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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

77. Dólar baixo é equívoco da política monetária



O equívoco da política monetária do governo Temer está mais do que evidente. Os dois instrumentos principais da política monetária, a "cambial" e de "juros" estão sendo usado apenas para "conter a inflação" (sic), não importando a "depressão" que esta política tem causado na economia. E tem gente que aplaude e comemora o dólar baixo (real valorizado). Hoje, vamos falar da política cambial do governo Temer. 

O Banco Central vem praticando, o dólar baixo (real valorizado) para baixa a inflação e novamente causar a "sensação do poder de compra" para a classe média. Nos últimos dias, o dólar está sendo cotado abaixo de R$ 3,20 numa clássica intervenção do Banco Central, que se utiliza o do dólar futuro ou swap cambial reverso para conter a cotação. O brasileiro tem memória curta, não lembra da época de "oba oba" da classe média fazendo viagens para compras em Nova York. 

Se trouxermos o valor do dólar para hoje, considerando como ponto de partida a implantação do Plano Real em 1994, o dólar deveria estar cotado acima de R$ 4,50, considerando o "poder de compra" da moeda brasileira em relação à moeda americana. Vamos lembrar que no mês de setembro de 2015, o dólar já esteve cotado a R$ 4,14, que corrigido para hoje, estaria acima de R$ 4,80. 

O Banco Central dispõe de instrumentos para intervenções no mercado de câmbio. O Banco Central tem atuado explicitamente no mercado de câmbio, ao contrário do que afirmara o seu presidente Ilan Goldfajn na sabatina da aprovação do seu nome no Senado, de que o dólar flutuaria livremente, faz fortes intervenções no mercado de moeda estrangeira. Só que, as intervenções vem sendo feito no sentido de "engessar" o dólar em nível considerado baixo, com intenção clara de valorização do real. 

Já vimos este filme várias vezes. O dólar baixo, desestimula as exportações e estimula as importações.  A balança comercial brasileira tem apresentado "saldo positivo", não pelo aumento do volume de exportações mas pela diminuição da importações.  Novamente, a "recessão" ou a falta de consumo no mercado interno tem favorecido a balança comercial brasileira. Infelizmente, as indústrias estão sucateando por falta de competitividade dos seus produtos no mercado internacional. Este movimento de sucateamento da indústria brasileira é a marca dos últimos governos, incluindo o atual. A indústria que representava 26% do PIB no fim do período FHC, hoje não representa mais do que 12% do PIB. Isto tem custo muito alto para a população como todo. 

O dólar baixo (real valorizado) praticado pelo Banco Central, orientado que está pelo governo Temer, embora ajude no combate à inflação, ao mesmo tempo sucateia a indústria nacional. O dólar baixo (real valorizado) desestimula a indústria nacional à competição no mercado internacional, tornando-a cada vez mais obsoleta. O dólar baixo (real valorizado) desestimula o agronegócio e o setor de mineração, produtos essenciais na pauta de exportação.  O Brasil caminha no sentido inverso das maiores economias emergentes com a China e países do Sudeste Asiáticos. China cresce à razão de 6,5% ao ano enquanto o Brasil retrocede 3% ao ano. Os chineses estão errados e os brasileiros certos?

O dólar baixo (real valorizado) defendido pelos analistas econômicos e financeiros e pelo próprio governo Temer é um "tiro no pé". O dólar baixo (real valorizado) é uma das causas principais do número de desempregados ter chegado em 12,3 milhões no final de 2016. O dólar baixo (real valorizado) defendido pelo mercado financeiro e pelo governo Temer significa na realidade o "engessamento" da moeda americana, com finalidade de "segurar a inflação". Todo "engessamento" tem hora para desfazê-lo. Quanto mais tempo "engessado", o estrago na economia será maior quando "soltar". 

Sai de baixo quando deixar o dólar flutuar nos patamares reais de R$ 4,50. Não adianta nada o atual esforço de combate à inflação. A inflação voltará com toda força! 

Este filme já vimos várias vezes!

Ossami Sakamori



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