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quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

75. Brasil está próximo de uma convulsão social


Crédito da imagem: A Razão


Somente o governo Temer acredita no início da recuperação econômica, ainda neste ano. Os organismos internacionais de fomento, como FMI, aponta crescimento "zero" para este ano. Já estamos no final do mês de janeiro e os empresários, sobretudo os pequenos, querem ter ideia de como a economia vai andar neste ano para fazerem o planejamento. E o povo anda apreensivo com a sua própria situação. Ninguém mais acredita nas promessas da retomada de crescimento do País prometido pelo governo para o final do ano.

O governo propõe para discussão no primeiro semestre, a reforma da previdência e a reforma trabalhista. As reformas estruturantes, embora necessárias, não serão aprovadas sem uma discussão profunda pelo Congresso Nacional. Isto leva tempo, além de produzir desgastes ao governo e ao Congresso Nacional. O índice de desaprovação do governo Temer que está baixo, vai acentuar ainda mais com as reformas propostas.

As delações premiadas das empreiteiras envolvidas em Operação Lava Jato vão causar enorme desgaste ao Congresso Nacional, já que centenas de parlamentares estão na lista referida. O efeito delação deve repercutir não só no Legislativo, mas sobretudo no Executivo. Podemos definir, desde já que o País vai passar por período de grande incerteza política. O presidente Temer faz parte da lista de delações. 

Para piorar  a situação, a permanência ou não do Michel Temer à frente da presidência da República ainda é uma incógnita. As investigações feito pela Polícia Federal à pedido do TSE em torno da campanha eleitoral da chapa Dilma/ Temer está a aprontar graves irregularidades no uso dos recursos da campanha eleitoral.  Enquanto o TSE não der veredicto final, o País viverá momentos de instabilidade política.

Na economia, apesar de inflação apontar para uma trajetória de queda, até por conta da recessão, a taxa básica de juros Selic continua muito alta. O Brasil nunca pagou juros reais tão altos como agora, apesar de presidente do Banco Central ter afirmado que a tendência da taxa Selic é de queda acentuada nas próximas reuniões do Copom. Ainda assim, o Brasil paga os juros reais a mais alta dentre 40 maiores economias do mundo! A credibilidade do País nunca esteve tão baixa!

A pior consequência da instabilidade política e econômica é o aumento do número de desempregados e desalentados (sub-empregados). Estima-se que o número deste contingente da força de trabalho no País será de 26 milhões até o final do ano. O número é impressionante, se considerar que a forma de trabalho total do Brasil é estimado em 102 milhões, segundo IBGE. Grosso modo, de cada 4 trabalhadores, 1 deles está desempregado ou está no sub-emprego. 

Um outro número impressionante é o número de pessoas inadimplente no sistema de crédito no País. Dados divulgados pela Serasa Experian aponta o número de inadimplentes em aproximadamente 59 milhões de pessoas. O número mostra que 1 em cada 3 pessoas adultas está inadimplentes. Inclui neste número, também, as pessoas inadimplentes do programa Minha Casa Minha Vida.

O quadro descrito acima, cria um "efeito dominó" na economia. O aumento de desempregados aumenta o número de inadimplentes. O aumento de número de inadimplentes diminui o volume de negócios nos setores de serviços e comércio. O encolhimento nos volumes de venda no comércio e no serviço, diminui encomendas no setor industrial. O menor volume de encomendas retrai a produção industrial. Retraindo a produção industrial há demissões em massa. E assim, começa tudo de novo como um "círculo vicioso".

A nefasta consequência desta situação (efeito dominó) é a instabilidade no campo social.  A atual crise no sistema penitenciária é apenas uma das consequências do "efeito dominó". Tenho visto reportagens sobre "saques" de caminhões com cargas de alimentos, nos últimos dias. Creio, não vai demorar muito para assistirmos cenas de "saques" em supermercados, como aquelas que assistimos na vizinha Venezuela.  A fome faz as pessoas perderem a vergonha. 

Ainda assim, a classe política continua brincando com a situação do povo brasileiro. A renda da classe política estão garantidos com todos os benefícios e benesses dos cargos que ocupam. Os políticos estão mais é preocupados em "marcar" seus territórios, não importando a que custo, afinal quem paga a conta, sempre, é o povo. 

