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quinta-feira, 7 de setembro de 2017

105. Comemorar o que com Selic de 8,25% ?

Crédito da imagem: Estadão

Ontem, o Copom - Comitê de Política Monetária do Banco Central cortou a taxa básica de juros Selic para 8,25%. O mercado financeiro e o empresariado em geral já esperavam o corte de 1% em relação à taxa de juros em vigor até a véspera. O mercado financeiro já sabe como funciona a "matriz econômica" da atual equipe econômica. A maior parte dos "desavisados" aplaudem o corte de juros que, aparentemente, é expressivo. Isto é mais ou menos como comemorar o corte de dose de analgésico em doente terminal.

A política econômica baseada apenas em taxa básica de juros é a fórmula clássica do FMI e de organismos de fomento internacional. A política econômica clássica funcionam em economias estáveis como a dos Estados Unidos, Alemanha e Japão, mas não da mesma forma nos países emergentes. Em países como o Brasil, com distorções na economia de toda ordem, as coisas funcionam de forma diversa. Brasil é como um país pobre brincando de país rico.

É grave o equívoco da política econômica baseada apenas em taxa "nominal" de juros básicos Selic. Dá-se impressão de que 8,25% é uma taxa baixa, mas não é!  A taxa básica de juros anunciada pelo Banco Central é baixa se fizer comparação apenas em números absolutos, com a taxa básica de juros Selic de 14,25% do final de 2015, quando a inflação naquele período marcava a taxa de 10,67%. 

Em dezembro de 2015, a taxa básica de juros reais estava em 3,58% ao ano. Fazendo a mesma conta, hoje, a taxa básica de juros reais está em 5,50%, uma vez que a inflação corrente está em 2,75%. Basta fazer a conta para constatar que a taxa de juros reais de hoje, que está em 5,50% está muito acima da taxa de 3,58% do final de 2015. As taxas nominais mascaram a realidade. 

O que importa não é a taxa básica de juros nominais, mas a taxa básica de juros reais. O Brasil tem dívida pública federal bruta em torno de R$ 4,5 trilhões. A taxa de juros "reais" de 5,5%, definido ontem pelo Banco Central incide sobre a dívida bruta causando impacto de aproximadamente R$ 250 bilhões ao ano.  

O que chama a atenção é que o Congresso Nacional aprovou nesta semana o "déficit primário" de R$ 159 bilhões para os exercícios fiscais de 2017 e de 2018. Em síntese, o endividamento do governo federal será acrescido aos serviços da dívida pública (juros) os "rombos fiscais". A permanecer os "rombos fiscais" e atual politica de juros, a dívida pública federal alcançará o nível de 100% do  PIB em menos de 7 anos. Isto é grave!

Desta forma, comemorar o que com Selic a 8,25%?

Ossami Sakamori


2 comentários:

  1. No Brasil não é só o volume da roubalheira que é enorme.
    O volume da divida publica federal bruta é da ordem de 4,5 TRILHÕES.
    Ou o rumo da politica econômica muda, ou não demora teremos um PIB negativo, o que, convenhamos, será algo inédito por aqui.

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  2. Ainda muito para ser feito, o país precisa de crescimento.

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