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domingo, 1 de outubro de 2017

107. Inflação baixa, a vitória do Pirro!



O governo Temer insiste em lavar à população, a imagem de reformista. Presidente Michel Temer se coloca, em seus pronunciamentos oficiais, como "salvador da economia". Insistentemente, diz nos seus pronunciamentos que o "País voltou a crescer" após "herança maldita" da sua antecessora presidente Dilma. É verdade que a economia voltou a crescer, menos pela matriz econômica do Henrique Meirelles, seu ministro da Fazenda, mais pelo resultado de prolongado período de "depressão". 

A economia do País voltou a crescer muito mais pela queda de inflação do que pela matriz equivocada econômica do Meirelles. As reformas estruturantes, sobretudo da previdência, não foram realizadas ainda.  A inflação caiu pela queda de consumo provocado pela persistente índice de desempregados e subempregados, que atinge cerca de 40 milhões de trabalhadores. O índice se não é alarmante, é aterrorizante! Grosso modo, em cada 10 trabalhadores, 4 deles estão desempregados ou estão na informalidade. 

Apesar de inflação corrente ter caído aos níveis de 3% ao ano, o País paga os juros reais mais alta do mundo superado apenas pela Rússia, dentre 40 maiores economias do mundo. O Brasil ainda continua a pagar os juros reais de 5% ao ano. A dívida pública federal bruta nos níveis de 73% do PIB ou R$ 4,5 trilhões, o endividamento público federal aumenta R$ 225 bilhões a cada ano, sem deduzir os juros auferidos. Em 2017, com "déficit primário" previsto em R$ 159 bilhões, o "déficit nominal" deve ultrapassar os R$ 300 bilhões, já descontados os juros compensatórios, grosso modo 4,5% do PIB.

Quando a economia voltar ao crescimento histórico de 3% ao ano e havendo a queda de número de desempregados e subempregados, a inflação voltará a crescer. O principal motivo para a volta da inflação é resultado crescente do "déficit nominal". Devido a moeda quase que em sua totalidade escriturais e o sistema bancário nacional dando liquidez para dívidas de longo prazo do governo, há "injeção" de cerca de R$ 300 bilhões a cada ano no sistema financeiro. Em outras palavras podemos dizer que há "alargamento da base monetária" ou o "afrouxamento da liquidez".  Seja como for a nomenclatura, maior liquidez, maior inflação. Não tem como fugir, é como 2 + 2 = 4.

A matriz econômica do Henrique Meirelles obedece a fórmula "ortodoxa" recomendada pelos organismos de fomento internacional como FMI.  Há um confronto com a estrutura original do Plano Real que baseava combater a inflação com a contenção da base monetária. Em 2000, o governo Fernando Henrique editou a "lei da responsabilidade fiscal" que proibia os gastos públicos acima da arrecadação. O governo Michel Temer tornou letra morta, a "lei da responsabilidade fiscal" com as Emendas Constitucionais que regula o "teto dos gastos públicos", não importando quanto efetivamente o governo arrecada. Com a Emendas do "teto dos gastos", o governo federal está liberado de produzir qualquer "déficit primário", desde que os gastos públicos se limitem aos gastos de 2016 corrigido pela inflação. Temer e Meirelles venderam "gato" por "lebre".  Num país com mais de 55 milhões de analfabetos funcionais, fácil enganar, com mensagem massificada e repetida!

Com o equívoco de raiz, infelizmente, a volta de crescimento econômico vai trazer de volta o "fantasma" da inflação. Com a volta da inflação, começa tudo de novo, a nova escalada de alta da taxa básica de juros Selic, tão comemorado pela equipe econômica do Temer. Isto me faz lembrar a vitória do Pirro, o sucesso obtido à custa de grandes sacrifícios da população. Comemorar, o que?

Se o leitor quiser aprofundar ao assunto sobre a nova matriz econômica proposta por este que escreve, poderá fazê-lo com a leitura das matérias precedentes deste mesmo blog, devidamente numeradas.

Leia também: Brasil está Globo!

Ossami Sakamori




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