Brasil está próximo de uma convulsão social.

Ossami Sakamori

sábado, 21 de janeiro de 2017

74. Trump e economia brasileira.


Donald Trump assumiu, ontem, o posto de presidente dos Estados Unidos da América (USA). Antes que vocês me perguntem o motivo desta matéria sobre a posse de um presidente de um país estrangeiro, explico.  Particularmente, não tenho nenhuma simpatia pelo presidente recém empossado, mas ele merece ser comentado, em razão da sua importância.  Pelo menos nos próximos 4 anos, Trump vai comandar a maior economia do mundo. Os Estados Unidos, representam sozinhos, 25% de tudo que o mundo produz e consome. Em cada 4 dólares que o mundo movimenta, os Estados Unidos sozinho responde por 1 dólar. 

Comparativamente aos Estados Unidos, a economia do Brasil representa cerca de 1/10 (um décimo) do PIB americano, ou seja, cerca de 2,5% do PIB mundial. Comparativamente, somos a "titica de galinha" do mundo. Nos últimos anos do governo do PT, o País deu destaque aos blocos econômicos marginais como a China e África, esquecendo-se dos Estados Unidos. O governo do Temer, representado pelo seu ministro da Fazenda Henrique Meirelles, tinha esperança de aproximar dos Estados Unidos e "abocanhar" o mercado, desprezados e considerado como "marginais " apesar do seu tamanho (25% do PIB do mundo). A vitória do Trump é derrota para o governo brasileiro, que fez opção pela "esquerda" do mundo. 

O novo presidente, Donald Trump, fez opção explícita pelo protecionismo às indústrias americanas. Isto foi dito e foi confirmado no seu discurso de posse. Donald Trump quer priorizar as empresas americanas na sua política econômica. Trump quer criar empregos em "território americano", não em "território estrangeiro". Trump vai financiar a "infraestrutura" do país com impostos arrecadados da exploração de petróleo e gás. Em termos de política econômica, o Trump vai priorizar "criação de empregos" no próprio país.  Sorte para os trabalhadores americanos e azar para os empresários brasileiros, que dependem de exportações para Estados Unidos. 

Para o Brasil, que está em sua maior crise dos últimos 100 anos, o Donald Trump será mais uma "pedra no sapato", já apertado. Certamente, pelo menos, nos próximos 4 anos, o Brasil encontrará "dificuldades adicionais" nas relações comerciais com os Estados Unidos. Melhor para o povo americano e pior para o povo brasileiro. Brasil torceu para a vitória do Hilary Clinton e pagará o preço de mais uma opção progressista. 

E o Trump não está "nem aí" com o Brasil !

Ossami Sakamori



quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

73. Nova trajetória da Selic e do dólar

Crédito da imagem: Estadão

A grande imprensa publicou opinião do Ilan Goldfajn, direto de Davos, de que o Banco  Central "elegeu" agora como novo ritmo de "afrouxamento monetário" com as quedas de 0,75% da taxa Selic. Com ressalva de que um novo ritmo "pode mudar" conforme trajetória da inflação. A notícia causou até uma certa surpresa para os jornalistas e analistas de mercado financeiro. 

Antes tarde do que nunca. Foi a primeira vez que ouço o Ilan Goldfajn citar em "afrouxamento monetário"  como meta do Banco Central, mesmo que não tenha dito que o objetivo da queda do Selic é para "retomada do crescimento". Este blog tem defendido a taxa básica de juros reais Selic como principal "inibidor" do crescimento sustentável do País, além do dólar alto (real desvalorizado). 

A minha atenção continua, no entanto, sobre a política monetária do Ilan Goldfajn, que ainda continua "ameaçando" a revisão da trajetória da taxa básica de juros Selic, conforme comportamento da inflação. Isto mostra que o Banco Central conta coma taxa básica de juros Selic como "único" instrumento para combater a inflação.  Banco Central aplica a fórmula do Fundo Monetário Internacional ao "pé da letra", abrindo mão de utilizar o instrumento principal do "controle da base monetária" que é o "depósito compulsório" dos bancos. O nível de depósito compulsório dos bancos está inalterado há alguns anos. 

