda para o dia a dia da população, no curto prazo? O governo federal, independente das receitas correntes do ano, já está prevendo gastar o "teto dos gastos", calibrado nos gastos de 2016, corrigido pela inflação daquele ano. O "rombo fiscal" previsto para o 2017, bem próximo do ano passado, mostra que o governo federal não fez nenhum ou fez muito pouco esforço para diminuir os gastos públicos. Pelo contrário, o governo Temer apenas aumentou o tributo sobre combustíveis para minorar o "rombo fiscal".  A situação de penúria da população, nada muda. 

Os "rombos  fiscais" permitidos pela Emenda Constitucional do "teto dos gastos" não traz consequências imediatas. Como os "rombos fiscais" são cobertos com emissão de títulos da dívida pública, o endividamento público tem crescimento real que no curto prazo não traz efeito, mas ao longo dos anos, o Brasil fica ingovernável. Chegará a um ponto que o País produzirá, só para pagar os juros da dívida pública.  O estoque da "dívida pública bruta", que já está em mais de 70% do PIB, em 10 anos deverá estar duplicada, mantida atual matriz econômica.  

Brasil caminha celeremente para "default", se não mudar a atual "matriz econômica", que atende apenas aos interesse dos investidores especulativos nacionais e internacionais. O "fosso" entre os mais ricos e mais pobres continua crescendo  em progressão geométrica. 

Diante de tudo isso, afirmo sem medo que o Michel Temer é um presidente incompetente!

Ossami Sakamori