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quinta-feira, 27 de julho de 2017

102. Selic a 9,25%, comemorar o que?

Crédito da imagem: Veja

O Copom - Comitê de Política Monetária do Banco Central definiu a taxa básica de juros Selic em 9,25% ao ano. O mercado comemora.  O governo Temer comemora. O ministro da Fazenda Henrique Meirelles comemora. Os investidores institucionais comemora.  Capital estrangeiro, sobretudo, comemora. Há quase unanimidade sobre decisão do Banco Central no rebaixamento dos juros. Menos, uma parcela de economistas e estudiosos! 

Quem concorda com a matriz econômica em vigor, implementada pelo Henrique Meirelles, está alinhado com a decisão do Banco Central.  No entanto, alguns economistas que tem como alternativa uma matriz econômica baseada em teoria quantitativa de moeda, torcem o nariz. Incluo-me neste time de pensadores, motivo pelo qual mantenho este blog. 

Sem me aprofundar em teorias monetárias, posso afirmar que o corte de juros Selic ainda atende apenas os interesses do capital especulativo que financiam a dívida pública federal, que se aproxima dos R$ 3,5 trilhões líquida. A dívida pública federal aproxima de 60% do PIB. O que é pior, a dívida pública do País cresce, sem considerar os déficits primários recorrentes, a uma taxa de 6% ao ano acima da inflação. A manter atual política monetária, a dívida pública federal estará respondendo por 100% do PIB em menos de 10 anos, sem considerar os déficits primários que aceleram ainda mais a expansão da dívida pública.

O número  9,25%, um dígito, parece número mágico na medida que saímos da taxa de juros acima de 10%, dois dígitos, há pelo menos 3 anos. No entanto, a taxa de juros reais, o que importa para os especuladores, está em nível estratosférico, 6% ao ano. Para se ter ideia, os países como Estados Unidos, Alemanha e Japão, praticam taxa de juros da dívida de curto prazo, menor que a própria taxa de inflação. Os países desenvolvidos estão praticando taxa de juros "negativos", na contra mão do Brasil. 

Diante do quadro tão negro, como podemos comemorar a taxa Selic de 9,25% ao ano!  O País caminha celeremente para "default" a continuar com a atual matriz econômica. 

Taxa Selic 9,25%, comemorar o que?

Ossami Sakamori


sábado, 15 de julho de 2017

101. Brasil caminha celeremente para "default".

Crédito da imagem: Globo

O Congresso Nacional aprovou na quinta-feira, dia 13, a LDO de 2018 que orienta a execução do Orçamento Fiscal de 2018. A meta de "déficit primário" é de R$ 129 bilhões, ligeiramente inferior à meta de 2017 que é de R$ 139 bilhões. Vamos lembar que o País vem apresentando o "déficit primário" desde 2015 (sem pedaladas). Vamos lembar que o "déficit primário" nada mais é do que o dinheiro que falta para cobrir as despesas do governo.  O governo, incluindo o do Michel Temer, vem gastando mais do que arrecada.

A Lei de Diretrizes Orçamentárias traz estimativa do salário mínimo de R$ 979, em confronto com o número atual de R$ 937.  A LDO, também, estima a inflação de 2018 em 4,5%, contrariando a meta de inflação do próprio governo em 4,25%. Prevê a LDO que a taxa básica de juros Selic será de 9%. A equipe econômica fez previsão do crescimento do PIB ou Produto Interno Bruto em 2,5%. Independente dos resultados dos indicadores econômicos no curso do próximo ano, o número do "rombo" fiscal permanece inalterado em R$ 131 bilhões.

Como comentário, muito importante, é que de acordo com as Emendas Constitucionais do "teto dos gastos", os gastos do Orçamento Fiscal de 2018 foi corrigido pela inflação estimada de 2017. Contrariamente ao que foi passado à população, as Emendas Constitucionais do "teto dos gastos", deixa letra morta a Lei da Responsabilidade Fiscal de 2000, que prevê déficit primário "zero".  A Lei de Responsabilidade de 2000, letra morta, prevê o equilíbrio entre "receitas" e "despesas" do Orçamento Fiscal excetuando apenas os juros da dívida pública. 

Desde 2015, o Brasil vem pagando as suas contas, exceto juros da dívida, com emissão de novos títulos da dívida pública.  O Brasil não consegue cobrir as despesas do governo com a arrecadação de impostos, contribuições e tarifas. O Brasil endivida para cobrir os recorrentes "déficit primário".  O Brasil está num espiral de endividamento público, difícil de reverter. Mais anos, menos anos, o Brasil poderá entrar em "default". 

