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quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

71. A taxa Selic 13% apenas confirma a grave crise econômica do País


O Banco Central definiu a taxa básica de juros Selic em 13% ao ano, na reunião de ontem. Há um conceito equivocado, generalizado, sobre o conceito da taxa básica de juros no País, em todos agentes econômicos. O equívoco consiste em considerar a taxa básica de juros Selic como o único instrumento de controle da inflação. Os comentários que se seguiram à definição da taxa básica de juros, que vão desde ao do presidente Temer aos analistas do mercado financeiro, demonstram claramente a falta de conhecimento dos pressupostos da política monetária. 

O Banco Central baixou a taxa básica de juros, que estava em 13,75%, desde a última mexida, em 0,75%. A nova taxa básica de juros Selic que servirá como referência para as operações de financiamento da dívida pública federal, continua com a taxa de juros reais, o mais alto entre 40 maiores economia do mundo. Considerado inflação no patamar de 6,5% ao ano (dezembro de 2016), os juros reais continuam no patamar absolutamente "crítico", isto é 6,5% ao ano. 

O governo Temer festeja a queda da taxa básica de juros Selic com otimismo. Acompanha o otimismo o mercado financeiro e outros agentes econômicos do País. Nem é preciso dizer que os comentaristas econômicos das grandes redes de televisão, à frente a Rede Globo, dão destaque a queda de 0,75% da taxa Selic com entusiasmo. Todos agentes consideram, como se a queda de juros nominais, considerado altos, fosse a chegada da saída da crise econômica do País. Ledo engano!

O conceito equivocado predominam na grande imprensa e no mercado financeiro em especial. É verdade que em situações normais, não é o caso do Brasil que se encontra na pior crise econômica e financeira dos últimos 100 anos, a taxa de juros básicos poderá servir como "instrumento" de política monetária do país. Assim acontece nos Estados Unidos, Alemanha e Japão, onde a taxa básica de juros são praticados "abaixo da inflação". Dentro deste mesmo contexto, o Brasil pratica taxa básica de juros 6,5% acima da inflação ou o dobro da inflação.  Isto é termômetro marcando acima de 40 graus!

Falando em português claro, a alta taxa básica de juros reais (6,5% ao ano), demonstra claramente que o País está em séria crise econômica. A taxa básica de juros Selic representa, na realidade, o "grau de credibilidade" do País no mercado financeiro internacionais.  No caso do Brasil, a taxa Selic não é "remédio" para "crescimento sustentável" do país. No caso do Brasil, a taxa Selic é "termômetro" da credibilidade do País no mercado financeiro internacional. Demonstra a taxa básica de juros Selic, a precária saúde financeira do Estado brasileiro. 

Não há empresários sérios que se sintam estimulados a fazer investimentos nos setores produtivos no País, diante da taxa básica de juros tão altos. Não havendo investimentos diretos nos setores produtivos, não haverá criação de novos empregos. Os empresários sérios, junto com os agiotas nacionais e internacionais aplicam os recursos disponíveis em títulos do governo, auferindo sem correr "quase nenhum risco", rentabilidade de 6,5% reais ao ano. Pergunto: Quais são os setores produtivos que dão rentabilidade acima de 6,5% ao ano, sem risco nenhum?

O conceito corrente de que a taxa básica de juros "segura" a inflação é um outro pressuposto equivocado. A taxa básica de juros Selic pode ser "um dos instrumentos" da política monetária, mas não a única. A inflação é proveniente do "estreitamento" ou "alargamento" da base monetária (M1, M2, M3 e M4). Creditar o "controle" da inflação apenas à taxa básica de juros Selic é um erro conceitual que interessa apenas e tão somente aos agiotas nacionais e internacionais, incluídos os próprios formuladores da política econômica do governo Temer.

Aqueles que discordam do meu ponto de vista, que deixem os seus comentários, com embasamento técnico, na coluna própria deste blog ( no rodapé deste).

Ossami Sakamori


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