Vamos esclarecer, de uma vez por toda, que a taxa básica de juros Selic é "um dos instrumentos" da política monetária do Banco Central para "calibrar" o crescimento sustentável do País. O Banco Central, nos últimos dias, tem atuado no mercado de câmbio na "ponta de venda" no mercado futuro de dólar. Isto é mais um equívoco do Ilan Goldfajn sobre a política monetária do Banco Central, que quer manter o "dólar baixo" (real valorizado).  

Segurar o dólar no atual patamar, numa ponta ajuda no controle da inflação, mas na outra ponta o "dólar baixo" (real valorizado) inibe as exportações, favorecendo tão somente aos investidores estrangeiros especulativos e aos países que exportam produtos para o Brasil. Vamos lembrar, novamente, que o "dólar baixo" ou o "real valorizado" é um "truque" do governo que traz uma "sensação do bem estar" e  a "sensação do poder de compra". Foi assim no governo Lula da Silva. E deu no que deu. A atual crise econômica que passa o País foi, justamente, decorrente da política econômica equivocada dos sucessivos governos do PT. O Brasil paga preço muito caro pelos sucessivos equívocos na política econômica e na política monetária, tanto deste ou dos governos anteriores.  Justifica-se, a equipe econômica de hoje é a mesma de antes. Leia-se Meirelles. 

A despeito da taxa nominal dos juros básicos Selic estar num patamar mais abaixo da referência dos últimos meses a de 14,25%, os juros reais hoje está ao redor de 6,5% ao ano. A taxa básica de juros reais Selic do Brasil continua a mais alta dentre 40 maiores economias do mundo. Meirelles e sua equipe acham que os outros 39 países, com crescimento, é que estão errados. E nós, "otários" continuamos aplaudindo a equipe econômica comandada pelo ministro da Fazenda Henrique Meirelles. 

Não se deixem enganar com "discursos fáceis". Este filme já vimos inúmeras vezes!

Ossami Sakamori

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

72. O ano de 2017 será um "barril de pólvora"!

Crédito da imagem: Culturamix.com

Muitos me perguntam sobre o que será do quadro de economia do Brasil para o ano de 2017. É dramático, mas as previsões não são nada boa. O próprio Fundo Monetário Internacional rebaixou a previsão do crescimento do Brasil, que era de 0,5% para 0,2%. O governo federal fez projeção de crescimento do País para 1,6%, conforme LDO já aprovado pelo Congresso Nacional, mas já admite um crescimento nos mesmos níveis apontado pelo FMI, ou seja 0,5% no ano de 2017. 

No primeiro semestre, o governo Temer terá de aprovar a reforma da previdência e a reforma trabalhista, conforme propostas de mudanças encaminhadas para o Congresso Nacional. Sobretudo a reforma da previdência vai causar muita discussão e revolta da população. O preço social para aprovação da reforma da previdência vai ofuscar qualquer outra medida que venha beneficiar o povo brasileiro.

À partir de fevereiro vai estar em andamento as investigações relativas  às delações premiadas dos grupos Odebrecht e Camargo Correia, que certamente provocarão "terremotos" no Congresso Nacional e sobretudo no Palácio do Planalto. Segundo revelado pela grande imprensa, as delações dos dois principais grupos empresariais vão pegar fundo o próprio presidente Temer, que ficará na "mira" das investigações que ocorrerão no STF. 

Segundo a própria grande imprensa, o julgamento da chapa Dilma/ Temer pelo TSE deverá ocorrer ainda neste semestre. Mesmo, o presidente Temer recorrendo ao STF, no caso de derrota no TSE, o julgamento da chapa deverá ocorrer, "definitivamente" até o final de agosto deste ano. A minha previsão é de que o presidente Michel Temer deverá ser cassado no mês de agosto deste ano. O mês de agosto é mês fatídico para a história brasileira. No início do ano passado, 2016, previ que a então presidente Dilma iria ser cassada no mês de agosto. Dilma foi cassado no dia 31 de agosto de 2016. 

Havendo cassação de mandato do presidente Temer, assume o cargo de presidente, o presidente da Câmara dos Deputados por 90 dias. O presidente da Câmara, na condição de presidente provisório deverá convocar eleições indiretas para o presidente com mandato tampão até 31 de dezembro de 2018. As eleições diretas ao cargo de presidente da República deverá ocorrer somente em outubro do próximo ano, juntamente com os governadores e parlamentares das Assembleias Legislativas e do Congresso Nacional. 

