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domingo, 8 de janeiro de 2017

70. Quem ganha e quem perde com a crise econômica



Li um artigo do renomado comentarista econômico Luis Nassif, que indicava o "mercado" como poder decisório da política econômica do País. Nada disso é verdadeiro! O mercado financeiro "sobe e desce" ao sabor do ambiente político e econômico, não o contrário. O mercado financeiro, comumente denominado de "mercado", não determina e nem impõe a política econômica e monetária do País. O "mercado" é apenas "termômetro" do ambiente político econômico criado por sucessivos governos de plantões. 

Não vamos confundir os "especuladores financeiros", os agiotas nacionais e internacionais, com o "mercado". Mercado é exatamente como o "mercado municipal" de qualquer cidade do país, apenas um local de troca de mercadoria por dinheiro. "Mercado" é onde se define o preço de "mercadoria" ao sabor das forças de ofertas e da procuras e nada mais. O mercado financeiro não é diferente. O "mercado", apenas define o preço de troca das ações ou dos títulos, nada além disso. 

Quem define o rumo da política econômica e monetária do País são os especuladores financeiros, que comumente denomino de "agiotas nacionais e internacionais". Os agiotas internacionais operam no "mercado financeiro" ou no "mercado", determinando o viés da especulação. O "mercado financeiro", não manda, pelo contrário obedece aos movimentos dos agiotas internacionais.  Não vamos confundir o coxo (local onde deposita a ração) com o porco. Porco é uma coisa, o coxo é outra coisa. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.

Quem manda no Brasil, tenho dito sempre, não é o "mercado", mas são os agiotas internacionais e nacionais, os banqueiros nacionais e internacionais, aliados aos beneficiários do "bolsa empresário", que dão as cartas no País. Vamos dizer, claramente, os agiotas mandam no País. O ministro da Fazenda Henrique Meirelles era um dos executivos do grupo empresarial, o maior beneficiário do "bolsa empresário". O presidente do Banco Central Ilan Goldfajn foi o principal executivo de um dos maiores bancos comerciais do País, até a véspera de tomar posse no BC. Eles, seguramente, não são representantes do "mercado" mas são "perfeitos representantes dos agiotas nacionais e internacionais". 

Vamos ser claros, o Brasil tem no comando da economia, o Ministério da Fazenda e o Banco Central, os representantes dos setores especulativos, os já mencionados por mim como agiotas nacionais e internacionais. O Brasil tem ousadia de acabar com os setores produtivos, mas não tem a mesma coragem de acabar com os setores especulativos. O Brasil pratica a taxa básica de juros reais Selic, a mais alta do mundo, com único interesse de atender a saciedade dos agiotas nacionais e internacionais. Os setores bancários e especulativos nunca ganharam tanto dinheiro nos últimos 20 anos! Na contra mão, os setores produtivos amargam os prejuízos e os trabalhadores ressentem o desemprego cada vez mais preocupante. 

O Brasil como país, dentro deste contexto global, está se afundando anos após anos, transferindo renda dos "remediados" (empresários produtivos) para os "mais ricos" (banqueiros e agiotas). Para alimentar a "saciedade" dos agiotas nacionais e internacionais e não o "mercado", o Brasil continua a financiar os gastos públicos, agora oficializado com o originário PEC 241, emitindo títulos da dívida pública.  Uma hora, Brasil vai virar Grécia! Não vamos nos iludir!

O "mercado" não manda no País. Quem manda no País são o ministro da Fazenda e o presidente do Banco Central, explícitos representantes dos agiotas nacionais e internacionais. Isto não é o mesmo que entregar a chave dos cofres públicos para os assaltantes de piores linhagens? Ou em outras palavras, colocaram o lobo para cuidar do galinheiro. 

Nem é preciso lembrar que nesta história, quem paga o "pato" somos nós, o povo brasileiro, os dignos e merecidos "otários" !

Ossami Sakamori


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