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domingo, 18 de junho de 2017

98. Acorda Brasil !



A economia do País está sem rumo, sobretudo após o fato político mais importante do governo Temer, o "grampo" do Joesley Batista. As revelações do empresário do ramo de carnes que se sucederam após a delação premiada, vem causando terremoto no campo político e em consequência uma "decepção" aos investidores que estavam ensaiando a se animar com as boas perspectivas para o segundo semestre. Decepção com o quadro político tem predominado o clima no setor produtivo. Isto é fato!

Os investidores do setor produtivo estão com dois pés atrás com a política econômica da equipe do governo Temer. As reformas estruturantes não sai do chão. A principal delas, a reforma da previdência parece ficar para o dia do são nunca, pelo menos neste governo, o do Temer.  O setor produtivo apostava na reforma da previdência para que o Orçamento Fiscal sustentável ao longo dos próximos anos. Sobretudo por isso, a "decepção" é geral e irreversível, pelo menos no curto prazo. O quadro é de apatia geral. 

Qualquer quadro da economia tem condições de ser revertido, não só pelas reformas estruturantes, mas sobretudo pela demonstração de "credibilidade" do governo em exercício, seja qual for o partido político. O quadro da economia já estava em quadro crítico, com pior recessão dos últimos  100 anos. O primeiro trimestre tinha mostrado sinais de início de recuperação, com  o primeiro PIB trimestral positivo, após 8 trimestres negativos. Não que o número mostre a tendência, uma vez que há necessidade de dois trimestres seguidos positivos para considerar, tecnicamente, que o configure o quadro da economia. Mas, foi alento, a notícia do PIB do primeiro trimestre positivo. Foi. Não se sabe se confirmará no segundo trimestre o mesmo resultado do primeiro. 

Independente do quadro político "em deterioração", ao contrário do que a grande imprensa e maior parte dos articulistas econômicas vem afirmando, a política econômica comandada pelo ministro da Fazenda Henrique Meirelles e a política monetária capitaneada pelo presidente do Banco Central Ilan Goldfajn pecam na origem, na sua formulação. Este blog, com viés na economia, vem desde a primeira matéria, chamando atenção sobre o tema. Já são 98 artigos postados. 

A matriz econômica de ambos, Meirelles e Goldfajn, se baseia no "controle da inflação" via taxa básica de juros, a segunda taxa de juros reais mais alta do mundo, dentre 40 maiores economia, ficando atrás apenas da Rússia. O Brasil tem pago nos últimos anos, juros reais em torno de 6% ao ano, que é considerado pelo mundo como economia em crise.  Esquecem Meirelles e Goldfajn que uma boa matriz econômica combate inflação com a contração da base monetária, não apenas pela taxa de juros reais. O atual presidente do Banco Central parece estar indo na contramão do receituário clássico de combate à inflação, ao liberar R$ 7 bilhões do depósito compulsório dos bancos, nas últimas duas semanas. O fato foi noticiado pela imprensa como matéria de "rodapé", como que querendo "esconder" a política econômica equivocada.  Juros reais altos "inibe" os investidores institucionais a canalizarem os investimentos nos setores produtivos. Qual é o empresário que quer correr o risco para ganhar dinheiro se tem alternativa boa sem ter que correr o risco?

Outro equívoco da política monetária é o dólar baixo (real valorizado). O dólar baixo traz a "sensação do poder de compra" da população. O dólar baixo traz a "sensação equivocada de quadro econômico em normalidade". O dólar baixo é defendido "à unha" pelos agentes econômicos e pela classe social "emergente" que preferem gastar suas economias no "exterior". Os novos ricos ou as classes emergentes se sentem os "donos do mundo" comprando em Nova York roupas e produtos produzidos na China, com etiqueta americana.  Este filme já vimos no segundo governo do Sarney, no segundo governo do Lula e no primeiro da Dilma. Deu no que deu! E dará no que dará! Isto é "inexorável", como 2 +2 = 4. 

A tão comemorada lei do "teto dos gastos públicos", também, é uma falácia tão grande que fico "boquiaberto" com tanta ignorância dos agentes públicos e econômicos que defendem a tal lei.  À rigor a Emenda Constitucional institucionalizou o "déficit primário" nos Orçamentos Fiscais ao contrário do que previa a Lei de Responsabilidade Fiscal de 2000. A Lei de Responsabilidade Fiscal previa equilíbrio fiscal ou seja "déficit primário" zero ou seja gastar só o que arrecada. Pois, esta lei ficou "letra morta" com a Emenda do teto dos gastos. 

Com tantos erros na formulação da matriz econômica, que privilegia os investidores especulativo aos investidores produtivos, não se pode esperar que o País cresça sustentavelmente nos próximos anos.  Com o permanente "déficit primário" o País aumenta a sua dívida pública, em termos reais, exponencialmente. Para tanto, o Brasil paga juros reais a mais alta do mundo, excluindo Rússia, para financiar o custo da administração pública. Em termos chulos, podemos dizer que o Brasil caiu na ciranda dos agiotas.  Quem pegou dinheiro emprestado dos agiotas ou dos "factoring" sabe do que estou a falar. 

Acorda Brasil !

Ossami Sakamori


2 comentários:

  1. "A tão comemorada lei do "teto dos gastos públicos", também, é uma falácia tão grande que fico "boquiaberto" com tanta ignorância dos agentes públicos e econômicos que defendem a tal lei.' Professor Saka, esta Lei foi para garantir que novos investimentos na educação e saúde e no social para a população menos abastarda não pudesse ser feita... Oficializou a concentração de gestão para os mais abastardos... Ponto...
    Claro que a consequência é a violência geral bater cada vez mais à porta de todos...

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  2. Conclusão: Tudo parado, nem os setores de alimentos e remédios crescem...

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