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domingo, 25 de junho de 2017

99. Tem, ainda, o que comemorar na economia?



A cada dia que passa, estou convencido de que a matriz econômica proposta por este blog está no caminho certo. A matriz econômica proposta pela equipe do Henrique Meirelles, contrária à nossa proposta, só tem dado algum resultado ao custo de severa depressão econômica, a pior dos últimos 100 anos. A recente comemoração da queda da inflação não faz sentido se considerarmos os indicadores econômicos tão severas como o número de desempregados, ultrapassando a marca de 14 milhões de trabalhadores. 

Três pecados capitais na matriz econômica do Henrique Meirelles. O primeiro, o mais grave, é combate à inflação baseado na taxa de juros reais, Selic, a segunda mais alta dentre 40 maiores economias do mundo. O segundo, tão grave quando ao primeiro pecado, é manutenção à qualquer custo do dólar baixo ou real valorizado. O terceiro pecado é a "perenização" do déficit primário para os próximos 20 anos com a aprovação das Emendas Constitucionais do "teto dos gastos".  Estes filmes já vimos no passado recente, no primeiro mandato da presidente Dilma. 

O que causa mais polêmica comparando as duas matrizes econômicas, a nossa e do Meirelles, é o controle da inflação via taxa de juros reais Selic. Na nossa opinião, a inflação se combate com a "contração" da base monetária e não pela remuneração da taxa de juros reais "absurdos". A atual taxa de juros reais, em torno de 6% ao ano, mesmo considerando déficit primário "zero", em tese, aumenta o percentual do endividamento público em relação ao PIB, na mesma proporção da taxa de juros reais. Ainda que o nível de endividamento do governo federal não esteja nos níveis dos países do primeiro mundo, a remuneração dos juros reais altos "inibe" os investimentos diretos no setor produtivo. O fato é que o País vive da "ciranda financeira" e aumenta a distância entre as classe econômicas mais ricos e as mais pobres. 

A tão defendida "flutuação livre" do dólar é bonito no papel, porém, na prática não existe dólar totalmente "flutuante" em qualquer país do mundo. O dólar baixo ou o real valorizado, defendido pela atual equipe econômica penaliza os setores produtivos do País, sobretudo o setor primário. O dólar baixo torna o País eternamente dependente dos produtos de fora. O Brasil importa de trigo ao feijão preto, situação imperdoável para o País com vocação agrícola. O dólar baixo afugenta os turistas estrangeiros e fomenta os gastos dos brasileiros no exterior. O resultado é que temos as piores rendas dentre 40 maiores economias, no entanto o povo brasileiro continua gastando como típico "emergente". As evidências enumeradas são suficientes para indicar o equívoco da política cambial da atual equipe econômica. 

E finalmente, o terceiro pecado, a perenização do déficit primário. Antes do primeiro "rombo" do Orçamento Fiscal em 2013, na gestão Dilma, vigorou durante os 13 anos a Lei da Responsabilidade Fiscal de 2000. A Lei da Responsabilidade Fiscal previa déficit primário "zero". Até então, o resultado primário dos gastos do governo deveria, de no mínimo, observar o equilíbrio entre as receitas e os gastos, excluído os de juros.  As Emendas Constitucionais do "teto dos gastos", oficializou o "rombo" nos Orçamentos Fiscais. O ano de 2016 terminou com o déficit primário de R$ 189 bilhões e está previsto para o ano de 2017, terminar com o déficit primário de R$ 139 bilhões. Vamos apenas lembrar que o déficit primário é o "dinheiro que falta" para cobrir os gastos do governo, antes do pagamento de juros da dívida pública. Na linguagem popular falamos que "pagamos as contas com dinheiro do agiota". Matriz econômica assim, não tem chance de dar certo.

Resumindo, a matriz econômica proposta por este blog bate de frente, pelo menos, em três pontos fundamentais aos da política econômica da equipe econômica do Meirelles:  1. Política de taxa de juros reais Selic; 2. Política cambial e 3. Política fiscal. Os detalhes como nós tratamos os três temas, estão expostos nas 98 matérias precedentes. Sugiro a leitura das mesmas, para melhor compreensão dos temas desta matéria. 

Tem, ainda, o que comemorar na economia?

Ossami Sakamori


domingo, 18 de junho de 2017

98. Acorda Brasil !



A economia do País está sem rumo, sobretudo após o fato político mais importante do governo Temer, o "grampo" do Joesley Batista. As revelações do empresário do ramo de carnes que se sucederam após a delação premiada, vem causando terremoto no campo político e em consequência uma "decepção" aos investidores que estavam ensaiando a se animar com as boas perspectivas para o segundo semestre. Decepção com o quadro político tem predominado o clima no setor produtivo. Isto é fato!

Os investidores do setor produtivo estão com dois pés atrás com a política econômica da equipe do governo Temer. As reformas estruturantes não sai do chão. A principal delas, a reforma da previdência parece ficar para o dia do são nunca, pelo menos neste governo, o do Temer.  O setor produtivo apostava na reforma da previdência para que o Orçamento Fiscal sustentável ao longo dos próximos anos. Sobretudo por isso, a "decepção" é geral e irreversível, pelo menos no curto prazo. O quadro é de apatia geral. 

Qualquer quadro da economia tem condições de ser revertido, não só pelas reformas estruturantes, mas sobretudo pela demonstração de "credibilidade" do governo em exercício, seja qual for o partido político. O quadro da economia já estava em quadro crítico, com pior recessão dos últimos  100 anos. O primeiro trimestre tinha mostrado sinais de início de recuperação, com  o primeiro PIB trimestral positivo, após 8 trimestres negativos. Não que o número mostre a tendência, uma vez que há necessidade de dois trimestres seguidos positivos para considerar, tecnicamente, que o configure o quadro da economia. Mas, foi alento, a notícia do PIB do primeiro trimestre positivo. Foi. Não se sabe se confirmará no segundo trimestre o mesmo resultado do primeiro. 