O crescimento previsto para o Brasil, previsto pelo FMI e pelo governo brasileiro de 0,5% não acontecerá. As turbulências do primeiro semestre e "presidente tampão" do segundo semestre, influirá negativamente no crescimento do País. O Brasil deverá terminar o ano de 2017 com mais um ano de "recessão", completando assim o mais longo período de "estagnação" dos últimos 100 anos. 

O ambiente social decorrente do mercado de trabalho, que deverá atingir o patamar próximo de 14 milhões de desempregados, até o final do ano, tornará o País um verdadeiro "barril de pólvora". Diante do quadro descrito, a atual "crise das penitenciárias" deverá se tornar noticiários de segunda página nas grandes imprensas. 

O ano de 2017 será um "barril de pólvora"!

Ossami Sakamori
@SakaBlogs


quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

71. A taxa Selic 13% apenas confirma a grave crise econômica do País


O Banco Central definiu a taxa básica de juros Selic em 13% ao ano, na reunião de ontem. Há um conceito equivocado, generalizado, sobre o conceito da taxa básica de juros no País, em todos agentes econômicos. O equívoco consiste em considerar a taxa básica de juros Selic como o único instrumento de controle da inflação. Os comentários que se seguiram à definição da taxa básica de juros, que vão desde ao do presidente Temer aos analistas do mercado financeiro, demonstram claramente a falta de conhecimento dos pressupostos da política monetária. 

O Banco Central baixou a taxa básica de juros, que estava em 13,75%, desde a última mexida, em 0,75%. A nova taxa básica de juros Selic que servirá como referência para as operações de financiamento da dívida pública federal, continua com a taxa de juros reais, o mais alto entre 40 maiores economia do mundo. Considerado inflação no patamar de 6,5% ao ano (dezembro de 2016), os juros reais continuam no patamar absolutamente "crítico", isto é 6,5% ao ano. 

O governo Temer festeja a queda da taxa básica de juros Selic com otimismo. Acompanha o otimismo o mercado financeiro e outros agentes econômicos do País. Nem é preciso dizer que os comentaristas econômicos das grandes redes de televisão, à frente a Rede Globo, dão destaque a queda de 0,75% da taxa Selic com entusiasmo. Todos agentes consideram, como se a queda de juros nominais, considerado altos, fosse a chegada da saída da crise econômica do País. Ledo engano!

O conceito equivocado predominam na grande imprensa e no mercado financeiro em especial. É verdade que em situações normais, não é o caso do Brasil que se encontra na pior crise econômica e financeira dos últimos 100 anos, a taxa de juros básicos poderá servir como "instrumento" de política monetária do país. Assim acontece nos Estados Unidos, Alemanha e Japão, onde a taxa básica de juros são praticados "abaixo da inflação". Dentro deste mesmo contexto, o Brasil pratica taxa básica de juros 6,5% acima da inflação ou o dobro da inflação.  Isto é termômetro marcando acima de 40 graus!

Falando em português claro, a alta taxa básica de juros reais (6,5% ao ano), demonstra claramente que o País está em séria crise econômica. A taxa básica de juros Selic representa, na realidade, o "grau de credibilidade" do País no mercado financeiro internacionais.  No caso do Brasil, a taxa Selic não é "remédio" para "crescimento sustentável" do país. No caso do Brasil, a taxa Selic é "termômetro" da credibilidade do País no mercado financeiro internacional. Demonstra a taxa básica de juros Selic, a precária saúde financeira do Estado brasileiro. 

Não há empresários sérios que se sintam estimulados a fazer investimentos nos setores produtivos no País, diante da taxa básica de juros tão altos. Não havendo investimentos diretos nos setores produtivos, não haverá criação de novos empregos. Os empresários sérios, junto com os agiotas nacionais e internacionais aplicam os recursos disponíveis em títulos do governo, auferindo sem correr "quase nenhum risco", rentabilidade de 6,5% reais ao ano. Pergunto: Quais são os setores produtivos que dão rentabilidade acima de 6,5% ao ano, sem risco nenhum?

