Receba os novos posts pelo seu e-mail

domingo, 12 de fevereiro de 2017

78. Economia. Enxugando o gelo.

Crédito de imagem: ositajai

Está no centro de discussão a conveniência ou não de combater a inflação com a alta taxa de juros básicos Selic. Há os que concordam com a política monetária do Banco Central presidida pelo Ilan Goldfajn, ex-economista chefe do grupo Itaú-Unibanco. Dentre os quais está o nome do presidente da BMFBovespa Armínio Fraga, antes provável ministro da Fazenda do candidato derrotado Aécio Neves, em 2014. A atual política de juros é endossado pelo formulador da política econômica do governo Temer Henrique Meirelles, ex-presidente do Bank of Boston e ex-consultor do Banco Original do grupo JBS.

Eu, engenheiro civil, com experiência no magistério na Universidade Federal do Paraná, com breve passagem na administração de uma Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, não sou merecedor da mesma atenção dos ícones dos pensamentos econômicos do País. No entanto, os meus prognósticos sobre a economia do Brasil estão com índices de acertos muito maior que os renomados "analistas econômicos", sem desmerecer nenhum deles. 

Sou crítico contumaz da atual política econômica do governo Temer conduzido pelo ex-banqueiro Henrique Meirelles. Muito mais crítico sou da atual política monetária do Banco Central do Brasil, conduzido pelo ex-diretor de um dos maiores conglomerados bancários do País, o Itaú-Unibanco. O atual presidente do BC foi também ex-diretor do FMI. À primeira vista, os formuladores da política econômica e monetária do País tem currículos invejáveis para as funções que exercem, senão pela forte vinculação com o sistema bancária nacional e internacional.  Podemos dizer em linguagem chula de que Michel Temer entregou o galinheiro para os lobos cuidarem dele. 

O governo e a equipe econômica comemora a queda da inflação como que fosse produto da política monetária, a da taxa de juros básicos Selic altos. Na minha análise, a queda da inflação não é produto da política econômica ou da política monetária. A trajetória de queda da inflação é resultado não da política de juros Selic alta, mas é resultado da brutal "recessão" ou "depressão" que o País atravessa. Basta lembrar que o País se encontra no meio da pior crise econômica dos últimos 100 anos! A queda do consumo é devido ao número de desempregados que já ultrapassa os 12,3 milhões, mais os desalentados (sub-empregados) que alcançando outros 12 milhões. A queda de inflação é o resultado da "depressão" mais do que do resultado da política monetária calcada em taxa de juros Selic altos. 

Quando falo de taxa básica de juros altos não me refiro à taxa nominal Selic, que atualmente é de 13% ao ano. O que chamo atenção é a taxa real de juros que o governo Temer paga para tentar manter liquidez no sistema. Descontado a inflação corrente de 6,5% ao ano, a taxa de juros reais no País é de 6,5% ao ano. Isto é estrastosferico! Isto significa que o País aumenta o estoque da sua dívida pública, cada vez que faz "rolagem", já que o País é incapaz de produzir "superávit primário". Sem aperceber, o País está se endividando cada vez mais, com a "política de juros" absurdamente fora dos parâmetros mundiais.  O Brasil paga a maior taxa de juros reais dentre 40 maiores economias do mundo! Brasil está indo para o buraco!

Há quem defenda a atual política econômica e monetária do País. Muitos aceitam como a "única" maneira de colocar o País no rumo do desenvolvimento sustentável. Ledo engano! A atual política econômica e monetária vai levar o Brasil a um nível de endividamento insustentável, a ponto de ter que, no futuro próximo, produzir apenas para pagar os juros aos agiotas nacionais e internacionais. Ou melhor, já estamos fazendo isto!   

O Brasil como nação só vai conquistar o desenvolvimento sustentável, quando o governo deixar de atender apenas aos interesses dos agiotas nacionais e internacionais. O dinheiro aplicado em títulos do governo não gera emprego. O que cria empregos é aplicação de uma política cambial e de juros que estimulem o setor produtivo. Até os setores produtivos são compelidos a aplicar em títulos do governo, que dá rentabilidade, 6,5% ao ano, para não correr risco de perda com a produção. A taxa básica de juros altos inibem os investimentos nos setores produtivos. Sem investimento nos setores produtivos, aumenta o desemprego. É um círculo vicioso que não tem fim. 

O aumento de desemprego, produto da política econômica e política monetária, equivocadas, aumenta a instabilidade social que vai custar muito caro à população brasileira. Vai chegar um momento em que a "repressão" não vai mais resolver a "explosão" de insatisfação da população. Vamos deixar claro que estamos próximos de "caos" devido à prática equivocada de política econômica e monetária do governo Temer.

Recomendo leitura das matérias anteriores para avaliar em que contexto estou a escrever esta matéria. A atual política econômica e monetária do governo Temer é a política do enxuga gelo!

Ossami Sakamori


3 comentários:

  1. Todos os ícones de nossas tradicionais bancadas de especialistas em finanças, tem um elo muito estreito com mega bancos. Até que ponto por osmose suas ideias não conflitam com os interesses deles, os bancos.
    Penso eu, leigo e mal informado, que inflação é o resultado de falta de produção suficiente (proposital?) para atender a demanda.
    Somos um país, onde nossa cultura empresarial e financeira não é produzir mais para ganhar mais, é, produzir menos para ganhar mais...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Bom Dia Saka!

      A queda é vertiginosa e vamos empobrecer mais e mais, esses bandidos pouco se importam e na foto sempre com aquele ar de entendimento, será que conseguem convencer pelo menos suas mães?Tudo isso é máscara é só querem afundar ainda mais o país na lama que nos envolve e encher seus bolsos.
      Já estou a favor da intervenção apesar de NÃO acreditar que será o melhor para o país também.
      Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.
      Obrigada pelos seus esclarecimentos, são um panorama muito claro de que nós precisamos sair às ruas!
      Abs

      Excluir
  2. Belo comentario !Só discordo qd diz q estamos " próximo do caos " , ja estamos nele ! abraço !

    ResponderExcluir

Espaço reservado para expressão de livre pensamento, desde que obedecidas as boas regras de civilidade. Não permitimos o uso de palavras incompatíveis com o propósito deste blog.