Independente do quadro político "em deterioração", ao contrário do que a grande imprensa e maior parte dos articulistas econômicas vem afirmando, a política econômica comandada pelo ministro da Fazenda Henrique Meirelles e a política monetária capitaneada pelo presidente do Banco Central Ilan Goldfajn pecam na origem, na sua formulação. Este blog, com viés na economia, vem desde a primeira matéria, chamando atenção sobre o tema. Já são 98 artigos postados. 

A matriz econômica de ambos, Meirelles e Goldfajn, se baseia no "controle da inflação" via taxa básica de juros, a segunda taxa de juros reais mais alta do mundo, dentre 40 maiores economia, ficando atrás apenas da Rússia. O Brasil tem pago nos últimos anos, juros reais em torno de 6% ao ano, que é considerado pelo mundo como economia em crise.  Esquecem Meirelles e Goldfajn que uma boa matriz econômica combate inflação com a contração da base monetária, não apenas pela taxa de juros reais. O atual presidente do Banco Central parece estar indo na contramão do receituário clássico de combate à inflação, ao liberar R$ 7 bilhões do depósito compulsório dos bancos, nas últimas duas semanas. O fato foi noticiado pela imprensa como matéria de "rodapé", como que querendo "esconder" a política econômica equivocada.  Juros reais altos "inibe" os investidores institucionais a canalizarem os investimentos nos setores produtivos. Qual é o empresário que quer correr o risco para ganhar dinheiro se tem alternativa boa sem ter que correr o risco?

Outro equívoco da política monetária é o dólar baixo (real valorizado). O dólar baixo traz a "sensação do poder de compra" da população. O dólar baixo traz a "sensação equivocada de quadro econômico em normalidade". O dólar baixo é defendido "à unha" pelos agentes econômicos e pela classe social "emergente" que preferem gastar suas economias no "exterior". Os novos ricos ou as classes emergentes se sentem os "donos do mundo" comprando em Nova York roupas e produtos produzidos na China, com etiqueta americana.  Este filme já vimos no segundo governo do Sarney, no segundo governo do Lula e no primeiro da Dilma. Deu no que deu! E dará no que dará! Isto é "inexorável", como 2 +2 = 4. 

A tão comemorada lei do "teto dos gastos públicos", também, é uma falácia tão grande que fico "boquiaberto" com tanta ignorância dos agentes públicos e econômicos que defendem a tal lei.  À rigor a Emenda Constitucional institucionalizou o "déficit primário" nos Orçamentos Fiscais ao contrário do que previa a Lei de Responsabilidade Fiscal de 2000. A Lei de Responsabilidade Fiscal previa equilíbrio fiscal ou seja "déficit primário" zero ou seja gastar só o que arrecada. Pois, esta lei ficou "letra morta" com a Emenda do teto dos gastos. 

Com tantos erros na formulação da matriz econômica, que privilegia os investidores especulativo aos investidores produtivos, não se pode esperar que o País cresça sustentavelmente nos próximos anos.  Com o permanente "déficit primário" o País aumenta a sua dívida pública, em termos reais, exponencialmente. Para tanto, o Brasil paga juros reais a mais alta do mundo, excluindo Rússia, para financiar o custo da administração pública. Em termos chulos, podemos dizer que o Brasil caiu na ciranda dos agiotas.  Quem pegou dinheiro emprestado dos agiotas ou dos "factoring" sabe do que estou a falar. 

Acorda Brasil !

Ossami Sakamori


sexta-feira, 2 de junho de 2017

97. Brasil em stand-by!


O presidente Temer e o ministro da Fazenda Henrique Meirelles, utilizaram dos meios de comunicação para afirmar que o Brasil saiu da recessão.  A afirmação, no entanto, é um tanto quanto precipitada. Para confundir ainda mais os empresários e agentes financeiros, uma boa parte dos analistas econômicos se somam às afirmações de ambos. Nada disso é verdadeiro, sob a análise fria dos indicadores.

É verdade que no primeiro trimestre do ano, os indicadores iniciais mostram que houve crescimento de 1% no PIB. É também verdade que houve um pequeno recuo no índice de desemprego do País, apesar de número permanecer ainda acima de 14 milhões de desempregados. Os indicadores podem apontar tendência conjuntural, sob ponto de vista técnico.  Não se pode afirmar como uma tendência!

Tecnicamente, só podemos indicar a tendência da economia, para crescimento ou permanência na recessão, com indicadores confirmado nos dois trimestres consecutivos. Isto significa que, só saberemos se o País saiu ou não da recessão, lá pelo final de agosto próximo, com indicadores do segundo trimestre deste ano. Até lá, qualquer afirmação é pura especulação!

Com a crise política que se instalou com o "grampo" do presidente da República, que veio ao público, feito pelo empresário estelionatário Joesley Batista, os investidores institucionais diretos e especulativos colocaram as barbas de molho. Estrategicamente, os investidores vão postergar as suas decisões importantes para depois da definição do quadro político. Não são declarações do presidente da República, o pivô da crise, que vão fazer os investidores mudarem de ideia. 

O mercado financeiro, os empresários e os investidores especulativos, diante do quadro, vão ficar na posição de "stand-by". 

Ossami Sakamori
(com rede social bloqueada)