O conceito corrente de que a taxa básica de juros "segura" a inflação é um outro pressuposto equivocado. A taxa básica de juros Selic pode ser "um dos instrumentos" da política monetária, mas não a única. A inflação é proveniente do "estreitamento" ou "alargamento" da base monetária (M1, M2, M3 e M4). Creditar o "controle" da inflação apenas à taxa básica de juros Selic é um erro conceitual que interessa apenas e tão somente aos agiotas nacionais e internacionais, incluídos os próprios formuladores da política econômica do governo Temer.

Aqueles que discordam do meu ponto de vista, que deixem os seus comentários, com embasamento técnico, na coluna própria deste blog ( no rodapé deste).

Ossami Sakamori


domingo, 8 de janeiro de 2017

70. Quem ganha e quem perde com a crise econômica



Li um artigo do renomado comentarista econômico Luis Nassif, que indicava o "mercado" como poder decisório da política econômica do País. Nada disso é verdadeiro! O mercado financeiro "sobe e desce" ao sabor do ambiente político e econômico, não o contrário. O mercado financeiro, comumente denominado de "mercado", não determina e nem impõe a política econômica e monetária do País. O "mercado" é apenas "termômetro" do ambiente político econômico criado por sucessivos governos de plantões. 

Não vamos confundir os "especuladores financeiros", os agiotas nacionais e internacionais, com o "mercado". Mercado é exatamente como o "mercado municipal" de qualquer cidade do país, apenas um local de troca de mercadoria por dinheiro. "Mercado" é onde se define o preço de "mercadoria" ao sabor das forças de ofertas e da procuras e nada mais. O mercado financeiro não é diferente. O "mercado", apenas define o preço de troca das ações ou dos títulos, nada além disso. 

Quem define o rumo da política econômica e monetária do País são os especuladores financeiros, que comumente denomino de "agiotas nacionais e internacionais". Os agiotas internacionais operam no "mercado financeiro" ou no "mercado", determinando o viés da especulação. O "mercado financeiro", não manda, pelo contrário obedece aos movimentos dos agiotas internacionais.  Não vamos confundir o coxo (local onde deposita a ração) com o porco. Porco é uma coisa, o coxo é outra coisa. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.

Quem manda no Brasil, tenho dito sempre, não é o "mercado", mas são os agiotas internacionais e nacionais, os banqueiros nacionais e internacionais, aliados aos beneficiários do "bolsa empresário", que dão as cartas no País. Vamos dizer, claramente, os agiotas mandam no País. O ministro da Fazenda Henrique Meirelles era um dos executivos do grupo empresarial, o maior beneficiário do "bolsa empresário". O presidente do Banco Central Ilan Goldfajn foi o principal executivo de um dos maiores bancos comerciais do País, até a véspera de tomar posse no BC. Eles, seguramente, não são representantes do "mercado" mas são "perfeitos representantes dos agiotas nacionais e internacionais". 

Vamos ser claros, o Brasil tem no comando da economia, o Ministério da Fazenda e o Banco Central, os representantes dos setores especulativos, os já mencionados por mim como agiotas nacionais e internacionais. O Brasil tem ousadia de acabar com os setores produtivos, mas não tem a mesma coragem de acabar com os setores especulativos. O Brasil pratica a taxa básica de juros reais Selic, a mais alta do mundo, com único interesse de atender a saciedade dos agiotas nacionais e internacionais. Os setores bancários e especulativos nunca ganharam tanto dinheiro nos últimos 20 anos! Na contra mão, os setores produtivos amargam os prejuízos e os trabalhadores ressentem o desemprego cada vez mais preocupante. 

O Brasil como país, dentro deste contexto global, está se afundando anos após anos, transferindo renda dos "remediados" (empresários produtivos) para os "mais ricos" (banqueiros e agiotas). Para alimentar a "saciedade" dos agiotas nacionais e internacionais e não o "mercado", o Brasil continua a financiar os gastos públicos, agora oficializado com o originário PEC 241, emitindo títulos da dívida pública.  Uma hora, Brasil vai virar Grécia! Não vamos nos iludir!

O "mercado" não manda no País. Quem manda no País são o ministro da Fazenda e o presidente do Banco Central, explícitos representantes dos agiotas nacionais e internacionais. Isto não é o mesmo que entregar a chave dos cofres públicos para os assaltantes de piores linhagens? Ou em outras palavras, colocaram o lobo para cuidar do galinheiro. 

Nem é preciso lembrar que nesta história, quem paga o "pato" somos nós, o povo brasileiro, os dignos e merecidos "otários" !

