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segunda-feira, 11 de setembro de 2017

106. Brasil voltou à rota de crescimento?


Vocês devem estar pensando no que "realmente" está acontecendo com a economia do País. A grande imprensa mente muito. Os governos mentem muito. Ministro Henrique Meirelles esbanja otimismo apesar de governo Temer não ter concluído reformas estruturantes para equilíbrio das contas do governo federal. Governo Temer não fez, ainda, o dever de casa. Então vamos lá, tentar colocar uma luz nesse quadro nebuloso.

Tecnicamente, a economia do País saiu do quadro de "recessão" ou de "depressão". O Brasil experimentou crescimento em dois trimestres consecutivos no primeiro semestre. As pesquisas parciais do terceiro trimestre tem mostrado que a economia está seguindo a mesma trajetória dos primeiros dois trimestres deste ano. O governo projeta, no que eu endosso, o crescimento da economia deste ano entre 0,5% a 1% do PIB. Eu aposto no 0,5%.

A inflação corrente no fim do primeiro semestre aponta 2,75%, que está abaixo do centro da meta do Banco Central de 4,5%. No entanto, este blog não comemora o índice de inflação conseguido através de "matriz econômica" equivocada. O declínio da inflação está calcado na queda do consumo da população. A queda do consumo está justificada pelo elevado número de desempregados e sub-empregados, que ultrapassam 40 milhões de pessoas, o que corresponde cerca de 30% da força de trabalho do País. O número corresponde ao número de população de maior parte dos países do mundo. 

Apesar de governo Temer estar comemorando a queda do número de desempregado, o que houve foi que, houve "migração" de força do trabalho da categoria de desempregado para desalentado (biscateiro). Mas o quadro geral continua o mesmo, 40 milhões de trabalhadores em desemprego ou em sub-emprego. No entanto, o número de empregos com carteira assinada tem crescido pifiamente, mas o bom é de que mesmo pifiamente, tem crescido. 

O quadro geral da economia não mostra tão consistente a ponto de poder afirmar que a inflação "está controlada". Não, não está. A inflação poderá voltar ao primeiro movimento de crescimento palpável do consumo da população. A matriz econômica do ministro da Fazenda Henrique Meirelles é capenga. O atual crescimento da economia está ancorado apenas em número de "desempregados e sub-empregados" e em dólar demasiadamente baixo (real valorizado). 

O crescimento econômico do Brasil só se tornará irreversível após eleições de 2018, com um novo presidente da República que venha adotar uma "matriz econômica" diversa da atual. Uma matriz econômica para crescimento econômico sustentável terá que priorizar o setor produtivo ao invés de setor financeiro especulativo. 

Ossami Sakamori



quinta-feira, 7 de setembro de 2017

105. Comemorar o que com Selic de 8,25% ?

Crédito da imagem: Estadão

Ontem, o Copom - Comitê de Política Monetária do Banco Central cortou a taxa básica de juros Selic para 8,25%. O mercado financeiro e o empresariado em geral já esperavam o corte de 1% em relação à taxa de juros em vigor até a véspera. O mercado financeiro já sabe como funciona a "matriz econômica" da atual equipe econômica. A maior parte dos "desavisados" aplaudem o corte de juros que, aparentemente, é expressivo. Isto é mais ou menos como comemorar o corte de dose de analgésico em doente terminal.

A política econômica baseada apenas em taxa básica de juros é a fórmula clássica do FMI e de organismos de fomento internacional. A política econômica clássica funcionam em economias estáveis como a dos Estados Unidos, Alemanha e Japão, mas não da mesma forma nos países emergentes. Em países como o Brasil, com distorções na economia de toda ordem, as coisas funcionam de forma diversa. Brasil é como um país pobre brincando de país rico.

É grave o equívoco da política econômica baseada apenas em taxa "nominal" de juros básicos Selic. Dá-se impressão de que 8,25% é uma taxa baixa, mas não é!  A taxa básica de juros anunciada pelo Banco Central é baixa se fizer comparação apenas em números absolutos, com a taxa básica de juros Selic de 14,25% do final de 2015, quando a inflação naquele período marcava a taxa de 10,67%. 

Em dezembro de 2015, a taxa básica de juros reais estava em 3,58% ao ano. Fazendo a mesma conta, hoje, a taxa básica de juros reais está em 5,50%, uma vez que a inflação corrente está em 2,75%. Basta fazer a conta para constatar que a taxa de juros reais de hoje, que está em 5,50% está muito acima da taxa de 3,58% do final de 2015. As taxas nominais mascaram a realidade. 

O que importa não é a taxa básica de juros nominais, mas a taxa básica de juros reais. O Brasil tem dívida pública federal bruta em torno de R$ 4,5 trilhões. A taxa de juros "reais" de 5,5%, definido ontem pelo Banco Central incide sobre a dívida bruta causando impacto de aproximadamente R$ 250 bilhões ao ano.  

O que chama a atenção é que o Congresso Nacional aprovou nesta semana o "déficit primário" de R$ 159 bilhões para os exercícios fiscais de 2017 e de 2018. Em síntese, o endividamento do governo federal será acrescido aos serviços da dívida pública (juros) os "rombos fiscais". A permanecer os "rombos fiscais" e atual politica de juros, a dívida pública federal alcançará o nível de 100% do  PIB em menos de 7 anos. Isto é grave!

Desta forma, comemorar o que com Selic a 8,25%?

Ossami Sakamori