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segunda-feira, 1 de maio de 2017

91.O futuro do Brasil depende da elite pensante.



O Brasil está como bicicleta que se quebrou e que o ciclista resolveu dar uma parada para consertá-la. Enquanto isto os concorrentes estão ultrapassando com total facilidade, sem dar nenhuma importância ciclista em problemas. Brasil está em estado de "depressão" há quase três anos. Brasil vive os piores momentos desde a depressão de 1929. Brasil é uma bicicleta quebrada!

De caso pensado, a equipe econômica comandada pelo ministro da Fazenda Henrique Meirelles e acompanhado pelo presidente do Banco Central Ilan Goldfajn resolveram dar uma "parada estratégica" na economia na tentativa de baixar a inflação e ao mesmo tempo implementar reformas estruturantes. A principal reforma que deveria ser a reforma tributária acompanhado de divisão encargos entre entes da federação, estão deixando para resolver depois. Podemos afirmar que o governo Temer está fazendo a reforma "meia sola", para continuar pedalando. 

A "parada estratégica" está custando muito caro para o País e para a sua população.  A "parada técnica" está custando, até o momento, cerca de 40 milhões de trabalhadores marginalizados do mercado de trabalho. São eles os desempregos, sub-empregados e beneficiários de "esmolas" dos recursos públicos. O governo anuncia o índice de desemprego correspondente a 13,7% da força do trabalho, no entanto, se considerar o número de desalentados e de beneficiários do Bolsa Família, o índice chega ao espantoso número. Cerca de 37% da força de trabalho do País estão fora do mercado de trabalho formal. Isto está pior do que a Espanha no passado recente. 

A desenfreada oferta de crédito, sobretudo os "créditos consignados", produziu nos últimos anos, cerca de 60 milhões de inadimplentes, o que corresponde a cerca de 40% da população adulta do País. O número significa que o efetivo mercado consumidor está combalido em função do número de inadimplentes. O número de inadimplentes somados ao número de trabalhadores sem emprego dificulta qualquer tentativa de retomada de crescimento baseado em "consumo" do mercado interno.  

A tão comemorada queda de inflação para abaixo do centro da meta (4,5%) apenas mostra o resultado da brutal queda de consumo pelos motivos já anunciadas nos parágrafos anteriores. A queda da inflação não se deve ao acerto da política econômica e monetária, mas sim ao "desacerto" das medidas tomadas pela equipe econômica comandada pelo Henrique Meirelles, o formulador da política econômica. O desacerto da política econômica e monetária é visível até para os leitos em macroeconomia.

Não haverá retomada de "crescimento sustentável", sem que haja a efetiva mudança no paradigma da política econômica e monetária. O maior erro entre tantos outros da política monetária é tentar conter a inflação apenas com a prática de taxa de juros reais. Os juros reais Selic do Brasil é a maior dentre as 40 maiores economias do mundo. Os juros reais altos inibem os novos investimentos produtivos. Só aos especuladores financeiros, nacionais e internacionais,  interessam a continuidade da atual política monetária.  

O governo Temer continua praticando a política do dólar baixo (real valorizado) como pilar da política econômica, coincidentemente, a mesma do governo Dilma. Imagino que o governo esteja tentando proporcionar a "sensação do poder de compra" da população. Enfim, o governo Temer quer enganar a população, igual a que governo Dilma fez. O governo Temer foge, covardemente, como fez a antecessora Dilma, de enfrentar a situação econômica do País, de frente. Temer usa as reformas estruturantes como pano de fundo para enganar a população. Política econômica do governo Temer vai levar o País a situação de dependência dos especuladores financeiros.   

As reformas trabalhistas e a reforma previdenciária, podem ser precondições para crescimento, mas por si só, não são instrumentos para imprimir o desenvolvimento sustentável ao País. O Brasil vai continuar patinando à espera de uma política econômica que privilegie o "setor produtivo" em detrimento ao "setor especulativo". Pelo contrário, a atual política econômica e monetária levará o País ao nível de endividamento que as gerações futuras terão que pagar com muito suor. 

Mais importante do que a política econômica e monetária equivocada do governo Temer, são movimento dos próprios agentes econômicos, articulistas econômicos e a grande imprensa que "não se apercebeu" do grave equívoco ou "faz de conta" para não desagradar o Palácio do Planalto. Espero que os principais personagens do empresariado brasileiro se apercebam desta "realidade perversa" e resolva influir positivamente para a "mudança do rumo da economia". 

Ou mudamos o Brasil ou o Brasil estará irremediavelmente derrotado perante o mundo, em todos indicadores sociais e econômicos. A decisão da mudança cabe à elite pensante brasileira, "pragmática". Nada de ficar filosofando. De nenhuma tendência ideológica, de esquerda à direita. 

Ossami Sakamori




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