Ossami Sakamori


quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

69. Apocalipse é agora!

Crédito da imagem: Meio Norte

O Brasil está a viver os momentos de tensão nos próximos meses do ano. Após dois anos consecutivos de recessão na economia, a pior desde 1929, o quadro vai se agravar ainda mais. As medidas estruturantes anunciadas pelo governo Temer, no final do ano passado, não vão surtir efeito imediato na economia. O pior está por vir. Sem dúvida, a população brasileira vai viver um dos piores momentos das últimas décadas, talvez, só comparável aos do início do governo Collor. 

A crise não virá do governo federal, que se protegeu com o PEC 241, que estabelece o "teto" dos gastos, que neste ano de 2017 vai funcionar como o "piso" dos gastos do governo federal. Para o governo federal, independente de arrecadação cair, o "piso" dos gastos está garantido com a cobertura de emissão de títulos da dívida pública. O governo federal se garante, não só com a emissão de títulos da dívida pública, mas pela cobertura dos eventuais "rombos" no Orçamento Fiscal de 2017, com as "pedaladas" com os recursos dos bancos oficiais como BNDES, CEF e BB, além de contar com recursos substanciais do FGTS para seus projetos de investimentos.  

A perda de arrecadação vai colocar muitos estados da federação e a maioria dos municípios em situação difíceis porque não contam com os instrumentos que dispõe a União para cobertura dos "rombos" fiscais e nem tão pouco tem mecanismos para fazerem as suas "pedaladas fiscais". Os estados e os municípios devem pagar suas despesas com a arrecadação de impostos e transferência dos Fundos de Participações. Os estados e municípios não podem emitir títulos da dívidas públicas emitindo títulos públicos. 

Os estados e municípios, a cada dia que passa, arrecada cada vez menos impostos diretos, assim como os recursos oriundos dos Fundos de Participações vem experimentando uma vertiginosa queda, devido à própria conjuntura econômica do País. Este quadro não deverá melhorar, pelo menos, nos próximos 6 meses, o tempo que o governo estima para aprovação das reformas estruturantes. Neste interregno de tempo, certamente, os municípios viverão os piores momentos das últimas décadas. 

Uma dezena de estados, segundo informações do próprio governo Temer, estão aguardando a "repactuação" das suas dívidas junto à União, para poderem honrar as suas despesas correntes. Muitos estados estão na beira de se encontrarem na mesma situação dos estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Estão quase na mesma situação, os estados de Goiás e Mato Grosso. Os estados do Nordeste, nem é preciso citar, agravados pelos efeitos da seca. 

A situação dos 5.570 municípios, que compõe o mapa geopolítico do País, estão em situações muito mais piores do que situação dos estados da federação. A fonte de financiamento próprio dos municípios, o ISS e o IPTU, representam muito pouco no total da arrecadação. Grande parte dos recursos, vem da participação no ICMS e nos Fundos de Participação dos Municípios. Todas fontes de recursos dos municípios estão em vertiginosa queda, para piorar ainda mais a situação.

A vida dos pequenos  municípios depende dos recursos que as prefeituras movimentam. Depende também de algumas empresas vinculadas à agricultura e pecuária que se instalam ou fecham no município, que ficam por sua vez à mercê da conjuntura econômica. Nem é preciso dizer que, com economia em retração, tem mais empresas fechando do que abrindo. É o preço que os pequenos municípios dos rincões do País paga. A crise econômica "pega de cheio" na maioria dos 5.570 municípios. 

Criou-se um "círculo vicioso" na crise econômica que assola o País, muito por conta da política econômica e da política monetária equivocadas tomadas pelo governo Temer. É preciso afirmar com todas letras que o presidente Temer, se justifica no "buraco" deixado pela antecessora Dilma, mas pratica as mais perversas da política monetária que privilegia os agiotas nacionais e internacionais em detrimento dos setores produtivos da nação. Que isto fique bem claro, para não haver nenhuma dúvida, sobre o meu ponto de vista.

Se ainda tem alguém com esperança na melhora da economia no curto prazo, que vai tirando o seu "cavalo" da chuva que o fundo do poço da crise econômica não chegou ainda. O pior está por vir. Quem viver, verá!

Apocalipse é agora!

Ossami Sakamori