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segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

116. Chega de bravatas!

Crédito da imagem: Folha

A imagem foi feita no mês de dezembro de 2017, em Quioto, Japão, num concurso popular de shodo (leia-se shodoo), a arte da caligrafia de ideogramas da língua japonesa. O ideograma da foto representa o "norte". O monge japonês quis transmitir à população japonesa a sua preocupação com os "norte" coreanos, tendo em vista as experiências de bombas atômicas que aquele país vem fazendo. Embora em contexto diferente, o espírito do ideograma "norte" coincide com o estado de espírito do povo brasileiro neste início do ano.

Depois de entrar em profunda "depressão", o povo brasileiro está aflito com o "norte" do País, com vistas à realização de eleições neste ano. O País encontra-se numa "encruzilhada" após sucessivos desgovernos, passando de PT ao PMDB. O Brasil está com piores indicadores possíveis. O número de desempregados está em 12,6 milhões, que somado ao número de desalentados ou subempregados chegam a 40 milhões, dentre contingente da força de trabalho de 100 milhões. Não bastasse isso, o número de inadimplentes no comércio está em 60 milhões. Os indicadores mostram que o Brasil está muito doente!

Só mesmo o presidente Temer e seu ministro da Fazenda Henrique Meirelles acham que o Brasil está no rumo certo. Ambos comemoram um pequeno sinal da retomada do crescimento econômico, 1% em 2017. Não sei dizer, baseado em que "premissas", o ministro da Fazenda Henrique Meirelles anuncia o crescimento do País em 3% para este ano. Ambos devem ter consultado "cartomante" para anunciar o retumbante retomada do crescimento econômico do País. Se a matriz econômica é a mesma, desde que ambos assumiram os seus postos em 12 de maio de 2016, pelo impeachment da Dilma, não vejo motivo para tanta euforia. 

O fato é que o presidente Temer está acusado pelo MPF de fazer parte da "quadrilha" que tomou conta do Palácio do Planalto. É notório também que alguns ministros do STF vem agindo como que fazendo parte da mesma "quadrilha", de arrombadores de cofres públicos. Por outro lado, os atuais parlamentares concorrerão aos cargos no Congresso Nacional, cerca de 1/3, fazem parte da mesma "quadrilha".

Um dos candidatos à presidência da República promete a retomada da política econômica dos anos 2003/2010, exatamente com a mesma política econômica que privilegiou alguns poucos amigos do Planalto, em sua maioria condenados pela Justiçam pela prática de "corrupção ativa". Um outro candidato, um capitão do Exército, promete "mandar prender" os corruptos, passando por cima do Judiciário e Congresso Nacional. Todos esses filmes já vimos acontecer e as consequências foram desastrosas. 

O povo brasileiro, no qual me incluo, somos acomodados. Gostamos de criticar sem apontar soluções. Gostamos de "terceirizar" os "serviços sujos". Assistimos o clamor pela "intervenção militar" ou "um militar" no poder, como que isto resolvesse as mazelas do País. Não vai faltar candidatos que irá prometer aquilo que está fora da realidade do País. Vai aparecer, certamente, os "donos" de soluções milagrosas para tirar o País da miséria. 

Enquanto isso, o País se submete à vontade dos agiotas internacionais, pagando juros reais (a diferença dos juros nominais e a inflação) a mais alta do planeta, deixando para trás apenas a Turquia e a Rússia, dentre as 40 maiores economias do mundo. É equivocado o raciocínio de que o presidente da República "cria" empregos. As medidas que "criam" empregos, inexoravelmente, estarão em privilegiar os investimentos nos setores produtivos em detrimento dos setores financeiros. Isto, com certeza, não se resolve com "bravatas", mas em cima de "exaustiva" e "penosa" negociação com credores internacionais. 

É chegado a hora do povo sair da zona do conforto e definir o seu próprio "norte", as sua própria prioridade. Do resultado da escolha do "norte" é que depende o "desenvolvimento sustentável" do País. Chega de terceirizar o destino da Nação para os "aventureiros" de diversas tendências ideológicas. Chega de "bravatas!". Estes filmes já vimos várias vezes na história contemporânea brasileira. 

Vamos desenhar o nosso "norte", vamos?

Ossami Sakamori
@SakaSakamori

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