A situação do Brasil é mais ou menos como um assalariado que não podendo cobrir suas despesas correntes, recorrem aos empréstimo dos agiotas, para "complemento" da da sua sobrevivência. No início é uma "euforia", poder pagar as contas com dinheiro emprestado dos agiotas e viver nababescamente.  Inexoravelmente, a vida desse assalariado vai virar inferno quando os agiotas não mais derem "dinheiro novo" (déficit primário) ou não mais renovarem as dívidas antigas. 

Brasil caminha celeremente para "default". 

Ossami Sakamori


sábado, 8 de julho de 2017

100. Tudo como dantes!


Esta é matéria de número 100 deste blog, com alguma dose de economês, um pouco difícil para compreensão de leigos. Mas, vamos lá! A equipe econômica comemora a primeira "deflação" dos últimos 11 anos, à custa de uma política econômica e monetária equivocada. A "deflação", no nosso caso é apenas sintoma de que o País está muito doente, seriamente doente. 

O custo social para chegar à comemoração da "deflação" está acima da capacidade da população poder absorver. Desemprego batendo 14 milhões de trabalhadores e número de inadimplentes chegando ao pico de 61 milhões de pessoas, não temos motivo nenhuma para comemorações. O comemorado saldo da balança comercial deste ano pela equipe econômica e pelos jornalistas econômicos é conseguido às custas de severa "retração" da demanda interna do que pelo "aumento" nos volumes de exportações. 

Em 16 de junho de 2016, portanto, há mais de 1 ano, com o presidente Michel Temer recém empossado no cargo de presidente da República, escrevi a matéria que reproduzo para confirmar o "equívoco da política econômica e monetária" da equipe comandada pelo ministro da Fazenda Henrique Meirelles.

A matéria escrita há um ano:

Infelizmente, o País está implodindo. O ambiente político, hoje, em razão das delações premiadas no âmbito da Operação Lava Jato, está em estado de putrefação. Ninguém mais, em são consciência, aguenta mais este estado de coisas. O ambiente econômico e social estão a deteriorar com velocidade espantosa, apesar das medidas tomadas pela nova equipe econômica capitaneada pelo ministro da Fazenda Henrique Meirelles. 

O País caminha celeremente para retração próximo de 4% no PIB para o final do ano. A inflação está explodindo apesar da política monetária adotada pelo Banco Central, no meu entender, equivocada. O desemprego oficial está à caminho de 14 milhões no final do ano. No entanto, o número de desocupados já ultrapassou 30 milhões de trabalhadores, considerado os beneficiários da Bolsa Família.

O equívoco está na prática de política econômica baseada na fórmula clássica de neoliberalismo, dogma do Fundo Monetário Internacional. A matriz econômica adotada pela equipe do Henrique Meirelles e Ilan Goldfajn é a mesma da desastrada política econômica dos últimos 13 anos, do governo do PT.  É errôneo pensar que o governo do Lula da Silva praticou política econômica de sucesso. 

Há 13 anos, Lula da Silva entregou a política econômica para atual ministro da Fazenda Henrique Meirelles, que baseou o desenvolvimento do País no mercado interno. O fato é que a aparente sucesso da política econômica do Lula da Silva foi um engodo, uma mentira, para enganar a população brasileira. Lula da Silva e Henrique Meirelles deu à população brasileira a falsa "sensação de bem estar" e a "sensação do poder de compra". Deu no que deu. Hoje, o País paga a conta dos equívocos cometidos nos últimos 13 anos do governo petista.

O novo Henrique Meirelles, vem com o desenho da política econômica baseado apenas em "ajustes fiscais" com perspectiva de reformas estruturantes. Esquece o Meirelles do quadro grave e sombria situação que encontra a economia do País. Ajustes fiscais são apenas "deveres de casa", nada mais do que isso. Falta ao Meirelles medidas para tirar o País do estado de "recessão" (pré coma) vivido há 2 anos consecutivos. 

O desenho da política econômica do Meirelles visa cumprir apenas o "dever de casa", que é executar o Orçamento Fiscal em equilíbrio. Isto, pode ser pré-condição para qualquer política econômica séria, no enanto as medias desenhadas, isoladamente, não leva o País ao crescimento sustentável. Henrique Meirelles não levou em conta a "grave e agudo" quadro da economia. 

As medidas econômicas que eu tomaria vai em contra mão do desenho proposto pelo Henrique Meirelles. Na minha visão, os ajustes na economia, terá que passar necessariamente pela política monetária que estimule os investimentos diretos dos setores produtivos. Nada que foi dito pelo presidente do Banco Central faz parte do receituário para a retomada de crescimento no País.

Não quero esgotar o assunto em apenas uma matéria. No decorrer dos dias que seguirão, exporei o desenho da política econômica e monetária adequados para um País na situação de crise como que passa. 

Sugiro, no entanto, a leitura do roteiro de política econômica e monetária exposto no meu e-book Brasil tem futuro? , para melhor compreensão das matérias que se seguirão.

Um bom fim de semana para todos!